2015-06-23

Subject: Microrganismos urbanos saem das sombras

Microrganismos urbanos saem das sombras

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@ Nature/CARLO ALLEGRI/Reuters/Corbis

Misturadas com a sujidade e o caos das grandes metrópoles do mundo, entre pessoas, pombos, baratas e ratos, há um fervilhante mundo de bactérias, vírus, fungos e protistas que os cientistas só agora estão a começar a conhecer. 

Os microrganismos estão em todo o lado: nos comboios, pavimentos e elevadores, nos parques, bibliotecas, hospitais e escolas. A maioria é inócua, alguns são amigos e um punhado provoca doenças e morte mas a grande maioria é apenas desconhecida.

Os investigadores descreveram os resultados das primeiras passagens por esta terra incógnita na conferência Microrganismos na Cidade, que decorreu na Academia de Ciências de Nova Iorque e na Universidade de Nova Iorque (NYU) no 40º piso de uma torre de escritórios forrada a vidro e com ar anti-séptico. “Estamos na alvorada de um empreendimento científico muito interessante”, diz Joel Ackelsberg, epidemiologista médico no Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova Iorque. “Neste momento sabemos muito pouco.”

Os investigadores não têm sequer a certeza como analisar esta estranha paisagem. Existem várias técnicas em competição para a detecção, quantificação e monitorização de quais microrganismos fazem o quê no ambiente construído e onde mas os investigadores acreditam que os esforços podem conduzir a novas abordagens para a monitorização do bioterrorismo, surtos de doenças ou avaliação do impacto de tempestades e poluição.

Todos os meses, técnicas de elevado desempenho permitem aos cientistas sequenciar cerca de mil genomas bacterianos a partir de amostras recolhidas em vários ambientes, explica o biólogo computacional Curtis Huttenhower, da Faculdade de Saúde Pública T. H. Chan de Harvard em Boston, Massachusetts. É uma impressionante quantidade de dados mas que pouco significa pelo desconhecido. Christopher Mason, geneticista computacional na Faculdade de Medicina Weill Cornell em Nova Iorque, disse na conferência como um estudo de base do material genético de superfícies do sistema de metropolitano da cidade tinha revelado DNA de quase 1700 taxa conhecidos, na sua maioria bactérias inofensivas, mas 48% do material genético não correspondia a nada já identificado. “Metade do mundo na ponta dos nossos dedos é desconhecida”, diz Mason.

Ainda assim, estão a emergir tendências da iniciativa global Metagenómica e Metadesign dos Biomas do Metropolitano e Urbano (MetaSUB), que tem como objectivo caracterizar o material genético encontrado em sistemas de transporte público de 16 cidades do mundo para nos elucidar sobre os passageiros microscópicos que partilham a viagem connosco. As tempestades deixam uma marca: meses depois da estação South Ferry de Nova Iorque ter sido inundada pelo furacão Sandy em 2012, ainda continha DNA de bactérias associadas a ambientes marinhos frios e peixes, referiu Mason. A maioria das espécies são inofensivas e relacionadas com a flora da pele humana.

Na sua palestra, Huttenhower descreveu um estudo do sistema de transportes de Boston que revelou uma flora semelhante: “Tudo está coberto de pele.” Ele salientou que os postes de metal dos comboios, vulgarmente considerados higienicamente suspeitos pelos passageiros, actualmente retêm menos biomassa bacteriana que os assentos estofados ou as pegas de plástico.

Os microbiomas das casas tendem a ser semelhantes aos dos seus habitantes humanos e rapidamente mudam depois de uma mudança de ocupantes, refere o microbiólogo ambiental Jack Gilbert, do Laboratório Nacional Argonne no Illinois. Ele descreveu resultados de uma análise de 10 casas, onde descobriu que estas ficavam povoadas por novos residentes microscópicos no espaço de 24 horas.

Os roedores também estão sob estudo. Os ratos de patas brancas Peromyscus leucopus de Nova Iorque transportam mais bactérias Helicobacter e Atopobium, associadas a úlceras do estômago e vaginose bacteriana em humanos, que os suburbanos mas estão totalmente livres de microrganismos transportados por carraças, relatou a bióloga Alyssa Ammazzalorso, da Faculdade de Medicina Albert Einstein em Nova Iorque. O epidemiologista Ian Lipkin, director do Centro para a Infecção e Imunidade da Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, encontrou nos ratos urbanos estirpes patogénicas de Escherichia coli, Clostridium difficile, Salmonella enterica e a estirpe de Seul do hantavírus, que podem ser fatais quando transmitidas a humanos.

As amostras recolhidas nos esgotos de Nova Iorque revelaram um número perturbador de genes resistentes aos antibióticos, relataram as geneticistas Susan Joseph e Jane Carlton. Uma sopa derivada dos humanos e apimentada com antibióticos, os esgotos são um nicho ideal para o desenvolvimento de resistências, referiu Joseph. 

 

 

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