2015-06-19

Subject: Alterações climáticas extremas atrasaram ascensão dos dinossauros

Alterações climáticas extremas atrasaram ascensão dos dinossauros

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@ Nature/Victor Leshyk

Em tempos os dinossauros dominaram a Terra mas passaram os seus primeiros 30 milhões de anos encalhados nos seus limites geográficos. Os grandes dinossauros floresceram perto dos pólos mas apenas alguns mais pequenos, do tamanho de avestruzes, conseguiram afirmar-se nas latitudes mais baixas e quentes.

As últimas pesquisas sugerem que um clima instável nessas regiões manteve os grandes dinossauros à distância durante milhões de anos, enquanto as condições nas latitudes inferiores alternavam violentamente entre períodos húmidos e secos.

A descoberta baseia-se numa história climática detalhada reconstruída a partir de rochas sedimentares do Novo México e datadas de há 215 a 205 milhões de anos, durante o final do período Triássico. Na época, a zona estava logo a norte do equador, mais ou menos na posição em que actualmente se encontra a Costa Rica, e era dominada por répteis arcaicos (alguns aparentados com os crocodilos) e apenas algumas e pequenas espécies de dinossauros presentes.

Jessica Whiteside, geoquímica orgânica na Universidade de Southampton, Reino Unido, que liderou o estudo, seguiu o crescimento das plantas antigas analisando os isótopos de carbono nos nódulos de solo petrificado nos estratos rochosos. Encontrou repetidos picos e afundamentos na quantidade de carbono-13, um sinal de importantes perturbações ecológicas. Estes picos alinhavam perfeitamente com súbitas alterações no pólen fossilizado, o que indica alterações periódicas entre espécies vegetais adaptadas a condições húmidas e aquelas que preferem ambientes áridos.

O mais fascinante, diz Whiteside, é que este alternar entre húmido e seco ocorreu quando os níveis de dióxido de carbono atmosférico dispararam de 1200 partes por milhão para 2400 ppm, bem acima dos actuais níveis de 400 ppm. Os actuais modelos climáticos prevêem que a subida do dióxido de carbono atmosférico intensifiquem o ciclo da água, salienta ela, e este estudo mostra que isso já aconteceu no passado.

Os estratos rochosos que assinalam os períodos áridos antigos também podem conter pedaços de carvão fossilizado, vestígios de fogos descontrolados que varreram as antigas florestas de coníferas. Ian Glasspool, petrologista orgânico na Faculdade Colby em Waterville, Maine, mediu a refletividade desse carvão para estimar as temperaturas dos fogos que o produziram e encontrou valores de 680°C, quente o suficiente para derreter uma lata de alumínio.

"Isso é um fogo muito quente", diz Glasspool. “Provavelmente havia muito material combustível presente." Uma seca que destruiu vastas áreas de vegetação pode ter fornecido o combustível em excesso necessário para gerar este volume de calor, refere ele.

Existem outras evidências que sugerem que fogos devastaram a zona. Perto do local onde Whiteside recolheu as amostras de rocha, um leito fossilífero contém centenas de ossos de répteis misturados rochas e carvão. Os cientistas pensam que os animais morreram num fogo e as suas carcaças foram arrastadas pelas chuvas juntamente com solo erodido e restos vegetais, acabando enterrados numa depressão.

Este ambiente instável pode ter evitado que os grandes dinossauros sobrevivessem nesta região. “Os grandes dinossauros herbívoros exigiam grande quantidade de recursos vegetais estáveis”, diz Randall Irmis, paleontólogo no Museu de História Natural do Utah em Salt Lake City e co-autor do estudo. Estes animais precisavam de um fornecimento constante de alimentos à medida que cresciam até às 4 toneladas de peso ao longo de um período de 10 ou 20 anos.

Comparativamente, os répteis muito mais pequenos que habitavam o que agora é o sudoeste americano raramente atingiam os 1500 kg. Cresciam mais lentamente e precisavam de menos alimento e “nestes ambientes quentes, secos e variáveis, os mais pequenos têm maior probabilidade de sobreviver", diz Irmis.

Hans-Dieter Sues, paleontólogo no Museu Nacional Smithsonian de História Natural em Washington DC, considera que, ainda assim, é possível que os grandes dinossauros possam ter vivido a latitudes mais baixas noutros locais: “Praticamente não temos registos de baixas latitudes do final do Triássico fora dos Estados Unidos", recorda ele.

William Parker, paleontólogo do Parque Nacional da Floresta Petrificada no Arizona, contrapõe que foram recolhidos ossos triássicos durante mais de 100 anos numa zona que se estende do Wyoming ao Texas. “É uma área enorme que abrange mais de 25 milhões de anos e nada de grandes dinossauros”, diz ele. “Mas se formos para a América do Sul, Europa e África do Sul tropeçamos neles a cada passo.”

 

 

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