2015-06-16

Subject: Esperança para uma vacina para stress pós-traumático

Esperança para uma vacina para stress pós-traumático

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@ Nature/Chris Hondros/Getty

Ajustar o sistema imunitário pode ser a chave para o tratamento, ou mesmo a prevenção, da perturbação de stress pós-traumático (PSPT). Investigação em roedores sugere que imunizar os animais pode reduzir o medo se estes forem, posteriormente, expostos ao stress.

Os investigadores sabem há já algum tempo que a depressão e a saúde do sistema imunitário estão associadas e podem afectar-se mutuamente. Os primeiros testes clínicos mostraram que os medicamentos anti-inflamatórios podem reduzir os sintomas da depressão, aumentando a esperança de que esse tipo de tratamento possa ser útil noutro tipo de doença mental, como a PSPT.

“Acho que há um frenesim com a inflamação na psiquiatria neste momento”, diz Christopher Lowry, neurocientista na Universidade do Colorado, Boulder. El apresentou os resultados de experiências que sondaram a associação entre o comportamento temeroso e a resposta imunitária num encontro em Victoria, Canadá, da Sociedade Internacional de Neurociência Comportamental.

Estudos com pessoal militar sugerem que a função imunitária pode influenciar o desenvolvimento da PSPT. Soldados cujo sangue contém níveis elevados da proteína inflamatória CRP antes de irem para o terreno, ou que têm uma mutação genética que torna a CRP mais activa, têm maior probabilidade de desenvolver esta perturbação.

Para testar directamente se a alteração do sistema imunitário afecta o medo e a ansiedade, Lowry injectou ratos com uma bactéria vulgar, Mycobacterium vaccae, três vezes ao longo de três semanas para modular os seus sistemas imunitários. Os cientistas colocaram, de seguida, estes ratos e um grupo controlo de ratos não imunizados, em gaiolas com animais maiores e mais agressivos.

Os ratos que tinham recebido as injecções foram mais proactivos ao lidar com os agressores, diz Lowry, em vez de simplesmente se renderem, como faz a maioria dos ratos. Os intestinos dos ratos imunizados permaneceram saudáveis, enquanto os dos animais do grupo de controlo desenvolveram inflamações do cólon e o seu microbioma intestinal alterou-se em favor das espécies associadas aos stress.

Num segundo tratamento, Lowry injectou ratos com M. vaccae e condicionou-os a temer um som que foi associado a um choque eléctrico na pata. Este medo foi depois extinto expondo os animais ao som sem o choque. Os ratos imunizados perderam o seu medo muito mais depressa que os não imunizados, sugerindo que a imunomodulação pode ser tanto um tratamento para a PSPT, como uma medida preventiva.

Lowry diz que a sua equipa está a considerar a realização de testes clínicos para a terapia. Dado que a bactéria M. vaccae tem sido largamente utilizada em humanos como tratamento para outras doenças, ele espera que os reguladores aprovem rapidamente os seus planos de testes clínicos.

Jessica Gill, que estuda neurogenética no Instituto Nacional de Investigação de Enfermagem em Bethesda, Maryland, considera a ideia do tratamento preventivo da PSPT interessante: “É fácil de conceber que algo deste género possa ser traduzido para utilização em populações que sabemos estarem sob stress.”

Num estudo diferente mas também apresentado no mesmo encontro, investigadores ensinaram ratos a temer um som aplicando um choque eléctrico sempre que este soava. A equipa, liderada pelo neurocientista Matthew Young, do Centro Nacional de Investigação de Primatas em Atlanta, Georgia, injectou, de seguida, os animais com moléculas da superfície de bactérias para desencadear uma resposta imunitária.

Doze horas depois, os cientistas testaram os animais relativamente à sua reacção ao som e descobriram que os ratos injectados agiram de forma mais temerosa que os do grupo de controlo.

“É extremamente intrigante”, diz Bill Deakin, neurocientista na Universidade de Manchester, Reino Unido. Ele está a iniciar um teste clínico onde 200 pessoas com esquizofrenia irão receber o antibiótico minociclina, que bloqueia a inflamação no cérebro, para determinar se o tratamento minora a redução da matéria cinzenta que está associada à doença. Um estudo em pequena escala revelou que este tratamento minorava os sintomas da doença.

Deakin espera que o tratamento de pessoas com risco genético de esquizofrenia, ou das que revelam os primeiros sinais de psicose, possa reduzir os sintomas da doença quando esta se desenvolver: “Todas estas pequenas pistas parecem apontar para isso”, diz ele.

 

 

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