2015-06-10

Subject: Surto sul-coreano de MERS destaca falta de investigação

Surto sul-coreano de MERS destaca falta de investigação

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@ Nature/JUNG YEON-JE/AFP/Getty Images

O mundo está de olho na Coreia do Sul à medida que o mais recente surto de Síndroma Respiratório do Médio Oriente (MERS) se desenrola mas exactamente de que forma o vírus dá o salto para o Homem continua desconhecida e as pistas para a solução desse puzzle estão a milhares de quilómetros de distância.

O grupo de casos associados a instalações hospitalares na Coreia do Sul, o maior surto de MERS fora do Médio Oriente, já matou 7 pessoas e infectou 95, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apesar de o coronavírus na sua origem, o MERS-CoV, ser considerado uma potencial ameaça pandémica, os especialistas esperam que as autoridades coreanas controlem rapidamente este surto.

Um desafio muito maior que a resposta de emergência, dizem eles, é como impedir que o MERS de ser transmitido de animais para pessoas no Médio Oriente, onde é endémico nos camelos. “O foco da nossa atenção, que tem sido a Coreia do Sul, devia ser a Arábia Saudita”, diz David Heymann, investigador na Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres e presidente da Public Health England, com o objectivo de acabar com os casos que continuam a desencadear estes surtos logo na fonte.

Desde que foi detectado pela primeira vez na Arábia Saudita em 2012, o MERS-CoV infectou cerca e 1200 pessoas em todo o mundo, aproximadamente 450 das quais morreram, segundo a OMS. Pensa-se que originalmente o vírus provém dos morcegos e salta para os humanos através de um intermediário, como os camelos.  

O vírus não se propaga facilmente entre humanos, em parte porque infecta áreas profundas dos pulmões e não é lançado para o exterior através da tosse. A maioria das infecções humanas são, no entanto, o resultado de propagação pessoa a pessoa, que pode ocorrer em hospitais quando certos procedimentos médicos se combinam com um fraco controlo da infecção para disseminar o vírus. 

Há sempre uma hipótese de o vírus se espalhar, pode adquirir mutações que lhe permitam propagar-se mais facilmente entre humanos mas o ministro da saúde coreano anunciou ter sequenciado o vírus do actual surto e confirmado que era praticamente igual aos do Médio Oriente. 

A corrente de novos casos na Coreia do Sul pode dar a impressão de que a doença está fora de controlo mas todos os casos relatados até agora têm claras rotas de transmissão a partir da infecção inicial, diz Ian Lipkin, especialista em surtos na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque. O país está agora a seguir e isolar de forma rigorosa os contactos dos infectados e a implementar controlos rígidos de infecção nos hospitais. Se surgissem casos fora dos hospitais seria preocupante mas isso não está a acontecer, diz Lipkin.

No Médio Oriente, no entanto, o vírus continua a saltar de camelos para homens e a originar surtos hospitalares. Heymann, que em 2003 liderou o esforço global para conter o Síndroma Respiratório Severo Agudo (SARS), diz que as autoridades do Médio Oriente deviam fazer mais para investigar de que forma as pessoas contraem a doença dos camelos.

Esses estudos envolveriam investigar as actividades recentes dos infectados e descobrir se, por exemplo, se tinham tido contacto com cadáveres animais ou com os seus líquidos corporais, se tinham consumido fluidos como leite ou urina de camelo ou se tinham estado perto de colónias de morcegos. 

“É frustrante que todos os casos de infecções animais não tenham sido devidamente investigados”, diz Peter Ben Embarek, líder da equipa MERS da OMS. Um obstáculo é cultural pois os sauditas tendem a evitar discutir o que consideram os seus assuntos privados, diz ele.

O surto coreano certamente que irá pressionar os países do Médio Oriente para acelerarem a investigação e o controlo do MERS, considera Drosten.

Outro mistério importante é razão porque não foram detectados casos humanos em países africanos com vastas populações de camelos: a Somália tem 7 milhões de camelos e o Quénia 3 milhões, o que torna, comparativamente, pequena a população saudita de 260 mil destes animais. “O MERS circula nos camelos em muitas partes de África", diz Ben Embarek, “logo, nesse aspecto, é o mesmo que no Médio Oriente.” 

Uma possibilidade é que os casos humanos estejam a passar despercebidos devido à fraca vigilância, outra é esses casos serem menos prováveis ou menos severos em África pois o MERS apenas causa problemas em pessoas portadoras de doenças associadas ao estilo de vida moderno, como a diabetes, que são comuns na Arábia Saudita.

 

 

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