2015-06-09

Subject: Surto sul-coreano de MERS não é ameaça global

Surto sul-coreano de MERS não é ameaça global

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@ Nature/NIAID/CDCO mundo está a seguir atentamente o maior surto do Síndroma Respiratório do Médio Oriente (MERS, de acordo com as iniciais em inglês) à medida que este continua na Coreia do Sul.

Segundo os números mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), 41 pessoas foram infectadas, quatro das quais morreram. 

O agente causador da doença, o coronavírus MERS-CoV, é um dos muitos vírus considerado uma potencial ameaça de pandemia mas os peritos não consideram este surto, em que todos os casos estão associados a hospitais, como o início de uma potencial pandemia e nem esperam que se propague para além da Coreia do Sul e eis algumas razões que o justificam.

O MERS-CoV não é um vírus humano

Para que um dado vírus se torne pandémico tem que ser capaz de se propagar com facilidade de pessoa a pessoa mas o MERS-CoV, que foi detectado pela primeira vez na Arábia Saudita em 2012, é primariamente um vírus de animais. Pensa-se que terá tido origem em morcegos e ocasionalmente salta para humanos através de intermediários animais, provavelmente camelos. 

O vírus pode ocasionalmente espalhar-se entre pessoas, tal como acorreu na Coreia do Sul, mas apenas em ambiente hospitalar (mais detalhes abaixo), ou, em menor grau, em casas onde há pessoas a cuidar de um paciente infectado em contacto próximo. 

O surto actual foi desencadeado por um homem sul-coreano com 68 que voou de regresso a Seul a 4 de Maio, depois de visitar quatro países do Médio Oriente. Antes de ser diagnosticado, ele propagou o vírus à família, prestadores de cuidados de saúde e outros pacientes nas quatro unidades de cuidados de saúde onde foi tratado. 

Para se tornar pandémico, o MERS-CoV precisaria de sofrer mutações que o habilitassem a propagar-se facilmente entre humanos na comunidade em geral mas a informação epidemiológica mostra que o surto sul-coreano não é invulgar.

O MERS-CoV propaga-se essencialmente em hospitais

Apesar de o MERS-CoV não ser considerado um vírus humano, há um local onde por vezes se comporta como um: os hospitais. Nestes ambientes, os procedimentos médicos usados num paciente não diagnosticado, como por exemplo as ajudas à respiração, podem originar aerossóis dos pulmões que contaminam a área e infectam as pessoas na sua vizinhança com o vírus.

De outra forma, o MERS-CoV que infecta as zonas mais profundas do pulmão, não é lançado para o exterior pela tosse. Neste surto, a origem desenvolveu sintomas semelhantes aos da gripe e tosse a 11 de Maio mas apenas foi diagnosticado e isolado a 20 de Maio. Isto criou uma janela de oportunidade em que não houve precauções de controlo de infecção, o que explica a transmissão da infecção. O facto de o paciente ter sido tratado em quatro unidades de saúde diferentes antes de diagnosticado multiplicou o risco de infecção.

A Coreia do Sul está a fazer um trabalho fantástico

Como se propaga de forma deficiente entre pessoas, o MERS-CoV pode ser controlado com medidas de saúde pública, que as autoridades sul-coreanas estão a implementar de forma agressiva. As autoridades têm sido excepcionalmente rigorosas a seguir todas as pessoas infectadas e a monitorizá-las durante 14 dias, o período máximo de incubação da doença, e todos que revelaram sintomas foram isolados.

Até agora, todos os casos estão entre os contactos listados, somando confiança de que o surto está sob controlo. Todos os dias há novos casos relatados mas não representam nova propagação do vírus pois fazem parte dos mais de 1600 contactos dos já infectados antes de o MERS-CoV ter sido diagnosticado na Coreia do Sul.

A MERS não é a SARS

Ao longo dos últimos dias alguns recordaram o Síndroma Respiratório Severo Agudo (SARS), que varreu o globo em 2003. Mesmo esse surto foi controlado mas foi diferente do MERS num aspecto muito importante: o coronavírus que causou o SARS tinha desenvolvido a capacidade de se propagar entre pessoas mais facilmente que o MERS, algo que o MERS-CoV não fez. 

Mas poderá o MERS-CoV evoluir da mesma forma? Os vírus são imprevisíveis logo a possibilidade existe. Como sempre se faz, o vírus está a ser seguido em busca dessas alterações genéticas mas dado que não há nada de extraordinário no padrão de propagação do surto sul-coreano, não há necessidade de evocar essa evolução.

Este surto não é assim tão grande

Este surto pode ser o maior fora do Médio Oriente mas não excepcional em dimensão. Um surto em Jeddah, Arábia Saudita, durante a Primavera de 2014 resultou em 255 infectados e um conjunto de infecções em 2013 num hospital em Al-Hasa, resultaram em 23 casos confirmados e 11 suspeitos. Dúzias de outros surtos hospitalares ocorreram na Arábia Saudita, levando a novas medidas de controlo de infecção. O número de infectados também deve estar inflacionado por as autoridades terem sido tão rigorosas nos testes ao vírus que detectaram muitos casos suaves que teriam passado despercebidos noutros surtos.

 

 

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