2015-06-06

Subject: Intrigante 'pausa' no aquecimento global foi ilusão

Intrigante 'pausa' no aquecimento global foi ilusão

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@ Nature/MODIS Atmosphere Science Team/Reto Stockli, NASA's Earth Observatory

A aparente pausa no aquecimento global pode muito bem não passar de uma miragem temporária, de acordo com uma recente análise: as temperaturas globais médias continuaram a subir ao longo da primeira parte do século XXI, relatam os investigadores na última edição da revista Science.

Essa descoberta, que contradiz o relatório de 2013 do painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), baseia-se numa actualização dos registos de temperaturas globais mantidos pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. A versão anterior da base de dados da NOAA tinha revelado um aquecimento menor durante a primeira década do milénio.

Os investigadores reviram a base de dados da NOAA para corrigir desvios conhecidos nos registos da temperatura da superfície do mar e incorporar dados de novas estações de monitorização terrestres que se estendem pelo Árctico, uma zona onde as observações são escassas. A base de dados actualizada da NOAA também inclui observações de 2013 a 2014, sendo este último o ano mais quente de que há registo.

“O essencial é que o IPCC relatou que a taxa de aquecimento foi menor nos últimos 15 anos do que nos anteriores 30 a 60 anos”, diz Tom Karl, autor principal do estudo e director dos Centros Nacionais para a Informação Ambiental em Asheville, Carolina do Norte. “De acordo com os nossos dados, isso já não é válido.”

A análise segue-se a vários artigos que tentavam explicar a razão porque as temperaturas globais pareciam ter nivelado por volta da mudança de milénio. O registo actualizado das temperaturas da NOAA ainda revela condições observadas mais frias do que as projectadas pela maioria dos modelos climáticos para o mesmo período mas Karl diz que a tendência de aquecimento é clara até ao final de 2014. Isso é verdade mesmo que os investigadores escolham 1998, onde houve calor extremo associado aos padrões climáticos El Niño no Pacífico tropical, como início da análise.

“Tom Karl fez um trabalho sólido mas na realidade apenas confirmou o que já se sabia”, diz Michael Mann, climatólogo na Universidade Estadual da Pensilvânia em University Park. “Não há verdadeira pausa ou hiato no aquecimento.”

A maior alteração aos registos da NOAA surge da correcção das leituras das temperaturas da superfície do oceano, para ter em conta as diferenças nas medições de navios e bóias. Há muito que os cientistas sabem que os navios registam temperaturas ligeiramente mais elevadas que as bóias que operam na mesma localização. O influxo de dados de uma expansão de bóias durante as últimas duas décadas reduziu a aparente taxa de aquecimento do oceano e a NOAA veio agora ajustar este efeito, de acordo com alterações semelhantes que o Met Office do Reino Unido fez ao seu registo global de temperaturas.

A base de dados da NOAA já tinha sido antes modificada para ter em conta uma alteração na forma como os navios medem as temperaturas do oceano. Depois da Segunda Grande Guerra, os navios começaram a monitorizar directamente a água do mar através de recolha motorizada, em vez de amostragem com baldes. A equipa de Karl ajustou os dados para ter em conta a nova informação, sugerindo que alguns navios continuassem a realizar medições com baldes.

Finalmente, os investigadores fizeram uso de uma nova base de dados de leituras terrestres, o que mais de duplicou o número de estações disponíveis para a NOAA. Também estendeu a cobertura mais para o interior do Árctico, que aqueceu mais rapidamente do que o resto do globo nas últimas décadas.

Juntando tudo, a equipa de Karl descobriu que as temperaturas globais subiram a uma taxa de 0,116°C por década de 2000 a 2014, comparada com a taxa de 0,113°C de 1950 a 1999. Karl diz que a taxa provavelmente vai subir quando a sua equipa calcular a subida de temperatura para a totalidade do árctico em rápido aquecimento. Os investigadores descobriram em 2013 que falhas nas observações no Árctico arrefeceram artificialmente o registo de temperaturas do Met Office.

O último estudo apenas resolveu parte da questão: os modelos climáticos usados pelo IPCC ainda projectam que o aquecimento continue mas os cientistas documentaram vários factores que os modelos não tiveram em conta, o que resultou na supressão de temperaturas. Essas contribuições incluem fraca irradiação solar, aerossóis vulcânicos que bloqueiam a luz solar e a circulação oceânica.

“Uma vez que tenhamos em conta os ligeiros erros, a ocorrência real dos El Niños, etc., há muito pouco que precise de explicação”, diz Gavin Schmidt, director do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque.

 

 

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