2015-06-04

Subject: Misteriosa mortandade desencadeia corrida para salvar a saiga

Misteriosa mortandade desencadeia corrida para salvar a saiga

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@ Nature/Sergei Khomenko/FAO

Perto de metade da população mundial do criticamente ameaçado antílope saiga Saiga tatarica parece ter desaparecido numa recente mortandade. As autoridades do Cazaquistão, onde vivem os animais, aperceberam-se de um pico de mortes em meados de Maio e as perdas rapidamente alcançaram mais de 120 mil animais no total. O que poderá estar a matá-los?

Afinal o que é uma saiga?

A saiga é um antílope nómada que vive em grandes manadas com, por vezes, milhares de indivíduos nas estepes e desertos semi-áridos da Ásia central. O registo fóssil revela que o seu território ancestral se estendia do Reino Unido ao Alasca mas nos últimos séculos foram reduzidos a quatro populações discretas: uma no sudoeste russo em Kalmykia e três no Cazaquistão. Há uma população na Mongólia mas de uma subespécie diferente (S. tatarica mongolica).

Até que ponto são significativas as perdas mais recentes?

É sabido que as saigas têm tendência a sofrer deste tipo de mortandade até agora inexplicável. Geralmente estas mortandades ocorrem quando as fêmeas se juntam para dar à luz na Primavera. Em 1984, um desses eventos nas montanhas Urais resultou na perda de mais de 100 mil animais, ou seja, 67% da população local. Já houve vários outros eventos de menor escala nos anos 2000 mas o deste ano na região de Betpak-Dala do Cazaquistão é mais significativo pois estão a morrer manadas inteiras.

“Toda a minha carreira trabalhei com doenças veterinárias e nunca assisti a 100% de mortalidade", diz Richard Kock, veterinário de fauna selvagem na Faculdade Real de Veterinária em Hatfield, Reino Unido, que voou para o Cazaquistão para ajudar nos esforços para compreender a devastação. “Tínhamos uma manada de 60 mil saigas e morreram todas, é extraordinário.”

Já sabemos o que causa estas mortandades?

Ninguém recolheu dados detalhados sobre os eventos anteriores logo não há forma de lidar com a questão mas desde a mortandade de 2010 as autoridades locais, apoiadas pela convenção das Nações Unidas sobre espécies migratórias, têm desenvolvido a sua capacidade de recolha, processamento e análise de amostras: “Conseguimos realizar necrópsias completas a 50 saigas”, diz Kock.

É improvável que a causa seja um agente infeccioso transmitido de animal para animal: “Epidemiologicamente não se consegue que uma doença transmitida rectamente mate uma população inteira em sete dias”, diz Kock. “Eu diria que deve ser uma doença polimicrobiana." Pode envolver géneros como a Pasteurella e a Clostridia, que frequentemente estão presentes no corpo mas aproveitaram uma oportunidade para se descontrolarem.

Os agentes patogénicos  podem ter sido responsáveis pelas mortes mas algo deve ter levado as saigas a tornarem-se as suas vítimas. Dado que duas sub-populações distantes300 km foram atingidas da mesma forma e ao mesmo tempo, parece provável que um factor ambiental faça parte da historia.

Por que razão este trabalho é tão importante?

Com a compreensão da constelação de factores que provavelmente está por trás desta mortalidade em massa, pode ser possível evitar estes eventos no futuro. “Esta é a primeira vez que podemos obter um bom diagnóstico”, diz E. J. Milner-Gulland, biólogo da conservação no Imperial College de Londres e presidente da Aliança para a Conservação da Saiga.

Isto é importante pois uma mortalidade a esta escala pode dizimar manadas inteiras. De certo modo, é uma sorte que tenha sido a população de Betpak-Dala a ser atingida desta vez: “É a maior população e deve conseguir aguentar-se, todas as outras já estão a níveis tão baixos que podiam desaparecer no espaço de uma semana", diz Milner-Gulland.

E porquê que as saigas estão em apuros tão grandes?

No final do século XIX, caça em larga escala levou a espécie ao limiar da extinção. Houve alguma recuperação durante o século XX mas o final da União Soviética conduziu a um novo e dramático colapso. A pobreza rural, um mercado chinês desejoso de carne e chifres e pouco policiamento ou gestão, a população local abateu as saigas em números assombrosos. “A conjugação desses 3 factores levou a um declínio de 95% no período de 10 anos”, explica Milner-Gulland.

Devido a este declínio precipitado a saiga está listada como criticamente ameaçada na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Na última contagem, publicada a Abril de 2014, a população global estava nos 262 mil animais, mais 200 mil que o seu ponto mais baixo no início dos anos 2000. Muito desse aumento devia-se ao crescimento da população que está agora a ser devastada.

 

 

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