2015-06-02

Subject: Cientistas italianos vilipendiados por morte de oliveiras

Cientistas italianos vilipendiados por morte de oliveiras

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@ Nature/Donato Boscia

Não esperavam ser aplaudidos como heróis, dizem os cientistas que investigam uma bactéria mortal nos olivais de Puglia, Itália, mas certamente não esperavam ser considerados vilões.

No último ano, botânicos de vários institutos de Bari, capital da região de Puglia, viram o seu trabalho e motivações criticados pelos locais e, mais recentemente, foram sujeitos a uma investigação policial sob a acusação de serem responsáveis pela introdução da bactéria Xylella fastidiosa em Puglia ou de, pelo menos, terem permitido a sua propagação.

“Só queríamos poder fazer o nosso trabalho em paz, sem suspeitas e sem stress”, diz Donato Boscia, chefe da unidade de Bari do Instituto CNR para a Protecção Sustentável de Plantas (IPSP).

“Os cientistas de Puglia trabalham sem descanso há 2 anos no surto de Xylella”, acrescenta Rodrigo Almeida, perito em Xylella na Universidade da Califórnia, Berkeley. “A sua recompensa tem sido serem constantemente atacados, nem imagino como se devem sentir.”

A Xylella é endémica em zonas das Américas, incluindo a Costa Rica, Brasil e Califórnia, mas, até agora, não tinha surgido na Europa. Isso mudou em Outubro de 2013, quando os cientistas do IPSP e da Universidade de Bari identificaram a bactéria como a causa de um surto de uma doença invulgar em oliveiras. O surto ficou imediatamente sujeito a regras da União Europeia (UE) para limitar a sua propagação e os cientistas locais iniciaram um esforço sistemático para compreender e conter a doença, tendo acabado por demonstrar que a bactéria era transportada por insectos conhecidos por cigarrinhas.

Desde o início que os agricultores e ambientalistas italianos contestaram as medidas de contenção, que envolvem o arrancar das árvores e a aplicação de pesticidas nos olivais. Mas os problemas para os cientistas começaram em Abril de 2014, quando foram acusados de terem trazido a bactéria da Califórnia para um curso sobre Xylella no Instituto Agronómico Mediterrânico de Bari (IAMB) em 2010.

Os cientistas consideram esta sugestão ridícula pois a estirpe de Puglia é diferente das usadas no workshop e a teoria mais aceite é que a infecção terá sido importada com plantas ornamentais vindas da Costa Rica, onde a estirpe endémica de Xylella corresponde à de Puglia.

No entanto, as queixas desencadearam uma investigação pelo procurador público local: em Março, a procuradora Elsa Valeria Mignone, deu a entender numa entrevista que estavam a analisar teorias de que a bactéria tivesse sido deliberadamente introduzida ou que se tivesse desenvolvido tanto por os peritos agrícolas não terem monitorizado adequadamente a zona (deliberadamente ou por negligência). Mignone também alegava estar preocupada com a influência corruptora de negócios como o da energia solar, que poderiam vir a lucrar com o abate dos olivais.

Mas os cientistas de Puglia também têm que enfrentar a crítica pública. Vários blogs populares dedicados à emergência da Xylella lançaram dúvidas sobre a forma de trabalhar dos cientistas e os seus resultados, dizendo, por exemplo, que existe um tratamento que está a ser escondido.

A Peacelink, uma organização não governamental italiana, escreveu aos comissário europeu para a saúde referindo que não estava provado que a Xylella fosse a responsável pelo surto e que a morte das oliveiras se devia a um fungo que podia ser eliminado sem destruir as árvores. Um painel da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar desmontou estas sugestões num relatório publicado em Abril.

“É frustrante ouvir tanta crítica quando se está a prestar um serviço público”, diz Anna Maria D’Onghia, chefe da divisão de gestão de pragas do IAMB, que também foi interrogada pela polícia. “Estamos sempre a ser atacados por não fazermos o suficiente ou por fazermos algo errado.”

Boscia considera que “as tentativas para retirar legitimidade aos resultados da investigação científica” têm sido piores que as investigações policiais mas nem tudo é mau para os cientistas de Puglia. A 27 de Maio o governo regional anunciou um fundo de €2 milhões para projectos que possam ajudar no diagnóstico, epidemiologia e monitorização da bactéria.

Para isso, uma zona de contenção na província de Lecce, onde a bactéria é agora endémica o que torna a erradicação completa impossível, será usada como um laboratório Xylella ao ar livre. As agências europeias de investigação também prometeram dinheiro, diz Boscia. “O laboratório exterior será perfeito para todos nós e até permitirá aos críticos colocarem as suas próprias teorias em campo.”

 

 

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