2015-06-01

Subject: Investigação do Alzheimer inspira-se nos priões

Investigação do Alzheimer inspira-se nos priões

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@ Nature/Simon Fraser/Science Photo Library

A capacidade dos priões para provocar um leque de perturbações cerebrais degenerativas pode ajudar a resolver um puzzle da investigação do Alzheimer, a razão porque algumas vezes mata em apenas alguns anos mas geralmente provoca um lento declínio que pode durar décadas.

Ao adoptar ferramentas usadas para estudar os priões PrP, os investigadores descobriram variações na forma de uma proteína envolvida no Alzheimer que pode influenciar o grau de danos que provoca no cérebro.

No encontro sobre priões de 2015 que decorreu em Fort Collins, Colorado, o neurocientista Lary Walker descreveu a forma como usou uma técnica da investigação de priões para estudar diferentes estirpes da proteína β-amilóide, que se acumula nos cérebros de pacientes com Alzheimer. Pode ser que as diferenças entre as estirpes sejam responsáveis pelas variações nos sintomas da doença e pela sua taxa de progressão. “O campo do Alzheimer não tem prestado atenção suficiente ao que está a passar-se no campo dos priões", diz Walker, da Universidade Emory em Atlanta, Georgia.

Semelhanças entre doenças raras causadas por priões e doenças neurodegenerativas vulgares, como o Alzheimer, foram detectadas há décadas: pensa-se que ambas envolvem proteínas do sistema nervoso que mudam de forma e se agrupam. Nas doenças de priões, uma proteína com a configuração errada, muitas vezes estranha, induz mal formações em cascata na proteína prião nativa no cérebro do paciente. No Alzheimer, proteínas tau e β-amilóide acumulam-se no interior e em redor dos neurónios, ainda que o que desencadeia esse processo, e o papel desses depósitos na doença, não seja claro.

Alguns sugeriram que estes nódulos se desenvolvem da mesma forma que nas doenças de priões, começando com uma única 'má semente' proteica. Ao longo dos últimos anos, vários artigos mostraram que as proteínas tau e β-amilóide mal configuradas podem propagar-se no cérebro de ratos da mesma forma que as PrP.

Mas as doenças elas próprias não são idênticas. O Alzheimer é geralmente marcado por uma progressão gradual de demência, perda de memória e alterações de personalidade. As doenças de priões tendem a progredir muito mais rapidamente e apesar de todas serem causadas pela mesma proteína, as suas características variam largamente. A Kuru, uma doença descoberta entre o povo canibal de uma ilha do Pacífico, provoca, entre outros sintomas, riso e tremor incontroláveis, enquanto a insónia familiar fatal mata essencialmente por privar o paciente de sono. Pensa-se que as diferenças na forma como as doenças de priões se manifestam dependam da alteração da forma que a PrP danificada assuma.

Essa observação levou os investigadores a considerar se diferenças semelhantes na conformação da tau e da β-amilóide poderiam explicar as diferenças na forma como o Alzheimer se desenvolve e a velocidade com que progride. Uma análise publicada já este ano revelou que a condição do paciente se agravava mais rapidamente se as suas placas assumissem uma determinada forma em resultado de um excesso de uma forma de β-amilóide, a β42-amilóide.

No encontro do Colorado, Walker apresentou o estudo de um caso de um paciente com Alzheimer cujo cérebro revelou na autópsia estar minado de placas β-amilóide, como seria de esperar. No entanto, as placas eram surpreendentemente insensíveis a uma molécula de diagnóstico tipicamente usada para as detectar.

Tirando partido dos compostos luminescentes que têm sido usados para isolar priões, Walker mostrou que os agregados proteicos do paciente tinham uma arquitectura invulgar que os tornava invisíveis à técnica de diagnóstico. Outros grupos de investigação estão a recolher evidências de estirpes de β-amilóide usando técnicas de ressonância magnética nuclear ou aplicando protocolos para priões para sondar se existem diferentes estirpes de tau.

“Antes, as pessoas dedicaram muita conversa à ideia de que um modelo prião seria útil mas agora estão a fazer trabalho muito mais sério com isso”, diz Glenn Telling, investigador de priões na Universidade Estadual do Colorado em Fort Collins e um dos organizadores do encontro.

Mas mesmo os entusiastas alertam para o facto de ser muito cedo para tirar conclusões sobre o significado clínico da descoberta de diferentes estirpes de placas de Alzheimer. Alguns temem a associação entre doenças neurodegenerativas e de priões, especialmente quando a biologia dos priões ainda está tão mal compreendida. Considerar conjuntamente as doenças de priões e não priões “pode dar a ideia errada de que se pode apanhar Alzheimer ao visitar a nossa avó", diz Virginia Lee, que trabalha com doenças neurodegenerativas na Universidade da Pensilvânia em Filadélfia. “Não há qualquer evidência de que isso seja possível e seria algo muito perigoso de insinuar.”

 

 

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