2015-05-29

Subject: Necessários grandes compromissos para alcançar metas de emissões de carbono

Necessários grandes compromissos para alcançar metas de emissões de carbono

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@ Nature/M. R. Raupach et al. Nature Clim. Change 4, 873–879 (2014

O caminho para Paris está pejado de promessas: ao aproximarmo-nos da cimeira climática das Nações Unidas na capital francesa em Dezembro, os países estão a apresentar promessas para limitar as suas futuras emissões de carbono.

Com a sessão preliminar a decorrer no início de Junho em Bona, Alemanha, já é claro que essas promessas são insuficientes para se alcançar o objectivo das Nações Unidas de limitar as subidas futuras de temperatura a 2°C acima dos níveis pré-industriais. É difícil dizer quais os países que precisam de fazer mais mas num esforço para avançar esse processo, os cientistas climáticas começaram a avaliar de forma independente as promessas, descobrindo que para que a meta fosse alcançada em Paris, seriam necessários compromissos políticos irrealistas.

O cenário é claro: com base nas promessas feitas até agora, as temperaturas médias globais devem subir cerca de 3°C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Para que haja uma hipótese razoável de alcançar a meta dos 2°C, os países teriam que fortalecer as suas promessas para limitar todas as emissões futuras de gases de efeito de estufa ao equivalente de cerca de 1 trilião de toneladas de dióxido de carbono.

“Uma vez que se diz que não se está a fazer o suficiente, surge a questão 'quem deve fazer mais?'", diz Joe Aldy, economista na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, e antigo assistente especial para a energia e o ambiente do presidente americano Barack Obama.

“Esta questão de avaliar estas metas nacional é importante e é um campo em que a ciência pode ajudar”, diz Niklas Höhne, parceiro fundador do NewClimate Institute em Colónia, Alemanha. “Mas a equidade e a justiça são conceitos que dependem muito da interpretação de cada um, o que é justo para um, não o é para outro.”

O NewClimate Institute faz parte de um consórcio de investigação que produz o Climate Action Tracker, uma avaliação abrangente das promessas feitas até agora. Usando literatura revista por pares como fonte, classifica as promessas com base da sua proximidade em alcançar o mundo da meta dos 2°C se todos os países adoptassem standards semelhantes.

Os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e a China obtêm uma classificação média do Climate Action Tracker, o que significa que o seu nível de compromisso, se adoptado globalmente, provavelmente levaria a mais de 2°C de aquecimento. Numa promessa feita a 31 de Março, os Estados Unidos referiram pretender reduzir as suas emissões pelo menos 26% abaixo dos níveis de 2005 até 2025. A China não submeteu uma promessa oficial mas em Novembro referiu começar a reduzir as suas emissões por volta de 2030, o mesmo ano em que a UE tenciona cortar as emissões em 40% abaixo dos níveis de 1990.

O Canadá, que prometeu em Maio reduzir as suas emissões 30% abaixo de 2005 até 2030, recebeu uma classificação de inadequada, o que significa que a sua aplicação global levaria a um aquecimento de 3 a 4°C ou mais.

Os critérios para a avaliação destas promessas são cruciais. Num hipotético acordo, o aquecimento podia ser limitado aos 2°C atribuindo quotas das restantes emissões entre os países mas métodos diferentes podem ser usados para isso: as proporções de cada país seriam diferentes dependendo de serem distribuídas com base em emissões per capita, por dólar de PIB ou como actualmente são feitas (ver imagem acima).

De modo geral, os países em desenvolvimento defendem que os responsáveis por uma quota histórica maior de emissões devem ter uma quota menor nas emissões futuras, enquanto os países desenvolvidos alegam que a maior parte das emissões futuras terão origem nos países em desenvolvimento, que terão que suportar a sua parte.

Glen Peters, do Centro de Investigação para o Clima Internacional e Ambiente em Oslo, analisou as promessas dos Estados Unidos, UE e China, revelando que, de acordo com os cenários de quotas propostos, os americanos e os europeus ficariam com uma grande proporção das emissões futuras para alcançar a meta dos 2°C, deixando os países em desenvolvimento com uma quota relativamente pequena.

Certamente os países pobres seriam contra esse plano, pois querem crescer e usar a energia fóssil barata como ferramenta legítima para tirar os seus cidadãos da pobreza. Apesar de ainda não ter apresentado a sua promessa, a Índia, por exemplo, referiu que não tenciona limitar as suas emissões de CO2 até que tenham subido aos níveis médios globais de 5,1 toneladas per capita, a partir dos actuais 1,9 toneladas per capita.

E há a China. Actualmente é responsável por 27% das emissões globais de CO2 e as suas emissões per capita são 6% mais altas que as da UE. Os cálculos de Peters mostram que as reduções de emissões exigidas à China seriam tão drásticas que são politicamente irrealistas: mesmo nos termos mais suaves, teria de parar as suas emissões em crescimento acelerado já este ano e reduzi-las praticamente a zero até 2050. A essa luz, Peters considera que os cientistas climáticos precisam de se focar mais na viabilidade política.

A China e a Índia emitiram um comunicado conjunto a 15 de Maio onde se apelava aos países desenvolvidos para fazerem cortes maiores nas emissões antes de 2020, quando um acordo de Paris entrará em vigor. O comunicado também pediu aos países desenvolvidos que honrem o seu compromisso de fornecer US$100 mil milhões por ano em ajudas até 2020 aos países pobres para se adaptarem ao aquecimento e reduzirem emissões.

 

 

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