2004-07-07

Subject: Quando morrem as baleias afinal?

News of the Wild

 

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Quando morrem as baleias afinal? 

 

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Um cientistas norueguês reacendeu a controvérsia sobre a forma de ter a certeza de que uma baleia arpoada está realmente morta. Os critérios actuais são baseados na falta de movimento e o tempo que tal demora é precisamente o centro do debate acerca da alegada crueldade da caça à baleia.

Os grupos de defesa dos animais consideram que os métodos de arpoamento são muito pouco eficientes e algumas baleias sofrem longas e agonizantes mortes, mas a doutora Siri Knudsen argumenta que os testes actuais podem estar a sobrestimar o tempo que os animais demoram a morrer.

Baleia MinkeKnudsen relatou para o Veterinary Journal que os dados disponíveis sugerem que os arpões explosivos desenvolvidos pelos baleeiros noruegueses, bem como o treino especializado que recebem para os utilizar, permitem obter um processo de abate bem mais eficaz que muitos admitem. 

Em Março deste ano, uma coligação de 140 grupos conservacionistas realçou o que consideravam métodos inumanos usados pelos baleeiros para matar os animais. A coligação, conhecida por Whalewatch, tem vindo a exercer pressão sobre a Comissão Internacional de Caça à Baleia para que termine toda a caça à baleia, comercial e científica.

No entanto, 3 membros da Comissão, Japão, Noruega e Islândia, continuam a matar baleias de acordo com as regras da organização. Usam arpões fabricados para explodir no interior do corpo da baleia, desenvolvidos após muitos anos de discussão sobre quanto tempo levavam os chamados "arpões frios" a matar um animal caçado.

Os critérios usados pela Comissão desde 1980 para determinar a morte das baleias dependem de observações, nomeadamente o fim de movimentos ou o tombar da mandíbula ou barbatanas. 

Um estudo em pequena escala realizado na Noruega considerou que a morte ocorria instantaneamente em cerca de 20% dos casos, nos restantes continuava a existir movimento aparente durante vários segundos ou mesmo minutos após o arpoamento.

Na opinião da doutora Knudsen, muitos dos animais que se moviam após a detonação da ponta do arpão também já estariam mortos, pois o seu estudo mostra que a onda de choque resultante da granada na cabeça do arpão causava danos cerebrais traumáticos. Assim, Knudsen, investigadora da Norwegian School of Veterinary Science, argumenta que os reflexos da medula espinal podem estar a causar os movimentos das baleias bem para além dos animais perderem a consciência. 

Para apoiar a sua teoria, Knudsen apresenta observações científicas de focas, que deslocam a cabeça, abrem as bocas e arqueiam o dorso bem para além da destruição total dos seus cérebros. 

 

Knudsen pede novos estudos post-mortem de cérebros de baleia para determinar a incidência de danos cerebrais traumáticos em animais mortos por navios baleeiros. Segundo ela, estes estudos podem aumentar o rigor do tempo de morte das baleias. 

No entanto, rejeita estudos que recorressem a equipamento técnico, como EEG para testes de insensibilidade ou morte num animal, considerando-os impraticáveis e perigosos. 

Na maioria dos países, incluindo Canadá, Groenlândia, Islândia, Noruega, Rússia e Estados Unidos, a caça à baleia é feita a partir de pequenos barcos em águas polares. Os animais são muito grandes e não podem ser manuseados antes da morte, refere Knudsen. Testar os reflexos ou outros parâmetros fisiológicos destes animais nestas águas geladas, como tem sido repetidamente proposto, pode colocar vidas humanas em perigo.

O doutor Andy Butterworth, um investigador veterinário da Universidade de Bristol, considera que os estudos post-mortem propostos pela doutora Knudsen apenas iriam reduzir os tempos de morte, pois a ausência de danos cerebrais traumáticos não iriam necessariamente aumentar o tempo de morte. Uma descoberta de danos deste género irá certamente baixar esse mesmo tempo em animais que antes eram considerados ainda vivos devido ao movimento após o arpoamento.

Segundo ele, este tipo de abordagem à questão será provavelmente vista por alguns opositores à caça à baleia como uma tentativa discreta de alterar os dados. Isto ia colocar a definição de morte imediata nas mãos de um patologista ou de histologista, em vez de nas mãos de um veterinário presente no convés de um navio e a observar a morte do animal, explica. 

Butterworth refere que já existem dados que mostram que os métodos de abate aprovados pela Comissão Internacional de Caça à Baleia podem ser pouco eficazes. Um número significativo de baleias necessitaram de um método secundário de abate, geralmente uma espingarda de calibre elevado. 

A Comissão Internacional de Caça à Baleia vai realizar a sua reunião anual na cidade italiana de Sorrento agora em Julho. 

 

 

Saber mais:

The Veterinary Journal

Whale and Dolphin Conservation Society

Whalewatch

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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