2015-05-28

Subject: Ébola deixa lição difícil sobre investigação rápida

Ébola deixa lição difícil sobre investigação rápida

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@ Nature/Espen Rasmussen/Panos

Depois de terem falhado em fornecer novos tratamentos a tempo de combater a agora desvanecente epidemia de ébola na África ocidental, os peritos em saúde pública estão a planear testes clínicos mais rápidos durante surtos futuros.

“Estamos todos felicíssimos por estarmos a caminho de não haver casos”, diz a directora-geral assistente da Organização Mundial de Saúde (OMS) Marie-Paule Kieny, “mas a investigação e o desenvolvimento estão atrasados por um factor de meses, precisamos de ver o que pode ser feito para termos os produtos disponíveis mais rapidamente para outro surto.”

No encontro anual da OMS na semana passada em Genebra, Suíça, Kieny referiu que a organização esta a trabalhar num quadro para identificar agentes patogénicos que merecem investigação avançada. Esse quadro catalogaria o trabalho necessário para preparar potenciais tratamentos, vacinas e diagnósticos para testes em larga escala de eficácia no caso de um surto.

O plano, um rascunho do qual pode estar pronto no final do ano, também definirá de que forma os investigadores, companhias e agências de saúde deverão acordar na partilha de dados recolhidos em estudos financiados com fundos públicos.

Foi apenas em Março, um ano inteiro após o surto ter sido declarado, que os testes em larga escala dos candidatos a vacinas tiveram início. Alguns destes testes têm pouca probabilidade de chegarem ao fim pois agora os casos são agora demasiado raros: o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas americano, que está a testar uma vacina preventiva, estima que precisaria de alistar mais de 150 mil pessoas na Guiné para demonstrar que a vacina funciona.

Apesar dos testes de medicamentos e vacinas contra o ébola terem sido implementados a um passo alucinante quando comparados com os anos que normalmente se demora a organizar grandes testes clínicos, os investigadores por trás deles têm sido frustrados por atrasos. “Dissemos que tínhamos que conduzir estes testes durante este surto e falhámos em grande medida, o que é desesperadoramente desapontante”, diz Trudie Lang, investigador de saúde global na Universidade de Oxford, Reino Unido, que esteve envolvido nos testes clínicos de tratamentos para o ébola.

Preocupações semelhantes surgiram durante o surto do síndroma respiratório agudo de 2003–04 e na pandemia de gripe H1N1 de 2009. Depois de ambos os eventos, os investigadores conceberam planos de estudo que acelerassem testes futuros em surtos causados por agentes patogénicos respiratórios mas não houve um esforço semelhante para coordenar testes para doenças hemorrágicas como o ébola, que têm menor probabilidade de se propagar às nações mais ricas.

O quadro da OMS tem como objectivo aumentar o grau de preparação para a condução de testes para doenças que possam causar emergências de saúde global. Apesar de não ter sido decidido quais as doenças que estão nesta categoria, a febre de Lassa, a febre do Vale do Rift e o síndroma respiratório do Médio Oriente são bons candidatos.

Os atrasos no desenvolvimento de testes para tratamentos do ébola, dizem os investigadores, devem-se à falta de ligação entre as organizações que tratavam os pacientes e as que lideram os testes, à recusa de partilha de dados e a falhanços na realização de testes de eficácia e segurança que podiam ter sido feitos antes do surto.

“Precisamos de realizar os testes de fase I em humanos e ter uma pequena reserva, em vez de parar no estádio dos testes em animais", diz Sally Davies, perito em saúde pública em Inglaterra.

Os testes também se atrasaram devido a desacordos sobre ética e logística. Por exemplo, depois dos Médicos sem Fronteiras e investigadores da Universidade de Oxford terem organizado testes do medicamento brincidofovir que não incluíam grupos placebo, a Administração para a Alimentação e Medicamentos dos Estados Unidos forçou a realização de um teste aleatório que incluísse controlos não tratados. Eventualmente, o teste acabou por avançar sem um grupo de controlo.

Os bloqueios à partilha de dados também ocorreram a todos os níveis. O medicamento experimental ZMapp foi dado a um punhado de pacientes antes a reserva se esgotar em Agosto de 2014. Mas informação detalhada sobre as reacções do pacientes ao medicamento não foram publicadas, devido a receios de que isso impedisse os investigadores de publicar sobre estes casos. Da mesma forma, a farmacêutica Chimerix de Durham, Carolina do Norte, não revelou publicamente a razão porque retirou o seu apoio a um teste de brincidofovir no final de Janeiro, após quatro pacientes terem sido tratados mas Kieny diz que terá sido por falta de eficácia do medicamento.

A uma escala maior, a OMS não pode publicar informação epidemiológica abrangente pois os dados são propriedade dos países onde os casos ocorrem.

Kieny está a tentar persuadir os editores a concordar que os investigadores podem divulgar análises de dados de pacientes e laboratório durante emergências de saúde sem comprometer a sua capacidade de publicar posteriormente sobre isso. Ela também está a tentar engendrar um acordo com as agências financiadoras para que os dados de testes de segurança e eficácia realizados com fundos públicos sejam disponibilizados de forma generalizada durante surtos.

 

 

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