2015-05-27

Subject: Morte de golfinhos no golfo do México associado a derrame da Deepwater Horizon 

Morte de golfinhos no golfo do México associado a derrame da Deepwater Horizon 

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@ Nature/Julie Dermansky/Corbis

Mais de 1300 roazes-corvineiros deram à costa e encalharam no norte do golfo do México desde o início de 2010 e os investigadores vieram agora associar esta mortalidade invulgar ao derrame da Deepwater Horizon.

O pico nas mortes de golfinhos começou pouco antes do derrame em Abril de 2010 e os cientistas têm-se debatido para compreender se os dois acontecimentos estão relacionados. Um estudo publicado na revista PLoS ONE descobriu que muitos dos animais mortos tinham lesões pulmonares e nas glândulas supra-renais que são consistentes com a exposição a compostos petrolíferos.

Esse facto levou os autores do estudo a concluir que o derrame da Deepwater Horizon terá sido o motor da mortandade. O estudo soma-se a uma avaliação de 2011 dos golfinhos vivos em Barataria Bay, Louisiana, que revelou perturbações pulmonares e supra-renais generalizadas, bem como mau estado de saúde no seu todo. O derrame, que teve início com a explosão da plataforma de extracção da BP, provocou contacto prolongado e forte com petróleo na baía.

Neste último estudo, os investigadores analisaram amostras de tecidos do pulmão e das supra-renais de 46 golfinhos encontrados mortos no Louisiana, Mississippi e Alabama, áreas que sofreram níveis significativamente elevados de compostos de petróleo. A equipa comparou estes animais com um grupo de referência de 106 golfinhos que encalharam antes da mortandade começar ou de fora da área onde estes encalharam.

Os golfinhos que morreram na sequência do derrame da Deepwater Horizon tinham maior probabilidade de ter lesões pulmonares e nas supra-renais que os animais de fora da zona onde, diz Kathleen Colegrove, uma das autoras do estudo e patologista veterinária na Universidade do Illinois em Urbana–Champaign.

Outras diferenças também ficaram aparentes. Mais de um em cada cinco golfinhos do grupo da mortandade tinham pneumonia bacteriana, doença que contribuiu significativamente ou causou a morte de 70% destes animais. Pelo contrário, apenas 2% dos animais do grupo de referência tinham pneumonia.

“O que foi realmente impressionante para mim como patologista foi a severidade de algumas destas pneumonias”, diz Colegrove. “Eram as mais graves que eu ou outros patologistas envolvidos nesta investigação alguma vez vimos.”

Os golfinhos na zona afectada pela Deepwater Horizon também tinham maior probabilidade de ter um córtex supra-renal fino, o que aumenta o risco de morte e doença, especialmente em animais que já estão a lutar com infecções, expostos a baixas temperaturas ou grávidas. O problema foi observado num terço dos animais do grupo da mortandade, incluindo metade dos golfinhos de Barataria Bay.

“Os animais com disfunção supra-renal não tratada estão basicamente no fio da navalha, à espera que o factor de stress correcto os conduza a uma crise supra-renal, incluindo morte rápida por choque", diz Stephanie Venn-Watson, epidemiologista veterinária na Fundação Nacional de Mamíferos Marinhos em San Diego, Califórnia, e autora principal do estudo.

Estes resultados, vistos em conjunto com a avaliação de 2011, mostram que os golfinhos foram significativamente afectados pela exposição ao petróleo depois do derrame da Deepwater Horizon, diz Colegrove. Essa exposição provocou doença pulmonar e supra-renal e esses problemas foram factores cruciais no aumento da mortalidade dos golfinhos, acrescenta ela.

Frances Gulland, veterinária no Centro de Mamíferos Marinhos em Sausalito, Califórnia, está contente por ver dados concretos sobre os potenciais impactos do derrame após anos de debate. “É mesmo bom ver confirmação por histologia."

Mas o capítulo das mortes dos golfinhos não está encerrado. Como os animais vivem muitos anos e são lentos a atingir a maturidade e a reproduzir-se, Colegrove considera que demorará muitos anos antes de os cientistas compreenderem os efeitos totais do derrame da Deepwater Horizon sobre a população do golfo do México.

Numa declaração preparada, o porta-voz da BP Geoff Morrell contesta qualquer ligação entre o derrame de petróleo e as mortes dos golfinhos: “Os dados que vimos até agora, incluindo o novo estudo da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, não mostram que o petróleo da Deepwater Horizon tivesse levado a um aumento da mortalidade de golfinhos."

 

 

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