2015-05-24

Subject: Genoma de lobo antigo recua ainda mais o surgimento do cão

Genoma de lobo antigo recua ainda mais o surgimento do cão 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Love Dalén/Cell

O genoma de um lobo siberiano antigo veio somar evidências de que os humanos domesticaram os cães milhares de anos antes do que geralmente se considerava, talvez há tanto tempo como 40 mil anos. Os primeiros cães podem ter sido companheiros de caça dos humanos primitivos enquanto estes colonizaram a Europa e a Ásia durante a última idade do gelo, sugerem os investigadores.

Tem se mostrado difícil de identificar exactamente quando os humanos domesticaram os cães a partir dos lobos. Estudos genéticos de lobos e de cães antigos e modernos colocou a sua domesticação algures entre os 10 e os 30 mil anos na Europa, China ou Médio Oriente, apesar dos primeiros fósseis de cão datarem de antes disso. “Não sabemos quase nada”, diz o geneticista populacional Pontus Skoglund, da Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts.

Num artigo publicado na última edição da revista Current Biology, a equipa de Skoglund relata o rascunho da sequência genómica de um osso de costela de um lobo com 35 mil anos. Ela sugere que os ancestrais dos actuais cães divergiram dos ancestrais dos lobos modernos algures entre os 27 e os 40 mil anos, antes do que antes se sugeria.

Os investigadores encontraram o osso de costela numa expedição de seis semanas à península Taymyr na Rússia em 2010. Passaram a pente fino as margens dos rios de barco em busca de zonas onde a permafrost se tivesse erodido e revelado os vestígios de animais há muito mortos, como mamutes peludos. A costela, como outros ossos descobertos durante a expedição, foi difícil de identificar: “Tinha escrito no saco de amostras 'rena?'”, recorda Love Dalén, geneticista evolutivo no Museu Sueco de História Natural em Estocolmo, que fez parte da expedição e co-liderou o estudo.

Depois de uma sequenciação inicial ter identificado a costela como sendo de lobo, uma datação por radio-carbono indicou que o animal teria morrido há cerca de 35 anos pelo que Dalén assumiu que o lobo teria vivido muito antes de os humanos domesticarem esta espécie. Mas o genoma da costela indica que o lobo parece partilhar uma ancestralidade em partes iguais com os cães domésticos modernos e lobos, sugerindo que terá vivido por volta do momento em que os ancestrais dos cães modernos divergiram dos ancestrais dos lobos modernos.

É provável que os primeiros caninos domesticados fossem bastante diferentes dos que conhecemos hoje, diz Dalén. “Acho muito possível que os lobos fossem mantidos em cativeiro e depois domesticados mas continuassem a ter aspecto de lobos durante muitos e muitos milhares de anos”.

O geneticista evolutivo Laurent Frantz, da Universidade de Oxford, Reino Unido, não está convencido que a domesticação tenha ocorrido por volta do momento em que os ancestrais dos cães divergiram dos dos lobos. Uma divergência evolutiva pode ter conduzido a vários ramos de lobos, salienta ele, um dos quais só posteriormente terá conduzido aos cães domesticados.

Já Robert Wayne, geneticista evolutivo na Universidade da Califórnia, Los Angeles, diz que é possível que os humanos antigos tivessem domesticado os cães durante a colonização da Europa e da Ásia há 40 mil anos, o que é muito antes da domesticação de outros animais, como porcos, bovinos e galinhas. A sua equipa calcula datas de domesticação algures entre os 20 e os 30 mil anos a partir de sequências limitadas de DNA antigo de cães e lobos.

Mesmo depois de outras divergências, cães e lobos acasalavam ocasionalmente. Os cães da Groenlândia e os huskies siberianos, descobriu a equipa, têm um maior peso de ancestralidade de lobo quando comparados com outras raças. Frantz pondera se os humanos cruzaram intencionalmente os ancestrais dos huskies e de outros cães árcticos com lobos e se a ancestralidade de lobo destes cães terá ajudado a sua adaptação ao clima da região. 

Dalén e outros investigadores sugerem que os primeiros cães ajudaram os caçadores humanos da Idade do Gelo. Uma provocante especulação presente no livro The Invaders (Harvard University Press, 2015) de Pat Shipman, antropólogo na Universidade Estadual da Pensilvânia em University Park, defende que os cães ajudaram os primeiros humanos modernos a ultrapassar competitivamente os Neanderthal, conduzindo assim à sua extinção.

“Ainda há alguma coisa que não compreendemos bem”, diz Wayne. “Os cães foram fundamentalmente importantes para os humanos e uma forma que outros animais não foram.”

 

 

Saber mais:

Scan a cérebros de cães revela respostas vocais

Genomas pré-históricos revelam origem europeia dos cães

Genética canina desencadeia controvérsia

O jantar foi crucial para a domesticação dos cães

A importância do bom pequeno-almoço para os cães

Cães reconhecem o rosto dos donos

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2015


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com