2015-05-19

Subject: Índico pode ser crucial para o hiato no aquecimento global

Índico pode ser crucial para o hiato no aquecimento global

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@ Nature/Sang-Ki LeeO oceano Índico pode ser o cavalo negro na busca pela explicação da intrigante pausa no aquecimento global, relatam os investigadores na última edição da revista Nature Geoscience

O estudo revela que o oceano Índico pode estar a reter mais de 70% de todo o calor absorvido pelas camadas superiores dos oceanos na última década.

Há muito que os cientistas suspeitavam que os oceanos desempenhavam um papel crucial no chamado hiato no aquecimento ao armazenar calor aprisionado na atmosfera pelos crescentes níveis de gases de efeito de estufa mas determinar exactamente qual dos oceanos está a agir como um ar condicionado global tem-se revelado complicado.

Investigações anteriores sugeriram que uma quantidade significativa de calor se deslocava da atmosfera para o Pacífico, onde as condições La Niña têm vindo a dominar desde o início do século. Em resultado, os padrões de vento e as correntes oceânicas aumentaram o afundamento das águas superficiais quentes nos subtrópicos. Este processo, entre outros, reforça a absorção do calor pelo oceano.

Mas quando Sang-Ki Lee, oceanógrafo na Universidade de Miami na Florida, foi procurar este calor abaixo da superfície do Pacífico, não o conseguiu encontrar. Os dados de temperatura compilados pelo Atlas Mundial dos Oceanos (AMO) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) sugerem que os 700 metros superficiais do Pacífico na realidade arrefeceram nos últimos anos, diz Lee.

Assim, a equipa de Lee usou um modelo computorizado para explorar o destino do 'calor desaparecido' do oceano. Os resultados sugerem que os ventos alísios de leste se fortaleceram durante o hiato, acumulando água quente no Pacífico ocidental. A água esgueira-se por entre as ilhas da Indonésia até ao oceano Índico, trazendo consigo o calor.

No modelo, este acumular de água produz um aquecimento dramático no Índico superior desde o início da década de 2000, em concordância com os dados do AMO, escrevem os autores. Esta explicação também encaixa com medições do fluxo através do maior canal indonésio, o estreito de Makassar, que aumentou ao longo do mesmo período de tempo.

“A grande novidade é eles terem encontrado o calor”, diz Matthew Englandan, oceanógrafo na Universidade da Nova Gales do Sul em Sydney. Ele considera que o estudo solidifica o papel do Pacífico na condução do hiato. “Está a resolver a questão que mantinha muita gente encalhada.”

No entanto, alguns dizem que o caso ainda não está encerrado. A equipa de Lee apenas analisou tendências nos 700 metros mais superficiais do oceano mas "há evidências de que uma parte significativa do calor tem-se afundado para as camadas intermédia e profunda”, diz Gerald Meehl, perito climático no Centro Nacional de Investigação Atmosférica (NCAR) em Boulder, Colorado. Estudos anteriores sugerem que um terço ou mais do aquecimento oceânico total ocorreu abaixo das profundidades consideradas neste novo estudo.

Kevin Trenberth, também perito climático no NCAR, diz que os resultados discordam de estudos que usam dados alternativos aos do AMO. Há enormes falhas observacionais no conjunto de dados do AMO e Trenberth diz que a NOAA as compensou sem ter em consideração o aquecimento a longo prazo do oceano, levando a valores inferiores de temperatura onde as medições estão em falta. 

Por exemplo, Trenberth encontraram um pronunciado aquecimento do Pacífico durante o hiato e um apenas modesto aquecimento no Índico ao usarem as estimativas do conteúdo calorífico parcialmente derivadas de medições por satélite. Outros estudos também implicaram aquecimento no Atlântico norte e no Antárctico.

Por agora, parece que a caça pelo calor perdido pode continuar mas os cientistas consideram ser importante chegar a uma conclusão que explique completamente o actual hiato e prepararmo-nos para outros que possam ocorrer no futuro. “Precisamos de compreender os desequilíbrios energéticos da Terra", diz Lee.

 

 

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