2015-05-17

Subject: Últimos dados sobre ébola eliminam mutação rápida

Últimos dados sobre ébola eliminam mutação rápida

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@ Nature/Bryan Denton/Corbis

O vírus ébola evoluiu à medida que se espalhou pela África ocidental no ano passado mas a sua taxa de mutação não acelerou, como alguns pensaram, de acordo com uma análise de dados de sequências genéticas publicado na revista Nature. Os dados asseguram que a dimensão da actual epidemia não permitiu ao vírus evoluir para uma forma mais virulenta ou mais mortal.

A taxa de evolução do vírus durante a actual epidemia, e se se está a alterar de formas que o tornem mais fácil de transmitir ou mais ou menos letal, tem sido acesamente debatido. Para lidar com essas questões, a equipa liderada por Wu-Chun Cao, epidemiologista do Laboratório State Key de Patogénios e Biossegurança de Pequim, sequenciou 175 genomas virais de ébola recolhidos de pessoas infectadas, incluindo algumas que acabaram por morrer.

As amostras foram recolhidas entre 28 de Setembro e 11 de Novembro de 2014 pela Equipa Chinesa do Laboratório Móvel de Testes, um laboratório de diagnóstico colocado no terreno pelo governo chinês. O grupo de Cao combinou os dados de sequenciação destes espécimes com as sequências publicadas em Agosto por Pardis Sabeti, uma geneticista computacional no Instituto Broad de Cambridge, Massachusetts. O estudo de Sabeti examinou amostras de vírus recolhidas de pacientes entre Maio e Junho. Os dados combinados permitiram a Cao seguir a forma como o ébola se alterou à medida que se propagava para oeste através da Serra Leoa. O ébola entrou no país em Maio e chegou à capital Freetown em Julho.

A análise revela que o vírus evoluiu à medida que alcançava novas áreas mas não alterou a taxa a que isso acontecia em surtos anteriores, mesmo naqueles localizados em áreas muito menores e com menos pessoas infectadas. Também não há evidências de que o ébola tenha desenvolvido mutações danosas à medida que se espalhou pela Serra Leoa. “Isto foi só o vírus a fazer o que sempre faz", diz David Robertson, biólogo evolutivo e computacional na Universidade de Manchester.

A equipa de Cao relata que o vírus continuou a desenvolver mais diversidade à medida que se propagava, o que significa que os vírus envolvidos em cada surto localizado evoluiu independentemente de cada um dos outros. “À medida que a epidemia se propagava, criava muitas cadeias de infecção, cada uma das quais mutando numa direcção diferente”, diz o geneticista viral Trevor Bedford, do Centro de Investigação do Cancro Fred Hutchinson em Seattle, Washington.

A equipa de Cao catalogou um total de 440 novas mutações e descobriu que as alterações ocorreram com maior frequência no gene da glicoproteína do ébola, que codifica as instruções para a formação da proteína superficial que ajuda o vírus a ligar-se às células humanas. Isto pode significar que a resposta imunitária humana estava a conduzir a evolução do vírus ou poder devido ao acaso. “É surpreendentemente difícil avaliar a alteração funcional apenas a partir de dados de sequências", diz Bedford.

Outros investigadores continuam a examinar essas alterações à medida que mais dados surgem: por exemplo, Robertson salienta que nos dados de Sabeti muitas das alterações genéticas que potencialmente poderiam alterar a função viral ocorriam em regiões associadas à forma como o vírus interage com células humanas. “Seria interessante ver se isso ainda se mantém” nos últimos dados, diz Robertson.

O artigo de Cao aumenta grandemente os dados disponíveis publicamente sobre os vírus ébola mas ainda há grande pobreza de dados de sequências da Guiné e da Libéria. Isso parece estar a mudar: um consórcio liderado pela Public Health England publicou dados de sequenciação de 179 amostras de ébola recolhidas na Guiné pelo consórcio do Laboratório Móvel Europeu.

 

 

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