2015-05-15

Subject: Falhanços com o ébola levam a um repensar da OMS

Falhanços com o ébola levam a um repensar da OMS

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Espen Rasmussen/Panos

À medida que a epidemia de ébola na África ocidental se desvanece, aumenta a febre de reformas na Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando os 194 estados membros das Nações Unidas se encontrarem entre 18 e 26 de Maio em Genebra, Suíça, para a 68ª Assembleia Mundial da Saúde, irão considerar uma série de propostas que têm como objectivo tornar a OMS mais eficiente na resposta a crises de saúde pública em desenvolvimento rápido.

Está em jogo o futuro da organização como a resposta primária às emergências globais de saúde. Em Setembro de 2014, após a lenta resposta da OMS na África ocidental, as Nações Unidas criaram uma organização separada, a Missão das Nações Unidas de Resposta à Emergência do Ébola, para lidar com o surto.

No mês passado, o secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon nomeou um painel para a gestão de futuras crises de saúde que deverá produzir um relatório até ao final desde ano. Os observadores salientam que os falhanços anteriores da OMS levam à formação de iniciativas independentes como a GAVI, a Vaccine Alliance, que vacina crianças em países em desenvolvimento, e o Fundo Global para a Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária.

“A preocupação deve ser que algum outro grupo retire o planeamento de contingência e a resposta de emergência à OMS”, diz o especialista em doenças infecciosas Barry Bloom, da Escola de Saúde Pública T. H. Chan de Harvard em Boston, Massachusetts. “Essa tem sido a tendência e leva-nos à questão fundamental de qual é o papel da OMS.”

A directora-geral da OMS Margaret Chan reconheceu já que a organização fez erros graves durante a epidemia de ébola. O surto revelou “inadequações e fraquezas nas infra-estruturas administrativa, de gestão e técnica desta organização”, disse ela num discurso em Janeiro, onde apelou a reformas e a uma revisão externa do desempenho da organização. Um rascunho da revisão publicado a 8 de Maio concluía que “a OMS não tem a capacidade operacional ou a cultura para realizar uma resposta completa a uma emergência de saúde pública.”

As principais reformas em discussão em Genebra incluem a criação de um fundo de €120 milhões para a resposta a eventos em escalada rápida, como a epidemia de ébola, estabelecer um quadro de pessoal de primeira resposta a surtos e a criação de directrizes para a forma como organizações de ajuda, fundações, instituições académicas e corporações podem participar nas reuniões da OMS.

Essas directrizes estão na forja há anos, à medida que os gastos globais em saúde pública se desviavam cada vez mais para as organizações não governamentais mas a importância destas entidades privadas veio para a ribalta com o surto de ébola, como grupos como os Médicos sem Fronteiras a provarem ser mais eficazes que a OMS ou os governos.

A OMS também está a apelar aos estados membros que aumentem o seu orçamento em 8% para 2016–17, depois de ter vindo a receber sempre os mesmos fundos desde 2012. Chan quer fortalecer os Regulamentos Internacionais de Saúde, acordados pelos estados membros em 2005 que exigem que os países estabeleçam mecanismos básicos de resposta a surtos, mas não há propostas específicas sobre como o fazer.

Muitos dos apoiantes da reforma estão preocupados que nem a enormidade da epidemia de ébola motive os estados a adoptar reformas e estão pessimistas sobre a eficácia destas alterações, caso sejam adoptadas. Algumas destas mesmas ideias foram propostas, mas nunca adoptadas, após surtos de SARS, gripe das aves H5N1 e gripe suína H1N1 na década de 2000.

“É preciso enfatizar a importância de fazer estas alterações agora, enquanto a epidemia está fresca na nossa memória e o momento político é adequado, senão vai desvanecer-se como aconteceu com a SARS e o H1N1”, diz Lawrence Gostin, especialista em leis da saúde e política na Universidade Georgetown em Washington DC, que faz parte do comité da OMS encarregue de reformar a organização.

Esse sentimento é partilhado por Adam Kamradt-Scott, especialista em segurança da saúde na Universidade de Sydney, Austrália. Mas ele está pessimista com a probabilidade de mudança e frustrado com os recursos escassos: “Duvido que assistamos a qualquer reforma significativa. Ao mesmo tempo que os governos se queixam de que a OMS é ineficaz, também não lhe dão recursos ou autoridade suficientes para fazer o trabalho que lhe é pedido.”

A OMS depende de contribuições voluntárias para mais de 70% do seu orçamento e é pouco provável que os países paguem para a nova força de intervenção ou criem os fundos de contingência aos níveis necessários, diz Kamradt-Scott.

No entanto, no seguimento do surto de ébola, os governos e as organizações internacionais demonstraram uma disponibilidade para fornecer fundos para fortalecer o grau de preparação para crises de saúde, diz Josh Michaud, director associado para a política de saúde global na organização sem fins lucrativos Kaiser Family Foundation de Washington DC. Ele salienta que os Estados Unidos aprovaram no ano passado mais de $5 mil milhões de financiamento de emergência para a resposta ao ébola e que o Banco Mundial se comprometeu a fornecer $650 milhões para ajudar países a reconstruir-se após a epidemia. “Não é fácil ou barato construir estas capacidades mas há sinais que o ébola desencadeou mudanças reais.”

 

 

Saber mais:

Libéria declarada livre de ébola

Questionada rápida evolução do ébola

Novas pistas para o início do actual surto de ébola

Teste americano de vacina para o ébola mostra resultados positivos

Modelos sobrestimam casos de ébola

Surto de ébola bloqueia esforços para controlar malária

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2015


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com