2015-05-11

Subject: Microscópio do telemóvel detecta parasita ocular

Microscópio do telemóvel detecta parasita ocular

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@ Nature/Thomas B. Nutman, NIH

Para diagnosticar em pessoas que vivem em localizações remotas, os clínicos tradicionalmente preferem a abordagem de baixa tecnologia pois os dispositivos electrónicos a bateria podem ser demasiado delicados para as clínicas do mundo em desenvolvimento. Mas agora que os telemóveis penetraram praticamente todos os cantos do mundo, essa aversão está a desaparecer rapidamente.

Num estudo publicado na revista Science Translational Medicine, o bioengenheiro Daniel Fletcher, da Universidade da Califórnia, Berkeley, dá um exemplo de como os telemóveis podem mudar a medicina em lugares recônditos. Ele descreve um microscópio de um telemóvel com câmara e app que consegue detectar a presença do parasita ocular africano Loa loa numa amostra de sangue.

Um problema endémico na África central, o L. loa cresce para um verme que se desloca para o tecido ocular. Os vermes são ainda mais problemáticos quando são apanhados em conjunto com dois outros nemátodos parasitas, o Onchocerca volvulus (que causa cegueira do rio) e o Wuchereria bancrofti (que causa graves inchaços nos membros). Isso acontece porque o medicamento geralmente usado para tratar esses dois parasitas, o ivermectin, pode causar efeitos secundários graves, como inchaço do cérebro, se o paciente também está infectado com o L. loa.

O co-parasitismo deste tipo é comum, diz o especialista em doenças infecciosas Isaac Bogoch, da Universidade de Toronto, Canadá. Saber rapidamente se os pacientes infectados com O. volvulus ou com W. bancrofti também têm L. loa no sangue é importante para a decisão de usar com segurança o ivermectin. Ao converter o telemóvel num microscópio, os clínicos têm uma forma portátil de analisar amostras de sangue.

Os microscópios de telemóvel não são novidade, podem ser comprados online e têm sido considerados brinquedos tecnológicos engraçados, ainda que a sua utilização em contextos médicos complicados também já tivesse sido proposta anteriormente: em 2009, Fletcher mostrou que um microscópio de telemóvel que conceberam conseguia identificar bactérias da tuberculose. Outros microscópios de telemóvel estão a ser testados para procurar outras infecções sanguíneas.

Mas como Samuel Sia, engenheiro biomédico na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, salienta, os modelos anteriores não eram grande melhoria em relação a um microscópio tradicional para utilização no campo pois apenas aumentavam a imagem. “Tinha que se recolher um espécime, fazer um esfregaço, corá-lo e secá-lo numa lâmina. Claro que se tens um microscópio podes olhar para a lâmina mas e todos estes outros passos?"

A última invenção de Fletcher, pelo contrário, evita tudo isso pois exige apenas que se carregue um tubo capilar com sangue para uma caixa impressa em 3D que contém uma lente. A capa de plástico desliza sobre um iPhone, alinhando a lente do dispositivo com a câmara.

Uma app no telemóvel faz um vídeo da amostra ampliada de sangue e usa um algoritmo para procurar movimentos no líquido que estejam de acordo com o L. loa. Com base nisto, a app conta rigorosamente quantos parasitas estão presentes.  Tem que ser usado por volta do meio-dia, durante o breve período em que o L. loa está activo mas os outros dois nemátodos não estão.

Esta aplicação pode ser modificada para diagnosticar outras infecções parasitárias, diz Fletcher. Os investigadores já estão a trabalhar num software para telemóvel que detecte vermes helmintas transmitidos pelo solo.

Dispositivos como estes encorajaram mais engenheiros e clínicos a abraçar ferramentas de diagnóstico baseadas em electrónica de consumo, diz Sia. Mas primeiro os dispositivos têm que demonstrar que funcionam bem no campo. Uma grande experiência para testar o sistema de detecção do L. loa deverá ter início este ano.

 

 

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