2015-05-10

Subject: Libéria declarada livre de ébola

Libéria declarada livre de ébola

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@ Nature/John Moore/Getty Images

A Libéria é o primeiro dos três países mais afectados pelo ébola a ficar livre da doença, declarou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a 9 de Maio, marcando o fim de uma epidemia que durou 15 meses no país. No entanto, a epidemia continua nas vizinhas Serra Leoa e Guiné-Conacri e a OMS alerta para o risco de complacência, salientando o risco de mais propagação geográfica.

"O anúncio de hoje é um tributo a todos os liberianos extraordinários e seus parceiros globais que trabalharam incansavelmente ao longo dos últimos 15 meses de luta contra o ébola", diz Rajesh Panjabi, chefe executivo da Last Mile Health, uma organização sem fins lucrativos que opera em Monróvia e Boston, Massachusetts, e médico associado na Faculdade de Medicina de Harvard. "É um grande feito mas ainda há muito trabalho a fazer para fortalecer o sistema de saúde liberiano de forma a que uma epidemia como esta não volte a acontecer."

A última pessoa na Libéria a, que se saiba, ser infectada com a doença morreu a 27 de Março e foi enterrada no dia seguinte. Isso significa que, a partir de hoje, passaram 42 dias desde o enterro, o lapso de tempo que a OMS usa para declarar um país livre de ébola e que corresponde a duas vezes o período máximo de incubação para a doença.

Os dados sugerem que também está à vista o fim da epidemia por toda a África ocidental. Na semana de 3 de Maio a Guiné e a Serra Leoa relataram, cada um, apenas nove novos casos, muito longe dos últimos meses do ano passado, quando a epidemia estava no seu pico e centenas de casos eram relatados todas as semanas.

O ébola também está mais contido geograficamente: antes era uma doença que se propagava como fogo na floresta mas agora temos algumas cinzas incandescentes confinadas à prefeitura de Forécariah na Guiné ocidental, ao distrito vizinho de Kambia na Serra Leoa e à região em redor da capital da Serra Leoa, Freetown. Este é o menor número de distritos afectados desde Maio de 2014, o que permite às equipas de resposta focar o seu ataque numa área muito menor.

Mas há razões para manter a cautela: Forécariah é um distrito grande e as fronteiras entre os países da região são muito porosas, o que significa que há sempre o risco de uma pessoa infectada poder viajar e desencadear novos surtos noutros locais. Com a estação das chuvas em curso, os surtos nas regiões mais remotas podem ser mais difíceis de controlar devido à dificuldade de acessos.

Uma preocupação irritante é que a maioria dos casos recém-relatados, especialmente na Guiné, são de indivíduos que não como contactos listados de pessoas que se sabia estarem infectadas, o que sugere que as cadeias de transmissão continuam a passar despercebidas. 

Funerais inseguros em que as pessoas podem entrar em contacto com o corpo e com materiais contaminados, como roupa pessoal e de cama, também continuam a ocorrer e podem ser uma importante causa de propagação da doença, especialmente se os enlutados vierem de longe. "Tudo junto, estes indicadores sugerem que seguir as cadeias de transmissão continua a ser um desafio e continua a existir a possibilidade de um aumento da incidência de casos e/ou propagação geográfica nas próprias semanas", alerta a OMS.

Se a Guiné e a Serra Leoa ultrapassarem estes desafios e seguirem rapidamente a Libéria a serem declarados livres de ébola, uma introspecção deve acompanhar o alívio. Os esforços dos Médicos sem Fronteiras na linha da frente foram largamente aplaudidos mas, de resto, o sistema de resposta mundial à epidemia falhou espectacularmente.

Há uma necessidade urgente de aprender com os nossos erros e fraquezas que o ébola expôs. Bruce Aylward, que lidera a resposta ao ébola da OMS, referiu recentemente: "O ébola não foi uma excepção, foi um precedente." 

Panjabi, por exemplo, salienta a necessidade de remover os "pontos cegos" nos cuidados de saúde rurais. Se prestadores de cuidados de saúde profissionalmente treinados e apoiados estivessem estacionados nas aldeias remotas da Guiné, Libéria e Serra Leoa, diz ele, quando os primeiros doentes surgiram, podiam ter dado o alarme antes de um pequeno surto se tornar uma crise global. "Podemos ter acabado com os pontos quentes", diz ele, "mas os pontos cegos, aldeias remotas com pouco ou nenhum acesso a cuidados de saúde, ainda existem."

 

 

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