2015-05-04

Subject: DNA de osso revela percurso da humanidade na América do Sul

DNA de osso revela percurso da humanidade na América do Sul

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@ Nature/Christian Kapteyn/Robert Harding

O Homem colonizou a América do Sul numa única vaga de migração, pouco depois de os seus ancestrais terem passado a Sibéria para a América do Norte pela primeira vez, na última idade do gelo, sugerem as evidências genéticas.

A descoberta, baseada em DNA obtido de vestígios de cinco humanos antigos que viveram nos Andes peruanos, também indicia a forma como os antigos andinos evoluíram para se adaptarem a altitudes de mais de 4 mil metros.

Apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Arqueologia (SAA) em San Francisco, Califórnia, o estudo lança luz sobre a última grande migração continental da pré-história humana e uma das menos comprendidas.

O local ocupado por humanos mais antigo que se conhece na América do Sul, o colonato chileno Monte Verde com 14600 anos, sugere que as pessoas chegaram rapidamente ao continente após atravessarem a ponte terrestre de Bering um ou dois mil anos antes.

Mas alguns investigadores defendem que deverá ter existido uma segunda migração. Eles usam evidências esqueléticas para propor que os crânios longos e estreitos dos sul-americanos que viveram há mais de 5 mil anos são demasiado diferentes das cabeças mais arredondadas dos habitantes mais recentes e dos indígenas actuais, para representarem uma população contínua.

Nas décadas de 1950 e 60, o arqueólogo peruano Augusto Cardich descobriram vestígios humanos que apresentam a característica forma dos crânios antigos num abrigo na rocha alto nos Andes, na região de Lauricocha. A datação de carbono fala de 9 mil anos, o que o torna um exemplo arqueológico clássico de vida em altitudes elevadas.

Investigadores posteriores dataram os vestígios de Lauricocha perto do 5 mil anos, diminuindo muito o seu apelo para os investigadores interessados na pré-história sul-americana. “As pessoas esqueceram este local simplesmente. Ninguém mais se interessou", diz Lars Fehren-Schmitz, antropólogo biológico na Universidade da Califórnia, Santa Cruz.

Mais de meio século após a descoberta do local, a equipa de Fehren-Schmitz obteve permissão para analisar cinco esqueletos humanos escavados em Lauricocha e mantidos no Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e História do Peru em Lima. A equipa voltou a datar os vestígios, mediu novamente os crânios e extraiu dos ossos DNA.

O seu trabalho pinta um quadro complicado de Lauricocha. Dois dos seus residentes, uma mulher e uma criança com 2 anos de idade, morreram há perto de 9 mil anos, um terceiro, um homem, morreu cerca de 2500 anos depois e outro homem morreu 2300 ainda mais tarde. O quinto espécime não foi datado devido ao mau estado em que se encontrava. Apenas o crânio da mulher tinha uma forma alongada e estreita, conhecida por dolicocefalia.

Para avaliar se os residentes de Lauricocha eram descendentes de mais de uma migração, a equipa sequenciou DNA mitocondrial, passado de geração em geração por via materna. Todas as cinco pessoas eram descendentes de linhagens maternas comuns aos povos indígenas antigos e modernos da América do Norte e do Sul.

Os cromossomas Y dos homens coloca-os numa linhagem que surgiu na região perto do estreito de Bering há cerca de 17 mil pessoas, os local e tempo mais aceites para a migração humana original para as Américas. Estes e outros dados de DNA sugerem que todos os humanos de Lauricocha são descendentes dos primeiros humanos que chegaram às Américas, apoiando uma única migração para a América do Sul.

Nem todos, no entanto, aceitam o argumento. Uma conclusão tão abrangente não pode ser tirada de um punhado de vestígios encontrados numa única localização, diz Tom Dillehay, arqueólogo na Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee.

Ele defende que o fosso de 5 mil anos entre os primeiros habitantes de Monte Verde, escavados por Dillehay, e os primeiros esqueletos de Lauricocha deixam a porta aberta para migrações anteriores. “Pode muito bem ser uma única migração mas eles não têm provas disso", diz ele.

DNA humano antigo de outras zonas da América do Sul, como por exemplo do Amazonas, podem ainda indicar uma segunda migração para o continente, concorda Fehren-Schmitz. A sua equipa está agora a analisar os genomas inteiros de Lauricocha e de outros locais da América do Sul para obter uma imagem mais completa do passado do continente.

Deborah Bolnick, antropóloga biológica na Universidade do Texas em Austin, aceita o argumento a favor de uma migração única mas, independentemente do número de vagas migratórias, teriam existido outros movimentos populacionais após esse inicial e fundador em direcção a sul.

Investigadores que estudam DNA antigo encontraram evidências de uma enorme migração das actuais Rússia e Ucrânia para a Europa ocidental há 4500 anos e Bolnick considera que algo semelhante terá certamente ocorrido nas Américas. Num artigo de 2014, por exemplo, Fehren-Schmitz documentou a migração para os Andes centrais há 1400 anos, provavelmente conduzida por secas nas terras baixas.

Os genomas dos sul-americanos antigos também podem mostrar de que forma se adaptaram ao Novo Mundo. Num estudo diferente, Fehren-Schmitz analisou uma variante genética que protege contra o enjoo de altitude. Algures entre há 8500 e 600 anos, a presença da variante aumentou acentuadamente entre os andinos.

Fehren-Schmitz considera a descoberta meramente sugestiva de adaptação local mas com os genomas antigos completos na mão os investigadores vão ser capazes de procurar mais sinais de adaptação às altitudes elevadas, diz Bolnick. Com essa questão em mente, a sua equipa está a sequenciar DNA de vestígios de residentes na montanha da Argentina. Os genomas antigos das Américas também podem revelar de que forma os humanos se adaptaram a alterações na dieta (os primeiros americanos domesticaram o milho, a batata e outras culturas) e a doenças importadas da Europa, como a varíola.

 

 

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