2015-05-01

Subject: A razão porque a doença deixa um sabor amargo na boca

A razão porque a doença deixa um sabor amargo na boca

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@ Nature/Image Source/Alamy

As pessoas que estão doentes queixam-se frequentemente de alterações no sentido do paladar. Agora, os investigadores relata que esta alteração sensorial pode ser causada por uma proteína que desencadeia a inflamação.

Os ratos que não conseguem produzir a proteína, conhecida por factor-α de necrose tumoral (TNF-α), são menos sensíveis a sabores amargos do que ratos normais, de acordo com o estudo publicado na revista Brain, Behavior and Immunity.

Pessoas com infecções, doenças auto-imunes ou outras perturbações inflamatórias têm níveis mais elevados de TNF-α que pessoas saudáveis e sabe-se que a proteína reduz a ingestão de alimentos. Para investigar a influência da TNF-α sobre o paladar, investigadores do Centro Monell dos Sentidos Químicos em Filadélfia, Pennsylvania, usaram ratos geneticamente modificados que não conseguiam produzir a proteína.

Os investigadores ofereceram aos ratos modificados e normais água contendo diferentes tipos e concentrações de sabores. Os ratos que não conseguiam produzir TNF-α tinham reacções normais aos sabores doce, amargo, salgado e ácido mas eram menos sensíveis aos amargos.

“Os ratos normais detectam esse sabor numa concentração muito mais baixa, sabem que algo é amargo e não gostam”, diz Hong Wang, biólogo molecular no Centro Monell e um dos autores do estudo. “Mas se o gene TNF-α não está presente, os ratos só começam a evitar a solução amarga a concentrações mais elevadas.”

Em algumas das experiências, os ratos podiam beber o que quisessem de água simples ou de uma solução com sabor. Os investigadores mediram os níveis em alteração de garrafas de água para determinar até que ponto os ratos eram sensíveis a um sabor em particular. Noutras experiências, os ratos tinham apenas alguns segundos para beber enquanto uma máquina contava quantas vezes lambiam a solução com sabor, um teste que minimiza a influência de qualquer tipo de efeito secundário que os ratos sintam por beber os líquidos de teste.

Tanto os ratos normais como os modificados revelaram as mesmas preferências de sabor em ambos os tipos de experiência, indicando que escolhiam os líquidos com base no sabor e não por qualquer efeito secundário do sabor.

Mas as experiências comportamentais não conseguiram determinar se as reacções reduzidas ao amargo reflectiam alterações na língua do animal ou nas zonas do cérebro que processam o gosto.

Para o descobrir, os investigadores registaram a actividade cerebral nos nervos que transmitem os sinais do gosto da língua para o cérebro. Nos ratos modificados, estes nervos periféricos do gosto disparavam menos em resposta aos sabores amargos do que em ratos normais, sugerindo que a TNF-α actua directamente sobre as papilas gustativas.

Essa é uma ideia relativamente nova, diz Jan-Sebastian Grigoleit, neuro-imunologista no Instituto Salk de Estudos Biológicos em La Jolla, Califórnia. A TNF-α pertence a uma classe de pequenas moléculas sinalizadoras chamadas citocinas que são mais conhecidas pelo seu papel na resposta imunitária mas Grigoleit diz que os investigadores têm vindo a descobrir que as citocinas também ajudam a regular outros sistemas do corpo.

Robert Dantzer, psicobiólogo no Centro MD Anderson do Cancro da Universidade do Texas em Houston, alerta que as descobertas do novo estudo podem ter muitas explicações: por exemplo, crescer sem a TNF-α pode ter causado anormalidades de desenvolvimento nos ratos modificados que podem explicar a sua tolerância aos sabores amargos.

Entretanto, os autores do estudo ficaram surpresos por a falta da TNF-α afectar apenas a percepção do amargo, pois descobriram que muitos tipos de células do gosto parecem ter receptores para a proteína. Wang diz que a sua equipa tenciona agora investigar se os níveis elevados de TNF-α durante a doença tornam as pessoas mais sensíveis aos sabores amargos.

 

 

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