2015-04-30

Subject: Edição de embriões humanos desencadeia debate épico

Edição de embriões humanos desencadeia debate épico

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@ Nature/Yorgos Nikas/SPL

Pela primeira vez cientistas chineses relataram ter usado técnicas poderosas de edição genética para modificar embriões humanos. O seu artigo, publicado na revista sediada em Pequim Protein & Cell, não foi uma surpresa para a comunidade científica mas acendeu um debate abrangente sobre que tipo de investigação sobre edição genética é ético. A publicação também coloca questões sobre a forma mais apropriada de publicar este tipo de trabalho.

No artigo, os investigadores liderados por Junjiu Huang, investigador da função genética na Universidade Sun Yat-sen em Guangzhou, descrevem como usaram um sistema de moléculas conhecido por CRISPR/Cas9 para cortar o DNA de embriões humanos e de seguida tentaram repará-lo  introduzindo novo DNA.

Numa tentativa deliberada para afastar as questões éticas, a equipa usou embriões não viáveis obtidos de clínicas de fertilidade em que os óvulos foram fertilizados por dois espermatozóides e não poderiam nunca produzir resultar em nados vivos.

As técnicas de edição genética como aquelas que dependem da CRISPR/Cas9 já tinham sido usadas antes para modificar DNA em células humanas adultas e embriões animais. Já este ano circulavam rumores de que os métodos estavam a ser aplicados também a embriões humanos mas o artigo de Huang é o primeiro publicado a assumi-lo.

A equipa usou a CRISPR/Cas9 para modificar um gene que pode causar uma doença do sangue potencialmente fatal chamada β-talassémia quando mutado. Alguns investigadores sugeriram que esse procedimento, se realizado num embrião viável, poderia erradicar doenças genéticas devastadores antes de um bebé nascer. Outros dizem que estes trabalhos ultrapassam uma linha ética: em resposta aos rumores de que estava a ser desenvolvido, investigadores alertaram na Nature e na Science em Março que dado que as modificações da linha germinal era hereditárias, poderiam ter um efeito imprevisível nas gerações futuras.

Os investigadores também expressaram preocupação sobre o facto de a investigação em edição genética em embriões humanos poder ser um plano inclinado em direcção a utilizações inseguras, não éticas ou não médicas da técnica.

A equipa de Huang diz que os seus resultados revelam obstáculos sérios à utilização do método no contexto clínico. A equipa injectou 86 embriões com a CRISPR/Cas9 e outras moléculas destinadas a acrescentar novo DNA e esperaram 48 horas para que os embriões crescessem para oito células. Dos 71 embriões que sobreviveram, 54 foram testados geneticamente, revelando que apenas 28 foram cortados com sucesso e desses apenas 4 continham o material genético destinado a reparar os cortes. “Foi por isso que parámos", diz Huang. “Pensamos que ainda está tudo muito imaturo.”

A sua equipa também encontrou um número surpreendente de mutações fora do alvo que se assumiram terem sido introduzidas pela CRISPR/Cas9. O efeito é um dos principais problemas de segurança com a edição da linha germinal pois estas mutações indesejadas podem ser danosas.

As taxas dessas mutações eram muito superiores que as observadas em estudos de edição genética em embriões de rato ou células humanas adultas. Huang salienta que a sua equipa provavelmente detectaram apenas um subconjunto destas mutações indesejadas pois o seu estudo apenas analisou o exoma. 

Para alguns, estes desafios técnicos apoiam os argumentos a favor de uma moratória sobre toda a investigação sobre a modificação da linha germinal humana, nomeadamente Edward Lanphier, presidente da Sangamo BioSciences de Richmond, Califórnia.

Como os embriões usados pela equipa de Huang foram inicialmente criados para fertilização in vitro e não para investigação, o trabalho já teria ultrapassado muitas das barreiras éticas que enfrentaria em muitos países, onde a manipulação de embriões humanos não é legal, acrescenta Tetsuya Ishii, estudioso de bioética na Universidade de Hokkaido em Sapporo, Japão.

A edição genética pode ajudar a responder a muitas questões básicas: por exemplo, alterar genes do desenvolvimento com a CRISPR/Cas9 pode ajudar a revelar a sua função. Também pode ser usada para modificar mutações específicas relacionadas com doenças num embrião, que seguidamente podia ser usado para produzir células estaminais embrionárias que agiriam como modelos em testes de medicamentos e outro tipo de intervenção em doenças. 

 

 

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