2015-04-29

Subject: Aquecimento global cria extremos estranhos

Aquecimento global cria extremos estranhos

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@ Nature/Cathal McNaughton/Reuters/Corbis

O aquecimento global  alterou profundamente as probabilidades de ondas de calor, precipitação e queda de neve extremas, relatam os investigadores na última edição da revista Nature Climate Change.

As alterações climáticas devidas às actividades humanas são actualmente o motor de 75% dos extremos diários de calor e 18% dos eventos de precipitação e queda de neve extremos, descobriu a equipa, alertando para o facto de a continuação do aquecimento global ir aumentar acentuadamente os riscos associados a esse tipo de clima.

Os investigadores analisaram os 'extremos moderados', que definiram como eventos que se espera que ocorram uma vez em cada mil dias nas actuais actuais.

“As alterações climáticas não 'provocam' qualquer evento único no sentido determinista", diz Erich Fischer, cientista climático no Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Zurique (ETH Zurique), e autor principal do estudo. “Mas uma atmosfera mais quente e mais húmida favorece claramente extremos de calor e humidade mais frequentes.”

Os investigadores descobriram que variações locais no clima já são grandes, apesar de a temperatura média global tenha subido apenas 0,85ºC desde o início da revolução industrial.

Esta descoberta concorda com pesquisas anteriores sobre o clima e os extremos climáticos. Um artigo publicado na Nature em 2011, por exemplo, revelou que as alterações climáticas duplicaram o risco de condições atmosféricas que produziram inundações catastróficas em Inglaterra e Gales em 2000. Um estudo anterior revelou o mesmo resultado para as condições que desencadearam a enorme onda de calor europeia em 2003.

A influência humana sobre os extremos moderados no estudo de Fischer deve aumentar com cada grau de subida da temperatura, revela a análise. Se o mundo aquecer 2°C acima dos níveis pré-industriais, as alterações climáticas antropomórficas seriam o motor de 40% dos extremos de precipitação e queda de neve e 96% dos extremos de calor, revelam os investigadores.

A probabilidade de um extremo de calor diário num mundo com 2°C de aquecimento é o dobro da que existiria num mundo com 1,5°C de aquecimento e cinco vezes maior da que existe nas condições actuais. "Quanto mais raro e mais extremo for um evento, maior é a fracção do risco que podemos atribuir ao aquecimento global", diz Fischer.

Ele e o seu co-autor Reto Knutti, também cientista climático no ETH Zurique, analisaram simulações de 25 modelos climáticos. Primeiro determinaram quantos eventos diários de calor e humidade extremos tinham ocorrido entre 1901 e 2005. Seguidamente compararam esses números com as simulações de modelos de frequência e severidade de clima extremo entre 2006 e 2100, segundo um cenário em que as emissões de gases de efeito de estufa permanecem altas.

A equipa não investigou com que severidade qualquer alteração afectaria as sociedades e os ecossistemas em diferentes partes do mundo. Mesmo assim, os resultados, que estão de acordo com o aumento observado de precipitação e calor extremos desde a década de 1950, formam um caso forte a favor dos esforços para manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, diz Fischer.

Os críticos alertam para o facto de os modelos climáticos existentes terem dificuldade em replicar as tendências na precipitação e queda de neve, levantando questões sobre o grau em que conseguem projectar com rigor a precipitação futura.

“Todos os eventos climáticos são influenciados por alterações no ambiente”, diz Kevin Trenberth, investigador climático no Centro Nacional de Investigação Atmosférica americano em Boulder, Colorado. “A perspectiva global que os autores fornecem ajuda mas nenhum dos modelos que usaram usam a precipitação de forma realista e alguns são mesmo muito maus nisso.”

Mas independentemente das incertezas dos modelos, o artigo é um forte lembrete aos decisores e ao público em geral de que as alterações climáticas podem ter efeitos dramáticos sobre a saúde e bem-estar humanos, diz Michael Oppenheimer, investigador de política climática na Universidade de Princeton em Nova Jérsia.

“O risco de morte prematura associada ao calor já aumentou e tem grande probabilidade de aumentar drasticamente no futuro. Claramente, os governos não devem apenas procurar abrandar o aquecimento global mas também devem preparar as sociedades para o aquecimento que irá inevitavelmente acontecer.”

 

 

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