2015-04-27

Subject: Ética de artigo sobre edição genética de embriões divide cientistas

Ética de artigo sobre edição genética de embriões divide cientistas

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@ Nature/Yorgos Nikas/Science Photo Library

Na sequência do primeiro relato de que os cientistas editaram o genoma de embriões humanos, os peritos não conseguem chegar a acordo sobre se o trabalho foi ético ou não. Também discordam sobre se os métodos estão prestes a tornar-se uma opção no tratamento de doenças.

O trabalho em questão foi liderado por Junjiu Huang, investigador da função genética na Universidade Sun Yat-sen em Guangzhou, China. A sua equipa usou uma técnica chamada CRISPR/Cas9 para cortar e substituir DNA em embriões não viáveis por terem sido criado a partir de óvulos fertilizados por dois espermatozóides. Eles publicaram um artigo na revista Protein & Cell confirmando rumores que já circulavam há meses de que os cientistas estavam a aplicar técnicas de edição genética a embriões humanos.

Em Março, os rumores desencadearam apelos a uma moratória sobre esse tipo de pesquisa: trabalhos com embriões humanos são polémicos pois, em princípio, qualquer alteração genética será passada às gerações futuras, um cenário conhecido por modificação da linha germinal.

Alguns pensam que a equipa de Huang já ultrapassou uma linha ética: “Nenhum investigador tem a autoridade moral para ignorar o acordo global contra as alterações na linha germinal humana”, diz Marcy Darnovsky, director-executivo do Centro de Genética e Sociedade de Berkeley, Califórnia, num comunicado.

Mas se as experiências desenvolvidas por Huang contam como modificações da linha germinal não é directo pois os embriões não podiam dar origem a um nado vivo. “Não é pior do que acontece na FIV a toda a hora, ou seja, embriões não viáveis são descartados", diz John Harris, bio-ético na Universidade de Manchester, Reino Unido. “Não vejo qualquer justificação para uma moratória nestas investigações", acrescenta ele. Huang diz ter escolhido embriões não viáveis precisamente para evitar preocupações éticas.

Outros dizem que a modificação de células da linha germinal pode ser aceitável se for apenas feita no contexto da investigação. George Daley, biólogo de células estaminais na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, salienta que a utilização da CRISPR/Cas9 e de outras ferramentas de edição genética em embriões humanos, óvulos e espermatozóides pode ser a resposta a muitas questões científicas básicas que nada têm a ver com aplicações clínicas.

Mais, uma moratória pode ser uma meta pouco realista. A modificação de embriões humanos é legal na China e em muitos estados americanos, apesar de os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) americanos proibirem a utilização de fundos federais nesse tipo de investigação. Questionado sobre se o estudo de Huang teria sido autorizado de acordo com as suas regras, o NIH diz que “provavelmente teria concluído que não financiaria esta pesquisa” e está a observar a tecnologia para ver se essas regras precisam de ser modificadas.

Outro ponto contencioso é o facto de a edição genética de Huang ter uma baixa taxa de sucesso. O sistema CRISPR/Cas9 supostamente corta e substitui apenas um gene responsável por uma doença do sangue mas a sua equipa relata que o genoma tinha adquirido mutações em muitos outros locais, o que pode introduzir outros problemas de saúde num embrião viável. Mais, a técnica falhou completamente na maioria dos embriões em que realizaram as experiências.

Edward Lanphier, presidente da Sangamo BioSciences em Richmond, Califórnia, co-autor de um comentário na revista Nature em Março onde apelava a uma pausa neste tipo de investigação, diz que estes desafios técnicos apontam para a falta de maturidade do campo e apoiam os argumentos a favor de uma moratória em toda a investigação de modificações na linha germinal humana. “Penso que o próprio artigo fornece todos os dados que mais ou menos tínhamos mencionado."

Mas George Church, geneticista na Faculdade de Medicina de Harvard, discorda de que a tecnologia esteja imatura. Ele considera que muitos dos problemas com este último trabalho, como as mutações fora do alvo no DNA, podiam ter sido evitadas ou minoradas se os investigadores tivessem usado os métodos mais actuais de CRISPR/Cas9.

Mesmo que existam efeitos secundários, ainda pode ser ético permitir que a técnica esteja disponível em clínicas, diz Harris. Para justificar a proibição da edição genética por razões de segurança, diz ele, seria preciso ter uma razão para a considerar perigosa mas também que esse perigo seria pior do que a própria doença genética. “Não é como se a alternativa fosse segura, as pessoas com doenças genéticas vão continuar a reproduzir-se.” Ele compara as preocupações com evitar fazer uma cirurgia por receio de complicações dela resultantes.

Hank Greely, bio-ético na Universidade de Stanford na Califórnia, salienta que há vários graus de preocupações de segurança. Uma situação em que os embriões tenham dificuldade em implantar-se e desenvolver no útero, por exemplo, pode originar questões éticas diferentes daquela em que há uma probabilidade significativa de a modificação resultar em alguma incapacidade.

Greely não está surpreendido com as discordâncias: “Acho que só apontam e aumentam a urgência para que haja conversações sobre o tema, é esperar demasiado, quase de certeza, que haja consenso.”

 

 

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