2015-04-23

Subject: Estudos com abelhas agitam debate sobre pesticidas

Estudos com abelhas agitam debate sobre pesticidas

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@ Nature/Maj Rundlöf

O caso a favor da restrição de uma controversa família de insecticidas está cada vez mais forte: dois estudos publicados a 22 de Abril na revista Nature dizem respeito a importantes questões sobre a ameaça que esses químicos colocam às abelhas e surgem no momento em que reguladores por todo o mundo se preparam para um novo debate sobre restrições a pesticidas.

Muitas populações de abelhas estão em acentuado declínio, havendo múltiplas causas identificadas, incluindo parasitas e perda de recursos alimentares. Também são culpados os neonicotinóides, uma classe de insecticidas largamente utilizada em sementes, acabando no pólen e no néctar das plantas.

A utilização nas sementes de três deles (clotianidina, imidacloprida e tiametoxam) está temporariamente banida na União Europeia devido às preocupações de que possam ser perigosos para os polinizadores mas essa proibição será revista em Dezembro. Nos Estados Unidos não existem essas restrições mas a Agência de Protecção Ambiental americana referiu a 2 de Abril que era "improvável" que aprovasse novas utilizações no exterior de neonicotinóides sem novos dados sobre as abelhas.

Até agora, os dados são confusos. Muitos estudos que associam a má saúde das colmeias aos pesticidas foram criticados, por exemplo, por não terem usado doses realistas. Alguns defensores dos pesticidas defendem que se os neonicotinóides são perigosos, as abelhas irão aprender a evitar as plantas com eles tratadas.

Geraldine Wright, neuro-etologista de insectos na Universidade de Newcastle, Reino Unido, investigou este aspecto. A sua equipa confinou abelhas melíferas Apis mellifera e abelhões Bombus terrestris a caixas e ofereceu-lhes a escolha entre néctar simples e néctar contendo imidacloprida, tiametoxam ou clotianidina. Os investigadores descobriram que as abelhas não revelaram qualquer preferência pelo néctar simples, de facto, os insectos escolhiam mais vezes o néctar com pesticidas, ainda que não seja claro se essa preferência ocorreria igualmente na natureza.

A equipa de Wright também analisou a resposta dos neurónios do paladar das abelhas aos neonicotinóides e descobriu que eles reagiam independentemente da concentração, indicando que as abelhas não conseguem detectar os pesticidas e que a preferência será causada por algum outro mecanismo. Outros estudos mostraram que os neonicotinóides activam receptores no cérebro das abelhas associados à memória e à aprendizagem.

Ao contrário do trabalho de Wright, o segundo artigo estudou abelhas melíferas e selvagens, incluindo abelhões, na natureza. Maj Rundlöf, ecologista na Universidade Lund na Suécia, analisou oito campos de colza semeados com sementes tratadas com clotianidina e outros oito campos semeados com sementes não tratadas por todo o sul da Suécia.

As abelhas não responderam de forma diferente nos campos tratados e não tratados mas os investigadores descobriram que a densidade de abelhas selvagens nos campos tratados era cerca de metade da presente nos campos não tratados. O crescimento de ninhos de abelhas solitárias e de colmeias de abelhões também se reduziram nos campos tratados: “Estou preocupada com os efeitos sobre as abelhas selvagens", diz Rundlöf.

Ela sugere que as abelhas melíferas têm colmeias maiores, que aguentam perdas superiores de obreiras antes de revelarem problemas globais de saúde mas isso sugere outro problema: “As abelhas melíferas são o organismo modelo usado nos testes de toxicidade dos pesticidas", diz ela. Se elas não são representativas das abelhas em geral, isso pode explicar a razão porque tantos estudos não detectaram os efeitos negativos.

Dave Goulson, uma investigadora de abelhas na Universidade de Sussex em Brighton, Reino Unido, também suspeita que as abelhas melíferas são mais resistentes que as abelhas selvagens aos neonicotinóides. O artigo de Rundlöf é “provavelmente o melhor estudo de campo feito até agora", diz ele, e evita muitos dos problemas anteriores, como os controlos contaminados. “Qualquer pessoa razoável terá que aceitar que este efeito é real”, acrescenta ele.

O debate está a aquecer: em Março, Goulson reanalisou dados de um estudo de 2013 feito pela Agência de Investigação para a Alimentação e o Ambiente do Reino Unido, que tinha concluído que os pesticidas neonicotinóides não são perigosos para as abelhas. Goulson descobriu que afinal são.

No mesmo mês, um trabalho americano descobriu que os danos prováveis devidos à exposição à imidacloprida em sementes de culturas tratadas era “negligenciável" nas abelhas melíferas e no ano passado um estudo feito no Canadá tinha chegado a uma conclusão semelhante para a clotianidina em sementes de colza.

Christopher Connolly, que estuda neurociência em humanos e abelhas na Universidade de Dundee, Reino Unido, e publicou um trabalho que mostrava que os neonicotinóides interferem com a função neuronal em abelhões, diz que já estar convencido que os pesticidas fazem mal às abelhas. Agora, “as questões precisas são as que fazem passar a um nível diferente", que elucidam os mecanismos.

 

 

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