2015-04-22

Subject: Ferramentas de pedra mais antigas que se conhecem colocam questões sobre os seus criadores

Ferramentas de pedra mais antigas que se conhecem colocam questões sobre os seus criadores

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/MPK/WTAP

As ferramentas de pedra mais antigas de que há registo podem ditar o fim da teoria de que o fabrico de ferramentas complexas começou com o género Homo. Os artefactos com 3,3 milhões de anos, revelados numa conferência na Califórnia na semana passada, são anteriores aos primeiros membros do Homo e sugerem que ancestrais hominídeos mais antigos tinham a inteligência e a destreza para criar ferramentas sofisticadas.

“Esta descoberta é um marco relativamente a um dos pontos evolutivos cruciais”, diz Zeresenay Alemseged, paleoantropólogo na Academia Californiana de Ciências em San Francisco, que esteve presente no encontro anual da Sociedade de Paleontologia em San Francisco.

Há mais de 80 anos o antropólogo Louis Leakey encontrou ferramentas de pedra na garganta de Olduvai na Tanzânia. Décadas depois, ele e a sua mulher Mary encontraram ossos de uma espécie que baptizaram Homo habilis. Isto levou a uma visão prevalecente de que a utilização de ferramentas de pedra começou com o Homo, um grupo que inclui os humanos modernos e os seus ancestrais altos e de cérebro grande.

As mais antigas destas ferramentas de Olduvai datam de há 2,6 milhões de anos, mais ou menos a idade dos primeiros fósseis Homo. Alterações climáticas que transformaram floresta densa em savana aberta pode ter catalizado o desenvolvimento de novas tecnologias por parte dos antigos humanos que lhes permitissem caçar herbívoros, diz a teoria.

Os chimpanzés e outros primatas não humanos usam pedras para partir nozes, por exemplo, mas as suas ferramentas não têm a qualidade das de Olduvai, que batiam as pedras umas contra as outras para quebrar lascas e deixar uma aresta aguçada.

Em 2010, Alemseged e a sua equipa relataram uma descoberta intrigante feita em Dikika na Etiópia. Eles viram marcas de corte em ossos com 3,4 milhões de anos, quando os Australopithecus afarensis percorriam o leste de África. Isto indiciava um fabrico ainda mais antigo de ferramentas de pedra. Outros investigadores questionaram a descoberta, atribuindo as marcas a quebras naturais ou a mordeduras de crocodilos.

Ciente desta controvérsia, uma equipa liderada por Sonia Harmand, da Universidade Stony Brook em Nova Iorque, decidiu em 2011 descobrir ferramentas com mais de 3 milhões de anos, num local a oeste do lago Turkana na Tanzânia. Num dia de Julho, a equipa enganou-se no caminho e descobriu um local interessante e ao final da tarde já tinham pedaços de rocha que pareciam lascas de manufactura. Escavações cuidadosas revelaram 19 artefactos enterrados. Um achado crucial foi uma pequena lasca de rocha, que encaixava perfeitamente num núcleo rochoso enterrado, confirmando que as ferramentas foram feitas pelo processo de retirar lascas.

As ferramentas encontradas pela equipa de Harmand datam de há cerca de 3,3 milhões de anos e são muito maiores que os artefactos de Olduvai, alguns pesam até 15 Kg. A equipa concluiu que as ferramentas representam uma cultura distinta, que apelidaram Lomekwiana, pelo local onde foram descobertas. “Lomekwi marcam um novo começo para o registo arqueológico conhecido”, disse Harmand no encontro.

Fósseis de hominídeos e os ossos de animais com marcas de corte não foram encontrados no local, pelo que a equipa não pode dizer ainda quem fabricou as ferramentas ou como foram utilizadas mas a sua descoberta pode ser o golpe fatal na já frágil ideia de que o fabrico de ferramentas complexa começou com o Homo.

Harmand sugere que espécies anteriores, como a Kenyanthropus platyops, ossos da qual foram encontradas na costa oeste do lago Turkana, e a A. afarensis, podem ter fabricado ferramentas. As ferramentas de Lomekwi foram produzidas num meio florestal, o que também questiona a ideia de que a paisagem aberta teria catalizado o uso de ferramentas, diz Harmand.

Alemseged vê as ferramentas Lomekwi como uma forma de justiça para a controversa descoberta da sua equipa. A sua colega Jessica Thompson, arqueóloga na Universidade Emory de Atlanta, Georgia, apresentou uma análise de outros ossos de animais de Dikika, mostrando que nenhum apresentava as marcas relatadas em 2010, sugerindo que estas teriam sido feitas por algo diferente de animais e desgaste, ou seja, provavelmente por ferramentas.

 

 

Saber mais:

Neanderthal ganha vizinho humano

Sequenciado genoma do humano mais antigo que se conhece

DNA de hominídeo intriga peritos

Misterioso grupo apimentou a vida sexual dos humanos antigos

Crânio sugere que três espécies ancestrais do Homem eram apenas uma

Maioria dos europeus partilha ancestrais recentes

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2015


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com