2015-04-16

Subject: Mutações cancerosas frequentemente mal identificadas nas clínicas

Mutações cancerosas frequentemente mal identificadas nas clínicas

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@ Nature/Saul Loeb/AFP/Getty

Muitos pacientes com cancro em clínicas por todos os Estados Unidos podem estar a receber informação incorrecta das análises de DNA que têm como objectivo encontrar-lhes a terapia mais eficaz.

A descoberta, publicada na última edição da revista Science Translational Medicine a 15 de Abril, surge quando as companhias estão cada vez mais focadas em produzir medicamentos que têm como alvo mutações específicas causadoras de cancro. A procura por sequenciação tumoral disparou à medida que os médicos tentam encontrar o tratamento melhor ajustado ao combate o conjunto particular de mutações tumorais do paciente.

Mas muitas clínicas sequenciam apenas o DNA do tumor e não comparam essas sequências com o DNA de tecidos normais do paciente. A omissão desse controlo crucial erode a precisão da avaliação de que mutações são importantes para o tratamento de um dado cancro, diz Victor Velculescu, biólogo do cancro na Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, e autor principal do estudo.

“Há uma pressa em fazer isto clinicamente e aplicá-lo ao tratamento do paciente sem pensar sobre qual será o melhor controlo”, diz Velculescu. “Pode-se estar a usar essa informação para colocar os pacientes numa terapia inadequada.”

Velculescu considera essas considerações particularmente importantes no momento em que os decisores ponderam o apelo do presidente Barack Obama a que sejam atribuídos US$215 milhões à Iniciativa Medicina de Precisão, que tem como objectivo envolver um milhão de pessoas num estudo que combinará dados genómicos e de saúde.

 A realidade é que não se pode ter medicina de precisão sem ter genómica de precisão”, diz Velculescu. “E não se pode esperar colocar pacientes na terapia correcta se não se consegue analisar correctamente o tumor, simplesmente não vai funcionar."

Velculescu fez o perfil de DNA normal e tumoral de 815 pessoas com cancros avançados. A sua equipa testou dois métodos vulgares de análise de DNA tumoral: sequenciação de todos os genes codificadores de proteínas numa amostra e a sequenciação de um conjunto menor de 111 genes que se acredita estarem associados ao cancro.

Das amostras em que todos os genes codificantes foram sequenciados, cerca de dois terços das mutações encontradas eram falsos positivos, o que significa que também se encontravam em células normais e, por isso, era improvável que fossem alvos terapêuticos úteis.

O mesmo aconteceu com cerca de um terço das mutações descobertas quando se sequenciava apenas os 111 genes.

Algumas instituições já começaram a sequenciar tanto os tecidos normais, como os cancerígenos: Michael Berger, investigador do cancro no Centro do Cancro Memorial Sloan Kettering em Nova Iorque, diz que o programa que usam já analisou DNA de tumores e tecidos normais de mais de 4 mil pacientes, focando-se num conjunto de 400 genes.

Mas Berger acrescenta que as sequenciações extra são um fardo importante: o procedimento é mais caro e exige mais educação do paciente. Dado que as mutações presentes em tecidos normais podem também estar presentes nas células sexuais, os pacientes têm que considerar as implicações para a sua família e têm que assinar um formulário de consentimento diferente.

Tem valido a pena o esforço acrescido para obter a qualidade e riqueza dos dados, diz Berger. Mas ele compreende que outros laboratórios, particularmente os que são novatos na sequenciação do cancro, possam não estar preparados para arcar com ele. “Sequenciar tumores desirmanados é melhor do que não sequenciar de todo.”

 

 

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