2015-04-15

Subject: Poluentes deslizam sobre os Himalaias

Poluentes deslizam sobre os Himalaias

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@ Nature/Jeff Schmaltz, LANCE MODIS Rapid Response/NASA

Os poluentes no gelado planalto Tibetano, que absorvem radiação solar e aceleram o degelo da neve e do gelo, sabe-se que chegam a vir de locais tão distantes como África ou Europa mas um novo trabalho de investigadores chineses vem agora sugerir que um nevoeiro acastanhado de poluição de fogos florestais, desmatamento de terrenos para agricultura e fogões domésticos no sul da Ásia também está a contribuir para o problema. Este nevoeiro desliza sobre os Himalaias e permanece no planalto, relatam eles.

“Muitas pessoas assumem que os poluentes se acumulam na encosta sul dos Himalaias e não passariam daí por as montanhas seres tão elevadas”, diz Cong Zhiyuan, perito ambiental no Instituto de Investigação do Planalto Tibetano da Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

Já existiam sinais indirectos de que a poluição podia viajar sobre e em redor da cordilheira: por exemplo, amostras de núcleos gelados obtidas na zona sudeste do planalto Tibetano mostram um aumento das concentrações de cinzas desde que a Índia começou o seu rápido crescimento industrial.

Em dois estudos, um publicado na semana passada e outro no início deste ano, Cong relata evidências mais definitivas de que os Himalaias não bloqueiam a passagem da poluição vinda do sul: ele descobriu tipos e concentrações semelhantes de poluentes nos lados norte e sul do Evereste.

Os investigadores não sabem em que grau os poluentes que ultrapassam os Himalaias contribuem para a carga total de cinzas e outros produtos de combustão ricos em carbono descarregados no planalto Tibetano mas a contribuição do sul da Ásia tem sido uma questão acaloradamente debatida, diz Veerabhadran Ramanathan, perito atmosférico na Instituição Scripps de Oceanografia de La Jolla, Califórnia. “Esta é uma descoberta muito importante."

A equipa de Cong realizou medições semanais de Agosto de 2009 a Julho de 2010 na Estação de Observação e Investigação Atmosférica e Ambiental de Qomolangma, localizada a 4276 metros acima do nível do mar, na encosta norte do Evereste. Os investigadores dizem que as concentrações e componentes químicos dos poluentes eram semelhantes ao capturados na encosta sul da montanha, no Observatório Climático do Nepal em Pyramid Station, 5079 metros acima do nível do mar. Ambas as estações fazem parte da Rede Robótica do Aerossol (AERONET) de observatórios, que permite um seguimento standard da poluição.

A poluição incluía compostos orgânicos e iões sulfato, assinaturas de biomassa queimada como no caso de fogões caseiros alimentados a lenha ou fogos florestais. Os níveis de poluentes eram altos em momentos em que os satélites da NASA detectaram fogos florestais ou a queima de campos agrícolas no sul asiático.

Mostrar que as impressões digitais da poluição são semelhantes em ambos os lados da montanha é “um passo em frente", diz Ramanathan, mas ele não tem a certeza que as evidências da passagem através dos Himalaias sejam conclusivas. Os poluentes podem ser levados do leste da China ou ser o resultado da queima de biomassa noutras zonas do planalto, sugere ele.

Cong está mais confiante, ele refere que há pouca queima de biomassa no planalto e os ventos prevalentes tendem a soprar de sul e de oeste, tornando uma origem no leste da China improvável. A sua equipa também relata que os ventos dos vales do lado sul do Evereste supram em direcção ao cume durante o dia, enquanto os do lado norte sopram em direcção à base da montanha. Essa combinação é invulgar (normalmente os ventos dos vales sobem as encostas durante o dia e descem-nas à noite) e pode estar a funcionar como um canal de passagem para os poluentes do sul da Ásia, diz ele.

“Independentemente da origem dos poluentes, o estudo fornece provas convincentes de que são devidos à queima de biomassa”, diz Ramanathan. “Temos que acentuar o esforço global para reduzir drasticamente a queima de biomassa o mais depressa possível.”

 

 

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