2015-04-13

Subject: Anticorpo promissor no tratamento do HIV

Anticorpo promissor no tratamento do HIV

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@ Nature/NIAID

Tratar o HIV com um anticorpo pode reduzir os níveis do vírus no corpo dos pacientes, pelo menos temporariamente, relatam os cientistas na edição de 8 de Abril da revista Nature.

A abordagem, apelidada imunização passiva, envolve a transferência de anticorpos para o sangue da pessoa infectada. Vários testes em humanos estão em curso e os investigadores esperam que a abordagem possa ajudar a prevenir, tratar e até mesmo curar o HIV. O trabalho é um marco no caminho para esses objectivos, diz Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos em Bethesda, Maryland: “Trata-se de um estudo preliminar mas com resultados impressionantes."

Os investigadores testaram quatro doses diferentes de um anticorpo contra o HIV chamado 3BNC117 em 29 pessoas nos Estados Unidos e na Alemanha. Dezassete dos participantes tinham HIV, dos quais 15 não estavam a tomar medicamentos anti-retrovirais no momento do estudo. Uma infusão da maior dose do anticorpo, dada a 8 dos participantes, reduziu a quantidade do vírus no seu sangue entre 8 e 250 vezes durante 28 dias.

Mas ainda há muito trabalho a fazer para determinar se a abordagem consegue produzir efeitos a longo prazo e se será prática na sua utilização clínica.

Estudos anteriores mostraram que a imunização passiva consegue reduzir os níveis de HIV no sangue em macacos e ratos, apesar de a abordagem não ter funcionado tão bem em humanos. Mas os anticorpos usados nesses testes clínicos anteriores eram de uma geração anterior, que não conseguiam neutralizar muitas estirpes diferentes de HIV. Os investigadores passaram grande parte da última década a tentar encontrar 'anticorpos neutralizadores de largo espectro' que fossem genericamente mais eficazes contra o vírus e o 3BNC117 pertence a esta classe.

O preço do tratamento com esta abordagem também é uma preocupação. Os anticorpos podem custar milhares de euros em cada etapa do tratamento e a maioria das pessoas com HIV está em países com rendimentos médios ou baixos, alguns dos quais já estão em conflito com com as farmacêuticas devido ao elevado custo dos medicamentos com anticorpos. “A exequibilidade, utilidade e eficácia desta abordagem são questões abertas", diz Mitchell Warren, director-executivo da AVAC, uma organização global que defende a prevenção do HIV com sede em Nova Iorque.

Mesmo com anticorpos melhorados, os investigadores ainda enfrentam um problema vexatório: o HIV muta rapidamente à medida que se replica no corpo humano, o que pode reduzir a eficácia destes tratamentos ao longo do tempo. Os autores do estudo descobriram que isso era verdade para o único anticorpo que testaram.

Em duas das pessoas que receberam a dose maior do 3BNC117, o anticorpo tornou-se cerca de 80% menos eficaz a neutralizar o HIV após 28 dias de tratamento, provavelmente porque o vírus alterou a sua forma para escapar ao anticorpo.

Em resultado, é improvável que um único anticorpo possa tratar as pessoas com HIV, diz o autor principal do estudo, Michel Nussenzweig, médico de doenças infecciosas e imunologista na Universidade Rockefeller em Nova Iorque. Em vez disso, as terapias podem usar combinações de anticorpos e o grupo de Nussenzweig já produziu um segundo anticorpo contra o HIV e espera testá-lo, sozinho e em combinação com o 3BNC117, ainda este ano.

“O objectivo é obter uma injecção anual para prevenção e uma abordagem combinada para a cura”, diz ele, acrescentando que esta abordagem com imunoterapia ao tratamento do HIV se assemelharia a tratamentos agora usados contra o cancro.

Depender de combinações de anticorpos irá, no entanto, aumentar os custos dos tratamentos de imunização passiva para o HIV mas Warren diz que isso não é necessariamente inultrapassável, salientando que campanhas de pacientes e concessões por parte das farmacêuticas ajudaram a reduzir os elevados custos da medicação anti-retroviral ao longo das duas últimas décadas. “Algumas pessoas diriam há 10 ou 15 anos que esses medicamentos não seriam sustentáveis igualmente", acrescenta ele.

 

 

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