2015-04-11

Subject: Gorilas da montanha encurralados num efeito gargalo genético

Gorilas da montanha encurralados num efeito gargalo genético

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@ Nature/Gorilla Doctors/UC Davis

Kaboko, um gorila da montanha, teve um início de vida muito duro: em 2007 o órfão de 3 anos de idade ficou preso na armadilha de um caçador furtivo na República Democrática do Congo. Os que o salvaram foram forçados a amputar-lhe a mão para lhe tratar os ferimentos, pelo que o baptizaram com um nome que significa “aquele a quem falta um braço” na linguagem local.

Kaboko morreu em 2012 mas o seu DNA permanece e os investigadores usaram essa, e a de seis outros animais, informação para construir a primeira sequência genómica completa do gorila da montanha Gorilla beringei beringei, que relatam na última edição da revista Science juntamente com o genoma do seu primo próximo, o gorila das terras baixas oriental Gorilla beringei graueri. Os dados podem ajudar os conservacionistas a reduzir o suplício do criticamente ameaçado gorila da montanha, que actualmente apenas sobrevive apenas na África central.

O genoma revela que a diversidade genética de ambas as subespécies tem vindo a reduzir-se desde há 100 mil anos. Isso é surpreendente, diz Ajit Varki, biólogo molecular na Universidade da Califórnia, San Diego. “Temos animais que não têm predadores e têm fornecimento de alimento fácil, pode-se dizer que têm tudo a seu favor, e no entanto têm sido fortemente pressionados”, diz ele. Alguma dessa pressão provavelmente pode ser atribuída a alterações naturais na extensão das florestas centro-africanas e alguma à emergência dos seres humanos mas Varki diz que o equilíbrio relativo destes factores no passado distante é difícil de determinar.

O impacto mais recente do Homem já é claro. A forte caça levou ao declínio da população de gorilas para menos de 300 animais por volta de 1970. O seu número subiu, desde então, para mais de 800, graças aos esforços de conservação promovidos por investigadores de primatas como Dian Fossey.

Ainda assim, o último estudo revela que a diversidade genética dos gorilas do oriente permanece baixa. Os cromossomas homólogos de um gorila da montanha tipicamente têm a mesma sequência genética em 34,5% do seu comprimento. O número nos gorilas das terras baixas orientais é ainda maior, 38,4%. Ambas as subespécies têm uma diversidade genética muito inferior à dos gorilas das terras baixas ocidental Gorilla gorilla, com 13,8% de sequências partilhadas ou até mesmo de crianças filhas de primos em primeiro grau (11%).

O gorila não é o primeiro primata não humano a ter o seu genoma completamente sequenciado, esse foi o chimpanzé Pan troglodytes em 2005. Mas os gorilas da montanha estão entre os primatas mais difíceis de estudar pois, ao contrário de outros grandes símios, não há gorilas da montanha em cativeiro. Na natureza, os animais encontram-se apenas em dois locais: no maciço do vulcão Virunga e na floresta impenetrável Bwindi, dois habitats distanciados cerca de 30 Km entre si e que atravessam as fronteiras da República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda.

Os investigadores passaram seis anos à espera de permissão para estudar amostras de sangue de gorilas da montanha recolhidas pela Gorilla Doctors, uma organização de caridade que trata gorilas selvagens feridos. O atraso foi causado pela exigente papelada pedida pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens, um tratado que governa o fluxo desse tipo de materiais.

Mas a longa espera trouxe alguns benefícios: “A tecnologia e o nosso conhecimento de genética melhoraram muito nesse período de tempo", diz Peter Sudmant, geneticista na Universidade de Washington em Seattle e co-autor do estudo. Em resultado, o genoma do gorila da montanha tem melhor qualidade do que os genomas anteriormente publicados de outras subespécies de gorila.

O genoma completo do gorila da montanha vai ajudar os conservacionistas a determinar o grau em que os efeitos gargalo genéticos aumentaram a susceptibilidade às doenças nestes animais e reduziram a sua capacidade de lidar com alterações ambientais.

“Para além de serem tão poucos, estes gorilas reproduzem-se muito lentamente e a população cresce apenas cerca de 1% ao ano”, diz Damien Caillaud, investigador no Fundo Internacional Dian Fossey para os Gorilas, um grupo conservacionista de Atlanta, Georgia. “Isso significa que, se não tivermos cuidado, os números podem muito facilmente inverter-se.”

 

 

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