2015-04-10

Subject: Oceanos ácidos associados à maior extinção de sempre

Oceanos ácidos associados à maior extinção de sempre

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@ Nature/Florilegius/SSPL/Getty

O maior evento de extinção ocorreu numa sucessão de dois golpes mortíferos há 252 milhões. Uma investigação agora conhecida vem agora sugerir que o segundo golpe de extinção, durante o qual praticamente todas as espécies marinhas desapareceram do planeta, ocorreu no seguimento de enormes erupções vulcânicas que lançaram quantidades astronómicas de dióxido de carbono e tornaram os oceanos mais ácidos.

O trabalho, publicado na última edição da revista Science, é a mais recente tentativa de determinar as causas da 'Grande Mortandade' do final do período Pérmico. O estudo usa evidências químicas presentes nas rochas desse período para calcular a rapidez com que a química oceânica se alterou.

Vulcões siberianos vomitaram tanto CO2 num curto período de tempo que os oceanos simplesmente não o conseguiram absorver na totalidade, diz o líder da equipa de investigadores Matthew Clarkson, geoquímico na Universidade de Otago em Dunedin, Nova Zelândia. No espaço de apenas 10 mil anos, os níveis de pH afundaram-se completamente, pelo menos em alguns dos oceanos.

“Há havia uma enorme pressão sobre a vida nos oceanos", diz Clarkson. “E subitamente temos o que parece ser uma erupção vulcânica rápida, o golpe final que conduziu a acidificação.”

Actualmente, os oceanos estão a tornar-se mais ácidos em resultado das enormes quantidades de CO2 produzidos pelas actividades humanas como a queima de combustíveis fósseis. O pH médio caiu 0,1 unidades desde o início da Revolução Industrial e a Grande Mortandade pode representar o pior cenário para o futuro, se as emissões de CO2 continuarem a aumentar, diz Clarkson.

Outros investigadores propuseram todo o tipo de ideias para a causa da extinção do final do Pérmico, desde oceanos privados de oxigénio ao microrganismos produtores de metano. Os concorrentes mais fortes incluíam os vulcões siberianos e os oceanos ácidos, separadamente ou em sequência, como descreve este novo estudo. Em 2010, um estudo que examinava isótopos de cálcio em rochas antigas revelou que os oceanos se tornaram mais ácidos no final do período Pérmico.

Mas o estudo mais recente mede o pH da forma mais directa de sempre, diz Clarkson. A sua equipa analisou a razão de isótopos de Boro em rochas do Pérmico nos Emirados Árabes Unidos. O Boro exista na água do mar em duas formas, cuja quantidade relativa é controlada pelo grau de acidez ou alcalinidade da água. Ao medir os níveis de cada isótopo de Boro, os investigadores puderam calcular directamente o pH da água que antes cobria estas rochas marinhas.

A equipa observou pouca variação nos níveis de acidez durante a primeira fase da extinção pérmica, que durou cerca de 50 mil anos, mas durante a segunda fase, muito mais rápida, os níveis de pH caíram cerca de 0,7 unidades ao longo de 10 mil anos, diz Clarkson.

Provavelmente isso aconteceu porque os vulcões siberianos estavam a emitir tanto CO2 tão rapidamente, defendem os investigadores: “É uma alteração tão rápida que os oceanos não conseguiram amortecer o aumento de CO2”, diz Clarkson.

Mas muitas questões permanecem. A equipa não consegue explicar concretamente o que causou a primeira fase da extinção, que parece ter acontecido antes do início das erupções e precisa de confirmar se as rochas marinhas do Pérmico de outras partes do mundo, e não apenas nos Emirados Árabes Unidos, também revelam a mesma acidificação oceânica abrupta durante a segunda fase da extinção.

“Ainda temos muito trabalho pela frente”, diz Clarkson. “Toda a gente quer a arma na mão do assassino nestas coisas."

Andy Ridgwell, perito em sistemas terrestres na Universidade de Bristol, concorda: "Em princípio a abordagem é boa mas pode haver diferentes explicações para o que estamos a observar.” O fim do Pérmico foi tão complicado geoquimicamente, diz ele, que destrinçar os vários factores pode demorar ainda algum tempo.

 

 

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