2015-04-08

Subject: Climatólogos a físicos: o planeta precisa de vós!

Climatólogos a físicos: o planeta precisa de vós!

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@ Nature/MODIS Atmosphere Science Team/Reto Stockli, NASA's Earth Observatory

A ciência climática precisa de mais matemáticos e físicos, dizem climatólogos proeminentes que tentam atrair os novos investigadores para este campo. Eles são essenciais para ajudar a resolver mistérios cruciais para a criação de modelos do clima e, potencialmente, salvar o planeta, como a formação das nuvens.

Há a ideia errada que os principais desafios da ciência climática física estão resolvidos mas “isso não é verdade", diz Sandrine Bony, investigadora climática no Laboratório de Meteorologia Dinâmica de Paris. “De facto, aspectos essenciais da física das alterações climáticas são muito mal percebidos."

Na semana passada, na revista Nature Geoscience, a equipa de Bony delineou quatro das questões principais do campo, incluindo como as nuvens e o clima interagem e de que forma a posição da cintura de chuvas tropicais e o percurso das tempestades de média latitude podem alterar-se num mundo em aquecimento. Estas questões serão melhor abordadas, diz Bony, criando simulações climáticas mais realistas, uma abordagem que ela espera seja apelativa para os físicos.

A percepção de que a ciência climática está 'resolvida' é o resultado inadvertido da pressão sobre os climatólogos para que transmitam uma mensagem simples ao público (por exemplo, que todas as regiões secas se tornarão ainda mais secas e as húmidas serão ainda mais húmidas num clima em aquecimento), diz Forster, modelador climático na Universidade de Leeds, UK.

“Viramo-nos rapidamente para as implicações políticas do nosso trabalho e esquecemos a ciência básica”, acrescenta Bjorn Stevens, director do Instituto Max Planck de Meteorologia em Hamburgo e co-autor do artigo da Nature Geoscience. Apesar dos climatólogos concordarem em aspectos básicos, por exemplo que as alterações climáticas são essencialmente antropogénicas, persistem grandes incertezas na 'sensibilidade climática', o aumento da temperatura média global causado por uma dada subida na concentração de dióxido de carbono.

Como Bony defende, compreender de que forma o aquecimento global pode afectar o coberto de nuvens, que influencia a quantidade de luz solar reflectida pelo planeta e o ciclo energético da Terra, é crucial para a compreensão dessas incertezas. A maior fraqueza dos modelos climáticos actuais é a sua capacidade limitada para simular a convecção através da qual o ar húmido sobe na atmosfera e conduz a formação das nuvens e da precipitação. 

Construir modelos melhores sobre nuvens exige um enorme poder computacional, bem como pessoas com profundo conhecimento da física do clima combinado com capacidades de modelação numérica. Mas há muito pouca gente a desenvolver algoritmos para computador que melhorem os modelos climáticos, diz Christian Jakob, investigador atmosférico na Universidade Monash em Clayton, Austrália.

Os físicos concordam que a climatologia é pouco atractiva para os estudante de Física: "Poucos e raramente os melhores escolheriam fazer uma tese de doutoramento em climatologia", diz Thierry Fichefet, físico e modelador climático na Universidade Católica de Leuven na Bélgica. “Os físicos talentosos geralmente optam por campos mais glamorosos como a astronomia, a cosmologia ou a física de partículas."

Muitos físicos aplaudem o esforço de Bony para aumentar o interesse na climatologia mas resta saber se os estudantes de Física irão responder ao seu apelo.

 

 

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