2004-07-03

Subject: Catástrofe do Aral registada no DNA 

News of the Wild

 

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Catástrofe do Aral registada no DNA 

 

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Renascem os receios com a saúde das populações que vivem nas proximidades do moribundo Mar Aral, na Ásia central. Um novo estudo revelou altas taxas de danos no DNA, o que pode explicar o elevado número de casos de cancro na região.

Este estudo surge quando as últimas estimativas mostram que o Mar Aral está a recuar tão rapidamente que deve desaparecer totalmente dentro de 15 anos. Em tempos, o quarto maior lago do mundo, o Aral foi condenado por um plano de irrigação mal gerido, que fornece água a culturas de algodão.

O Aral é o exemplo perfeito de uma catástrofe ecológica e humana causada pelo Homem, com as suas margens secas e incrustadas de sal. De facto, o Aral já não pode ser considerado uma única entidade pois no final dos anos 80 do século passado o nível das águas desceu de tal forma que agora está dividido em duas zonas. Nos últimos 8 anos, o Aral desceu mais 5 metros e espera-se em breve a confirmação de que a maior dessas duas partes se terá novamente dividido. 

um mar de sal é o que restaO que resta do recuo das águas é uma visão de apocalipse ambiental: vastas áreas de deserto carregado de sal e queimado por uma mistura de resíduos químicos tóxicos, arrastados ao longo de décadas das plantações em redor pelos rios que o alimentavam. 

Há muito que as brisas frescas desapareceram de Muynak, uma cidade portuária sede da maior fábrica de transformação de pescado da União Soviética e movimentado porto pesqueiro.  Agora, o mar apenas se alcança após um dia de viagem através do deserto. Não há empregos e mesmo a água de consumo doméstico é perigosamente salgada.

A poeira é levada pelo vento para todo lado, transportando toxinas que entram na cadeia alimentar, com devastador impacto na saúde pública: a má-nutrição é campo fértil para a proliferação da anemia e da tuberculose. 

Mas o mais alarmante é a taxa de incidência de um tipo particular de cancro, o cancro do esófago, a mais alta do mundo. Mais de 80% das vítimas de cancro na região sofrem deste tipo de cancro. 

Há anos que se suspeitava do pesticidas e herbicidas, usados intensivamente nos campos de algodão a sul do Aral, e agora novas pesquisas parecem confirmar essa suspeita. 

O doutor Spencer Wells, da National Geographic Society e antigo membro da Oxford University's Wellcome Trust Centre for Human Genetics, estudou amostras de DNA retiradas da população local e descobriu danos genéticos Algodão, o "ouro branco" generalizados. O estudo focou especialmente o nível de um marcador genético conhecido por 8-OHdG e mostrou taxas de dano 3,5 vezes mais elevadas que as encontradas em amostras recolhidas nos Estados Unidos. Em trabalhadores do campo, os mais próximos dos químicos agrícolas, a taxa de dano atingia as 5 vezes mais elevada. 

 

De acordo com Wells, as implicações desta situação podem fazer-se sentir durante muito tempo. Esta situação significa que não só as pessoas têm maior probabilidade de sofrer de cancro, mas também os seus netos e bisnetos, refere Wells.

Ainda não é claro se as mutações presentes nos adultos estão a ser passadas às gerações seguintes, são necessários mais estudos para clarificar essa situação. 

Um desses pacientes é Saparbey Kazahbaev, biólogo de 61 anos que passou os últimos 30 a estudar os efeitos do recuo do Aral. Está agora a recuperar de uma cirurgia que lhe removeu um tumor no esófago. Para ele, os sais venenosos no ar têm um duplo impacto sobre o Homem: entram no sistema respiratório e na cadeia alimentar, através dos animais e plantas que são comidos.

O governo do Uzbequistão, no entanto, nega que tenha um sério problema de saúde pública em mãos. Questionado sobre a manutenção das culturas de algodão, responsável pelo desaparecimento da água que alimentava o Aral e pelos químicos tóxicos, responde que o algodão é o maior produto de exportação do país. 

As entidades oficiais referem que o fim das culturas de algodão ainda tornaria pior o problema da saúde pública e os estômagos ficariam vazios, não temos alternativa, concluem. 

Assim, os campos de algodão continuam, o Aral morre e os hospitais mal conseguem responder às exigências, com a maior taxa de mortalidade infantil da zona da antiga União Soviética. 

O Aral recuou entre 100 e 150 Km a partir das suas antigas margens, a pesca (com capturas da ordem das 44000 toneladas por ano) desapareceu totalmente e 42000 Km2 de novo deserto salgado surgiram desde 1966.

 

 

Saber mais:

Cronologia do recuo do Aral

Aral Sea Basin

Global Land Cover Facility

Aral Sea - Earth Observatory

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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