2015-04-03

Subject: Mutações tumorais usadas para criar vacina contra o cancro

Mutações tumorais usadas para criar vacina contra o cancro

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@ Nature

Vacinas feitas a partir de proteínas mutadas encontradas em tumores provocaram respostas imunitárias ao cancro num pequeno teste clínico.

Os resultados, publicados a 2 de Abril na revista Science, são os mais recentes de um crescente corpo de investigação a gerar terapias personalizadas contra o cancro. Neste caso, três pessoas com melanoma receberam vacinas concebidas para alertar o sistema imunitário para a presença de proteínas mutadas nos seus tumores.

É demasiado cedo para se dizer se resposta imunitária resultante será suficiente para se sobrepor ao crescimento tumoral mas o teste é uma prova crucial do conceito, diz Ton Schumacher, investigador do cancro no Instituto Holandês do Cancro em Amesterdão. “Não sabemos realmente até que ponto a resposta imunitária tem que ser forte para ser clinicamente significativa. Ainda assim, é um passo importante.”

O cancro é uma doença genética, conduzida por mutações que cancelam os bloqueios à proliferação celular mas as proteínas mutadas produzidas pelas células cancerosas podem servir como uma sirene de alarme para as células imunitárias, assinalando a presença de uma célula que se tornou, de certa maneira, estranha.

Infelizmente, muitas destas células passam despercebidas. alguns tumores suprimem as defesas imunitárias próximas e as proteínas tumorais mutadas podem não ser expressadas a níveis suficientemente elevados para desencadear acções imunitárias. Há muito que os investigadores sonham usar essas proteínas mutadas para criar uma vacina, diz a imunologista Beatriz Carreno, da Universidade de Washington em St. Louis, Missouri, mas não tinham a tecnologia para o fazer.

O advento da sequenciação do genoma do cancro e uma melhor compreensão do funcionamento do sistema imunitário convergiram para tornar essa abordagem possível. No ano passado, dois grupos de investigação mostraram que esse tipo de vacina pode funcionar em ratos. Carreno levou agora essa abordagem aos humanos.

Os investigadores sequenciaram genomas de tumores em amostras obtidas de três pessoas com melanoma e catalogaram as proteínas mutadas em cada amostra. Escolheram sete fragmentos proteicos por paciente para usar na vacina.

Os glóbulos brancos foram retirados de cada paciente e cultivados em laboratório para produzirem as células dendríticas imunitárias. Estas células foram, de seguida, expostas aos fragmentos proteicos, amadureceram em laboratório e transferidas para os pacientes.

Por essa altura, as células dendríticas tinham absorvido os fragmentos proteicos e eram capazes de os apresentar às células imunitárias no corpo. O resultado: células imunitárias treinadas para ter como alvo as proteínas mutadas produzidas pelo tumor. Essas células imunitárias eram evidentes no sangue dos pacientes duas semanas após a vacinação.

Os investigadores tentam há décadas desenvolver vacinas contra o cancro mas os primeiros sinais de sucesso têm tido tendência a dar lugar a desapontamento nos testes clínicos de maior dimensão. O mesmo pode ser verdade neste caso mas há razões para ser optimista, diz Schumacher.

As vacinas do passado foram feitas com proteínas que também podem ser encontradas em células normais mas que eram simplesmente mais abundantes nos tumores. O sistema imunitário está treinado para tolerar essas proteínas, logo as respostas a elas continuaram fracas, mesmo depois da vacinação.

Neste caso, as proteínas não se encontram em células normais e por isso devem desencadear uma resposta mais forte, salienta ele. Carreno acrescenta que as vacinas anteriores geralmente envolviam apenas uma proteína associada ao cancro e as suas baseiam-se em sete.

Carreno pensa que esta abordagem também poderá funcionar noutros tipos de cancro que contenham muitas mutações, como os tumores do cancro, cólon e bexiga. Apesar de o procedimento ser complicado, as farmacêuticas revelaram interesse em desenvolver terapias complexas e personalizadas contra o cancro. “A identificação de proteínas mutadas vai tornar-se mais eficiente com o tempo", diz Carreno. “Esta terapia não é mais complicada que outras que estão a gora a ser considerada.”

 

 

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