2015-04-02

Subject: Pobreza encolhe o cérebro desde o nascimento

Pobreza encolhe o cérebro desde o nascimento

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@ Nature

O stress de crescer pobre pode causar danos ao desenvolvimento do cérebro de uma criança, danos que têm início antes mesmo do nascimento, sugere pesquisa agora conhecida, e mesmo diferenças menores no rendimento podem ter efeitos importantes no cérebro.

Há muito que os investigadores suspeitavam que o comportamento e as capacidades cognitivas das crianças estão associadas ao estatuto socioeconómico, particularmente para os muito pobres. As razões nunca foram claras, ainda que lares com ambientes stressantes, a nutrição fraca, a exposição a químicos industriais e a falta de acesso a uma boa educação são frequentemente citados como possíveis factores.

No maior estudo do seu tipo, publicado a 30 de Março na revista Nature Neuroscience, uma equipa liderada pelas neurocientistas Kimberly Noble, da Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, e Elizabeth Sowell, do Hospital Pediátrico de Los Angeles, Califórnia, analisou os aspectos biológicos subjacentes a estes efeitos. Obtiveram imagens de cérebros de 1099 crianças, adolescentes e jovens adultos em várias cidades americanas. Como as pessoas com menor rendimento nos Estados Unidos têm maior probabilidade de pertencer a grupos étnicos minoritários, a equipa mapeou a ancestralidade genética de cada criança e ajustou os cálculos de forma a que os efeitos da pobreza não fossem deturpados por diferenças mínimas na estrutura cerebral entre grupos étnicos.

Os cérebros das crianças do intervalo de menor rendimento (menos de US$25000) tinham até menos 6% área superficial do que os daquelas cujas famílias que ganham mais de US$150000, descobriram os investigadores. Nas crianças das famílias mais pobres, as disparidades de rendimento de apenas alguns milhares de dólares estavam associados a importantes diferenças na estrutura do cérebro, particularmente em áreas associadas com a linguagem e capacidade de tomar decisões. Os resultados dos testes em crianças para medir as capacidades cognitivas, como a leitura e a memória, também diminuíam com o rendimento dos pais.

Martha Farah, neurocientista cognitiva na Universidade da Pensilvânea em Filadélfia, considera a investigação “fantástica”. Ter uma amostra tão grande de crianças permitiu aos investigadores mostrar o enorme impacto da pobreza sobre os cérebros em desenvolvimento, diz ela, apesar do estudo não consegue medir a forma como cada cérebro individualmente muda ao longo do tempo.

As descobertas estão de acordo com investigação não publicada realizada por Farah, onde se analisavam os cérebros de 44 meninas afro-americanas, cada uma com um mês de idade e provenientes de vários grupos socioeconómicos de Filadélfia. A sua equipa descobriu que, mesmo nesta tenra idade, as crianças das faixas de menor rendimento tinham cérebros menores do que as mais ricas.

Jamie Hanson, psicólogo na Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, diz que ambos os artigos sublinham o impacto das adversidades no desenvolvimento das crianças: "Estas circunstâncias precoces de vida tornam tudo mais difícil para muitas crianças e depende da sociedade no seu todo garantir que todas as crianças tenham as mesmas possibilidades."

Farah tenciona continuar a observar estas crianças durante mais dois anos e observar como muda a área superficial do seu cérebro ao longo do tempo. Também tencionam visitar os lares das crianças na esperança de identificar factores que podem contribuir para as diferenças, como a quantidade de brinquedos estimulantes têm e que atenção recebem dos pais.

No entanto, nenhum dos estudos explica a causa das diferenças cognitivas. Apesar dos autores de ambos admitirem que factores genéticos podem estar envolvidos, suspeitam que exposições ambientais, como stress e nutrição, são mais importantes começam a actuar antes do nascimento. "Faz-nos pensar que o foco deve ser redireccionado para a gestação e para stresses como a nutrição e a exposição a toxinas", diz Hallam Hurt, neonatologista no Hospital Pediátrico de Filadélfia, que liderou o estudo dos bebés.

Crianças mais velhas podem ser afectadas de formas diferentes. Por exemplo, pais mais pobres que precisam de ter vários empregos para sobreviver têm menos tempo disponível para os seus filhos e menos dinheiro para comprar brinquedos que estimulem o crescimento da sua mente, diz Laura Betancourt, pediatra no Hospital Pediátrico de Filadélfia, autora do estudo das crianças.

Hanson sugere que a epigenética também pode estar a desempenhar um papel importante e pode ser passada de geração em geração.

Ainda assim, os investigadores têm esperança que os impactos possam ser reversíveis através de intervenções ao nível dos cuidados e da nutrição. Investigação em humanos e outros animais sugere que isso pode ser verdade: um estudo mexicano mostrou, por exemplo, que suplementos ao rendimento de famílias pobres melhoraram as capacidades cognitivas e de linguagem das suas crianças em 18 meses. “É importante que a mensagem não seja 'se és pobre o teu cérebro é mais pequeno e será assim para sempre'", diz Sowell.

 

 

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