2015-03-31

Subject: Limite de 2ºC de aquecimento global no fio da navalha

Limite de 2ºC de aquecimento global no fio da navalha

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@ Nature

Em preparação para as conversações internacionais sobre o clima em Paris este Dezembro, um painel científico completo uma avaliação técnica do objectivo oficial do encontro, o de manter a temperatura global média abaixo de 2 °C sobre os níveis pré-industriais. 

Com divulgação prevista para 3 de Abril, o relatório do painel irá avaliar as perspectivas de este objectivo ser alcançado, bem como os impactos sobre o ambiente e sobre a sociedade que deverão ocorrer bem antes deste limiar ser ultrapassado, alimentando um debate potencialmente explosivo sobre se esse limiar deve ser colocado ainda mais abaixo.

“Fornecemos uma base substantiva para a discussão política”, diz Andreas Fischlin, modelador ecológico no Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique e co-facilitador do processo.

A meta dos  2 °C encontrou intensa oposição quando foi formalmente adoptada em Cancún, México, em 2010. Liderada pelas ilhas-nação de baixa altitude e muitos dos países mais pobres (que deverão ser os mais severamente afectados pela subida do nível do mar e extremos climáticos), uma maioria sólida dos países da Convenção-quadro sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas apelou a uma revisão formal sobre a questão de esta meta ser baixada para os 1,5 °C. A maior parte do apoio à meta do 2 °C vem dos países industrializados mais ricos, que conseguirão adaptar-se mais facilmente a um clima em mudança.

Para muitos países pobres, o debate é sobre justiça social, diz Petra Tschakert, geógrafa na Universidade Estadual da Pensilvânia em University Park, que participou no processo. Cientificamente, diz Tschakert, a meta de 1,5 °C ptotege claramente melhor as populações vulneráveis mas os países em desenvolvimento reconhecem que atingir os 2 °C, o que fará os 1,5 °C, será excepcionalmente difícil com base na taxa actual de emissões. O que pretendem, diz ela, é um valor que possam usar em Paris para lutar por "perdas e danos", compensações monetárias pagas pelos maiores emissores de gases de efeito de estufa aos países mais pobres prejudicados pelo aquecimento.

A história da meta dos 2 °C já vem de há quatro décadas. Nessa época, os investigadores defenderam que seria sensato manter a temperatura média da Terra abaixo do limite superior do intervalo de 10ºC que tem prevalecido naturalmente nas últimas centenas de milhares de anos. No entanto, tem-se tornado cada vez mais claro que as temperaturas estão destinadas a disparar bem para além de qualquer coisa que o Homem alguma vez testemunhou. Mesmo que os países cumpram as promessas relativas a emissões que fizeram até agora, os modelos climáticos prevêem uma subida de 3 °C neste século.

Ao mesmo tempo, um crescente corpo de pesquisa sugere que os impactos ecológicos e económicos já estão a fazer-se sentir com o aquecimento de 0,8 °C que já ocorreu. Estes impactos vão aumentar de severidade com a subida das temperaturas, com danos a recifes de coral e ecossistemas árcticos, bem como mais extremos climáticos, tudo a esperar muito antes do limiar de 2 °C ser alcançado, diz Fischlin. 

Mas o painel teve muita dificuldade em identificar benefícios específicos resultantes de limitar o aquecimento a 1,5 °C: “A ciência diz-nos que este limiar pode ser consideravelmente melhor mas as incertezas são tão grandes que não garantem uma descoberta robusta que possa distinguir estes dois mundo.”

Alguns investigadores defendem que a comunidade internacional deve adoptar medidas mais significativas, como a concentração atmosférica de carbono, que tem subido de forma sustentada no último meio século, a par da subida das emissões, de 320 partes por milhão para 400 ppm.

“Tem havido um forte incentivo para os governos se comprometerem com metas ambiciosas a longo prazo, situação que não podem cumprir”, diz David Victor, politólogo na Universidade da Califórnia, San Diego. “Se começamos a estabelecer objectivos em termos de emissões podemos aproximarmo-nos do que os governos e as firmas podem controlar."

Victor reconhece que poderá ser politicamente impossível largar a meta das temperaturas este ano mas diz que os negociadores estarão, pelo menos, a falar de outra meta de longo prazo: reduzir as emissões a zero este século. Isto exigirá reduções drásticas das emissões de gases de efeito de estufa industriais, bem como reflorestação e outras estratégias de uso da terra que ajudem a remover carbono da atmosfera.

Fischlin considera que esta análise deverá ajudar a clarificar algo para os decisores: a curto prazo há pouca diferença prática entre um mundo abaixo de 1,5 °C e outra abaixo de 2 °C. Em ambos os casos os governos têm que actuar imediata e agressivamente para começar a controlar as emissões globais e inverter a sua trajectória ascendente. Uma modesta boa notícia surgiu a 13 de Março, quando a Agência Internacional de Energia anunciou que as emissões estabilizaram em 2014, a primeira vez que isso aconteceu fora de uma recessão económica.

“A grande questão agora é se vamos começar a inverter as coisas", diz Fischlin. “Isto é mais importante que os detalhes precisos do objectivo a longo prazo.”

 

 

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