2015-01-22

Subject: Abate de lobos não salvará o caribu canadiano

Abate de lobos não salvará o caribu canadiano

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@ Nature/John E Marriott/Getty Images

Desde 2005 que o governo canadiano já matou perto de mil lobos para proteger uma manada de caribus boreais nas florestas de Alberta, Canadá mas um estudo recente sugere que esta abordagem tem benefícios muito limitados.

É suficiente para impedir que a população de caribus diminua ainda mais mas não vai permitir que os animais (uma população geograficamente distinta de Rangifer tarandus), que na Europa são conhecidos por renas, aumentem o seu efectivo, revela a análise de Novembro agora publicada na revista Canadian Journal of Zoology. Esse aumento exigiria a colocação de novos limites ao desenvolvimento industrial em Alberta, uma conclusão que alimenta o debate já em curso sobre as consequências ecológicas da actividade humana na floresta boreal.

O caribu está listado como espécie ameaçada de extinção desde 2002, essencialmente porque a maior parte do seu habitat na floresta boreal foi fragmentado por uma rede de estradas, oleodutos e zonas onde a floresta foi totalmente abatida pelas madeireiras. Os alces e outras espécies de cervídeos dão-se bem nestas zonas abertas, pelo que as suas populações floresceram, sustentando uma crescente população de lobos, que aprenderam a usar as estradas e os oleodutos para aceder aos caribus que se escondem na floresta densa.

Dave Hervieux, biólogo no ministério do ambiente e do desenvolvimento sustentável de recursos, liderou uma equipa que estudou o programa de controlo de lobos do governo na cordilheira Little Smoky na zona ocidental de Alberta. O ministério abateu a tiro ou envenenou 980 lobos na zona desde 2005 para proteger a manada de menos de 100 caribus.

De 2000 a 2012, os investigadores realizaram censos com helicópteros de fêmeas e crias caribu todos os meses de Março, usando sinais de coleiras especiais para ajudar a localizar os animais. Depois do início do programa de controlo de lobos, o número de crias que sobreviveram até aos 9 meses subiu de uma média de duas crias por 100 fêmeas para uma média de 19.

A população de caribus de Little Smoky, que estava em queda acentuada, estabilizou mas não cresceu. Ainda assim, Hervieux considera que acabar com a morte de lobos não é uma opção: “Se a gestão de predadores for interrompida os caribus estão acabados", mesmo que a actividade industrial seja interrompida. Ele acrescenta que pode levar 30 anos para a floresta boreal voltar a crescer ao ponto de os caribus deixarem de estar em desvantagem.

A situação representa um dilema ético, diz Dan MacNulty, biólogo perito em lobos na Universidade Estadual do Utah em Logan. “O que é melhor, matar os lobos ou ver estes caribus desaparecer devido ao nosso apetite por petróleo e gás baratos?”

Os conservacionistas de Alberta apoiaram relutantemente o programa de abate de lobos quando este começou, diz Carolyn Campbell, especialista em conservação da Associação da Vida Selvagem de Alberta em Calgary. Mas o seu grupo abandonou posteriormente o seu apoio ao programa pois a exploração petrolífera e o abate de árvores ter continuado, criando outras ameaças aos caribus. "É uma abordagem completamente não ética declarar guerra apenas aos lobos quando eles são apenas um sintoma e não a verdadeira causa", diz Campbell.

Apesar de classificar os caribus como ameaçados, o governo canadiano só publicou uma estratégia para ajudar a população a recuperar depois de queixas em tribunal dos ambientalistas e das tribos locais, em 2012. Muitos dos planos territoriais e provinciais, que desencadeariam acções para proteger os caribus, ainda não foram criados, nomeadamente o de Alberta.

Os funcionários governamentais, conservacionistas e indústrias, todos dizem que não é claro se o documento irá incluir a questão ou mesmo quando seria publicado.

Entretanto, várias madeireiras têm autorização para cortar árvores na cordilheira Little Smoky. Gary Smith, porta-voz de uma delas, a Alberta Newsprint Company, diz que a companhia tem cumprido uma moratória sobre novos abates na zona desde o Verão de 2013, mas no ano passado abateu árvores em três locais previamente aprovados, como a lei permite.

E ainda que a venda de licenças para exploração de petróleo na cordilheira Little Smoky tenha sido interrompida, ela continua noutras zonas altamente fragmentadas do habitat dos caribus. As duas agências governamentais que regulam a actividade petrolífera e de gás, a Alberta Energia que vende as licenças e o Regulador da Energia de Alberta que aprova actividades específicas de desenvolvimento energético por parte dos detentores de licenças, dizem que foi outra agência a tomar a decisão crucial de permitir o desenvolvimento energético no habitat crítico de uma espécie ameaçada.

Esta cultura de desenvolvimento, mais as graves dificuldades em que muitas populações de caribus boreais se encontram, levou o co-autor do estudo Mark Hebblewhite, biólogo na Universidade do Montana em Missoula, a considerar se salvar os animais iria exigir uma abordagem radicalmente diferente. “Escolham duas manadas, coloquem-nas em recintos cercados para remover os predadores e criem-nos. As coisas estão más neste grau.”

 

 

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