2015-01-21

Subject: Em busca das raízes do terrorismo (parte II)

Em busca das raízes do terrorismo (parte II)

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@ Nature/Iason Athanasiadis/Corbis

O antropólogo Scott Atran estuda terroristas em busca da compreensão dos motivos que levam as pessoas a juntar-se a grupos como o Estado Islâmico. 

As respostas são muitas vezes surpreendentes. Um extremista muçulmano francês que tentou colocar uma bomba numa embaixada explicou a sua radicalização com um incidente de infância: a sua irmã chocou com um homem numa rua parisiense e o homem cuspiu para o chão, chamando-lhe "árabe suja". “Foi nesse momento que soube o que ia ser", disse o terrorista a Atran, investigador da Universidade do Michigan em Ann Arbor.

Os sociólogos e agências policiais há muito que procuram compreender as raízes do terrorismo, independentemente da ideologia que lhe esteja subjacente, mas o interesse tem aumentado muito nos últimos anos devido à preocupação com o extremismo islâmico. Estão a surgir temas comuns desses estudos, dando aos investigadores e aos decisores a esperança de desenvolver meios eficazes de intervir no processo de radicalização e, quem sabe, até reabilitar terroristas condenados ou em preparação.

A maioria dos extremistas em desenvolvimento são motivados pela desilusão com a sociedade ou com um conjunto de crenças e desejam encontrar outros que partilhem os seus valores. 

Mas se uma pessoa desiludida se vira para um culto, gangue ou para uma ideologia extrema como a supremacia branca ou a jihad depende do seu ambiente social e das suas redes sociais. "Á primeira vista, pode não fazer sentido comparar um grupo como o IRA com a al-Qaeda”, diz o psicólogo John Horgan, da Universidade do Massachusetts Lowell, só quando nos sentamos para ver melhor percebemos que têm muito em comum."

Com isto em mente, uma equipa liderada por Noemie Bouhana, criminologista da University College de Londres, está a desenvolver um modelo computadorizado dos processos subjacentes à radicalização e subsequentes ataques terroristas. Por exemplo, os investigadores esperam identificar as falhas nas técnicas das forças da lei ou os alvos mais vulneráveis ao terrorismo.

Eventualmente, esse tipo de modelo pode ser capaz de prever quando o risco de um ataque é elevado, diz Bouhana, mas os modelos por si só nunca serão capazes de identificar quando um incidente específico irá ocorrer. Isso é provavelmente impossível sem informação de agências de espionagem.

Mesmo a identificação de quais os indivíduos que se poderão tornar terroristas é uma tarefa difícil. Por exemplo, milhões de pessoas apoiam o Islão militante proposto por organizações como a al-Qaeda mas apenas uma pequena percentagem estaria disposta a matar por ele, diz Atran. Dois estudos publicados por ele no mês passado sugerem que o extremismo surge, em parte, quando o tornar-se membro de um grupo reforça ideais fortemente enraizados e a identidade do indivíduo se funde com a do grupo. “Podem ser uns imprestáveis mas uma vez encaixados nesses valores já não interessa, podem tornar-se guerreiros heróicos", diz ele.

A sua equipa entrevistou uma amostra aleatória de 260 pessoas em duas comunidades marroquinas que têm produzido um número invulgarmente elevado de terroristas, incluindo cinco dos conspiradores principais por detrás das bombas em comboios de Madrid em 2004, que mataram 191 pessoas.

Muitos residentes disseram que queriam lutar para estabelecer o califado do Estado Islâmico na Síria. Aqueles que acreditavam na sharia estavam dispostos a sacrificar-se por ela de alguma forma mas o grau de sacrifício potencial aumentava dramaticamente se um indivíduo se tivesse juntado a um grupo com as mesmas crenças. Em casos extremos, os residentes estavam dispostos a usar a violência ou a permitir que as suas crianças morressem para fazer vingar os seus valores.

Várias dúzias de centros por todo o mundo estão a tentar reabilitar terroristas, com resultados variados. Um centro na Arábia Saudita alega uma taxa de sucesso de 88% e uma melhor compreensão da radicalização pode melhorar os esforços para a contrariar, diz Bouhana. Por exemplo, os centros de tratamento podem trazer antigos terroristas para falar sobre a razão porque abandonaram as suas causas.

Ainda assim, os terroristas deixam muitas vezes os grupos extremistas por si próprios. “Percebem que não se trata da aventura ao estilo Call of Duty que lhes impingiram", diz Horgan, referindo-se ao jogo de computador. A exaustão pode levar uma pessoa a afastar-se do grupo, apesar de puder não abandonar os seus ideais radicais. Outros deixam de acreditar mas continuam nos grupos por receio de retaliações.

Os decisores têm prestado atenção a estas investigações e cada vez mais sociólogos são recrutados para conselheiro contra-terrorismo mas Horgan considera que ainda há muito a fazer. “Estamos só a começar a perceber quais são as perguntas certas, o potencial da psicologia para o estudo do terrorismo ainda está longe de ser alcançado."

 

 

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