2015-01-19

Subject: Primeira explosão atómica proposta como início do Antropoceno

Primeira explosão atómica proposta como início do Antropoceno

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@ Nature/Corbis

Para os historiadores, o rebentamento da primeira bomba atómica em 1945 deu início à era nuclear mas para um grupo de geólogos o teste nuclear de 16 de Julho em Alamogordo, Novo México, marca o início de uma nova unidade do tempo geológico, a época Antropoceno.

O termo Antropoceno foi cunhado há 15 anos com o objectivo de identificar o tempo de influência generalizada do Homem sobre o planeta. Desde então, os geólogos têm debatido quando é que as pessoas começaram a deixar uma clara marca no registo geológico e se seria correcto elevar esse momento a marco do início de uma unidade geológica formal.

Alguns investigadores propuseram que o início do Antropoceno e o final da actual época, o Holoceno, deveria ser na Revolução Industrial ou mesmo um pouco mais atrás, com o nascimento da agricultura. Outros preferiram olhar para a vasta expansão da actividade humana na segunda metade do século XX.

Agora, um grupo de cientistas aposta nesta última possibilidade e sugere usar o primeiro rebentamento nuclear como o seu início. “É um ponto no tempo bem definido e um grande evento histórico”, diz Jan Zalasiewicz, estratígrafo na Universidade de Leicester, Reino Unido, e autor principal do artigo publicado esta semana.

Zalasiewicz escreveu o estudo com 25 outros membros de um grupo de trabalho de estratigrafia que explora a melhor forma de definir formalmente o Antropoceno. No seu artigo, os investigadores propõem definir a fronteira pela detecção da presença de elementos radioactivos que se espalharam pelo globo com o primeiro teste da bomba-A em 1945 e das explosões nucleares ainda maiores que ocorreram a década seguinte.

O surgimento destes radioisótopos, como o plutónio-239 de vida longa, coincidem mais ou menos com outras alterações em larga escala que o Homem realizou nos anos que se seguiram à II Guerra Mundial. A produção em massa de fertilizantes duplicou a quantidade de azoto reactivo no ambiente e a concentração de dióxido de carbono começou a disparar. Novas formas de plástico começaram a ser produzidas em massa e espalharam-se pelo globo e o comércio global transportou espécies invasoras entre os continentes. Migrações de zonas rurais para centros urbanos ganharam velocidade, alimentando o crescimento de mega-cidades. Este período de tempo já foi apelidado a Grande Aceleração.

Outros investigadores defendem ouro iício para o Antropoceno. Na semana passada, Matt Edgeworth, arqueólogo na Universidade de Leicester, e cinco outros membros do grupo de trabalho do Antropoceno propuseram definir a fronteira como a transição entre depósitos geológicos naturais e depósitos alterados pelo Homem, como as camadas de detritos de olaria encontradas em locais arqueológicos ou solos que foram arados para a agricultura.

Esta “arqueosfera” surge em momentos diferentes em diferentes localizações, tal como as demarcações frequentemente usadas pelos arqueólogos para definir alterações culturais. Na transição do Neolítico, por exemplo, a agricultura surgiu no Crescente Fértil milhares de anos antes de se espalhar pela Europa.

Colin Waters, geólogo no British Geological Survey em Keyworth, e co-autor de ambos os artigos, diz que o grupo de trabalho ainda está a explorar várias ideias. “Não perto de obter uma definição nesta fase do trabalho."

O objectivo do grupo de trabalho é lançar algumas ideias específicas que provoquem discussão, diz Zalasiewicz. Em 2016, o grupo tenciona encaminhar uma recomendação formal ao Subcomité de Estratigrafia do Quaternário sobre se e como definir o Antropoceno. Essa entidade irá considerar a proposta final e levar a sua decisão à Comissão Internacional de Estratigrafia, a autoridade máxima sobre as unidades geológicas.

Este processo normalmente decorre a passo lento, mesmo glacial, podendo levar décadas para definir uma nova época ou alterar uma já existente. A data de 2016, diz Zalasiewicz, "foi um compromisso entre várias pessoas que disseram ‘porque não decidimos numa semana ou num mês' e o tipo de escala temporal habitual para os grupos de trabalho”.

 

 

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