2015-01-12

Subject: Macacos parecem reconhecer o seu reflexo

Macacos parecem reconhecer o seu reflexo

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@ Nature/Neng Gong and colleagues/Current Biology

Espelho meu, espelho meu, haverá algum animal mais esperto que eu?

A capacidade de se reconhecer no reflexo de um espelho tem sido considerada um sinal de cognição superior, presente em humanos e apenas nos animais mais inteligentes, e a base da empatia. 

Mas um estudo publicado esta semana na revista Current Biology vem relatar, de forma controversa, que macacos podem ser treinado a prestar atenção a si próprios num espelho, a primeira observação desse tipo em qualquer espécie de macaco.

No entanto, as descobertas levantam mais questões do que apresentam respostas e não apenas sobre a capacidade cognitiva dos macacos mas também sobre a utilização da capacidade de reconhecimento do eu num espelho como medida da inteligência de um animal. 

“Simplesmente por estar a agir como se reconhecesse num espelho não significa necessariamente que se atingiu o auto-reconhecimento”, diz Gordon Gallup, psicólogo evolutivo na Universidade Estadual de Nova Iorque em Albany, que em 1970 foi o primeiro a demonstrar o auto-reconhecimento num espelho em chimpanzés em cativeiro.

Quando a maioria dos animais encontra o seu reflexo num espelho, agem como se estivessem perante outro animal: atacam, lançam chamamentos ruidosos e revelam outros comportamentos sociais. Foi assim que os chimpanzés agiram primeiro, quando Gallup colocou um espelho de corpo inteiro ao lado das suas gaiolas mas, após alguns dias, a sua atitude mudou e começaram a examinar-se a si próprios, diz ele. “Olhavam para o interior das suas bocas e ficavam a ver a língua mexer-se."

Isto convenceu-o de que os chimpanzés se reconheciam a si próprios no espelho. Ele sabia que outros cientistas ficariam cépticos a esta alegação, pelo que desenvolveu um teste para o auto-reconhecimento ao espelho. Depois de os chimpanzés começarem a agir como se se vissem a si próprios no espelho (cerca de 10 dias depois), ele anestesiou-os e aplicou-lhes uma marca vermelha sem odor num local da face que não conseguiam ver, como por exemplo acima das sobrancelhas.

Quando foram novamente colocados perante o espelho, os chimpanzés marcados tocaram na marca e cheiraram os dedos. Os símios que ainda não tinham sido expostos ao espelho agiram como se estivessem perante outro chimpanzé.

As descobertas de Gallup têm sido replicadas em dúzias de chimpanzés e estendidas a outros grandes símios, de forma mais convincente em orangutangos. Ouros investigadores relataram que golfinhos, elefantes e até corvídeos são capazes de se reconhecerem ao espelho. No entanto, muitos destes relatórios não foram replicados e são muitas vezes limitados a um único animal.

Estudo após estudo tem, no entanto, demonstrado que os macacos não se reconhecem ao espelho: por exemplo, Gallup criou dois macacos na presença de um espelho durante 15 anos e eles aprenderam a ignorar o 'outro macaco', apesar de tirarem partido da imagem reflectida. “Se entrássemos na sala e vissem o nosso reflexo, viravam-se imediatamente para nos confrontar", diz Gallup. “Mas ignoravam a fonte ou significado do que estavam a ver quando se olhavam a si próprios no espelho."

Neste último estudo, o neurocientista Neng Gong, dos Institutos de Xangai para Ciências Biológicas, China, considerou se os macacos poderiam ser treinados para se reconhecerem ao espelho. A sua equipa manteve os macacos directamente em frente do espelho e aplicou-lhes um laser de baixa potência, mas ainda assim doloroso, na face. Quando os macacos tocavam na fonte da irritação na sua face, recebiam uma recompensa alimentar.

Depois de 12 a 38 dias deste regime, 5 dos 7 macacos passaram o teste da versão original da marca de Gallup, usando o espelho para tocar uma marca sem odor aplicada na face. Com um espelho na jaula, alguns dos macacos pareciam usá-lo para explorar partes do corpo que não conseguiriam de outra forma ver, relata a equipa. Neng refere que os macacos têm o “hardware” neural para o auto-reconhecimento “mas precisam do treino apropriado para adquirir o ‘software’ para alcançar o auto-reconhecimento".

Mas outros cientistas estão cépticos: “Acho que uma interpretação mais parcimoniosa é que os macacos estão simplesmente a fazer o que foram treinados para fazer ao longo de milhares de tentativas", diz Gallup. “Se fosse ensinar alguém as respostas correctas a um teste de QI e o seu QI subisse em consequência disso, seria essa pessoa mais inteligente?”, diz Diana Reiss, psicóloga comparativa na Faculdade Hunter em Nova Iorque, que esteve envolvida nos estudos de auto-reconhecimento com golfinhos e elefantes, definindo uma diferença entre animais que usam o espelho espontaneamente e macacos que o fazem após intenso treino.

O significado de qualquer comportamento animal em frente de um espelho é ainda mais complexo. Gong diz que é “difícil definir" se os macacos são auto-conscientes. Gallup considera o auto-reconhecimento em chimpanzés o início da auto-consciência e da capacidade de imaginar o estado mental e perspectivas de outros, enquanto Reiss a vê como “uma propriedade emergente de cérebros sofisticados".

Outros cientistas estão mais hesitantes. Uma crítica de 1999 dos estudos de auto-reconhecimento ao espelho em primatas publicada na revista Animal Behaviour dizia que as diferenças entre espécies podem ser devidas às condições em que eram criadas e que era prematuro especular sobre a forma como a capacidade está relacionada com as suas outras capacidades cognitivas, como a inferência do estado mental de outros. “A auto-exploração ao espelho", concluía a análise, “fornece evidência de auto-reconhecimento ao espelho.”

 

 

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