2015-01-11

Subject: Proposta lista negra para combustíveis fósseis

Proposta lista negra para combustíveis fósseis

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@ Nature/Harvard Project on Climate Agreements

Canadá, Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos não podem queimar a maior parte do carvão, petróleo e gás localizados nos seus territórios se se pretende conter o aquecimento global. 

Esta é a conclusão de uma nova análise que teve como objectivo determinar o que será necessário fazer para impedir que as temperaturas médias globais subam mais que 2°C este século, a meta adoptada durante as actuais negociações no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

"Se queremos alcançar o limite de 2ºC da forma mais eficiente, mais de 80% do carvão, metade do gás e um terço do petróleo actuais têm que ser classificados como não queimáveis", diz Christophe McGlade, investigador-associado no Instituto de Recursos Sustentáveis da University College de Londres (IRS) e autor principal do relatório publicado na revista Nature. Essas restrições globais aplicam-se mesmo que as tecnologias de captura e eliminação de dióxido de carbono se tornem generalizadas na próxima década. "O desenvolvimento rápido da captura e armazenamento de carbono apenas nos permite produzir ligeiramente mais."

De acordo com o estudo, os vastos depósitos de carvão que existem na China, Rússia e Estados Unidos devem permanecer no subsolo, tal como a maioria do gás natural do Médio Oriente. Ainda assim, o gás natural noutras partes do mundo, como os Estados Unidos, pode desempenhar um papel importante na redução da poluição por CO2 mas apenas se for usado como substituto para o ainda mais poluente carvão e não impeça fontes de energia nuclear ou renovável de serem usadas.

O projecto de investigação começou com o cálculo do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) que para termos pelo menos 40% de hipóteses de manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, só podemos lançar para a atmosfera algures entre as 900 e as 1200 gigatoneladas de dióxido de carbono. Usando esse orçamento, McGlade e o economista do IRS Paul Ekins exploraram via modelo de computador "que combustíveis fósseis deviam deixar de ser usados e onde estavam localizados", explica Ekins.

Tal como outros investigadores antes deles, os investigadores rapidamente descobriram que cerca de dois terços dos depósitos conhecidos e supostos de combustíveis fósseis não podiam ser queimados. Se o mundo queimar todo o carvão, petróleo e gás natural já conhecidos e extraível de forma lucrativa, cerca de 3 mil gigatoneladas de CO2 entrariam na atmosfera, cerca de três vezes o orçamento sugerido pelo IPCC.

Mas a nova análise deu um passo extra ao analisar que países e territórios detêm esses recursos e reservas não queimáveis, usando estimativas dos Geological Survey inglês e americano e outras fontes. Assim, por exemplo, em todo o Médio Oriente 260 mil milhões de barris de petróleo não devem ser queimados para podermos alcançar a meta dos 2°C, mais ou menos o equivalente às actuais reservas estimadas apenas da Arábia Saudita. Também, muito do petróleo ou do gás que se encontra no árctico não deve ser perfurado, acrescenta McGlade.

O Canadá tem a maior quota individual de petróleo não queimável pois a maior parte dessa reserva provém de areias betuminosas, uma mistura de betume e areia que exige a queima de gás natural para as transformar em produtos petrolíferos utilizáveis. "85% da sua reserva base de 50 mil milhões de barris terá que permanecer no solo", diz McGlade.

Designar qualquer combustível fóssil como não queimável representaria uma alteração sísmica da política e negócios globais. "Em 2013 as petrolíferas gastaram US$670 mil milhões na exploração de novos recursos de petróleo e gás", salienta Ekins. "A questão é porque estão a faze-lo se existe mais no solo do que nos podemos dar ao luxo de queimar?"

Actualmente, o mundo segue o caminho de um aquecimento até 5°C, o equivalente a queimar cerca de 300 mil milhões de toneladas de carvão e 220 mil milhões de barris de petróleo, incluindo algumas das reservas que deverão ser descobertas no árctico em rápido degelo. 

Para evitar queimar todos esses combustíveis fósseis, o modelo do IRS sugere construir mais centrais nucleares, passar a usar painéis solares de telhado e biocombustíveis, ao mesmo tempo armazenando o carbono resultante para ajudar a reduzir a concentração de CO2 atmosférico. Estas concentrações já chegaram às 400 ppm, os níveis mais elevados desde há 800 mil anos, pelo menos. "Passar a usar veículos mais eficientes é o que o modelo faria", acrescenta McGlade.

Apesar da análise ser apenas um modelo de computador, salienta as consequências do combate às alterações climáticas para os detentores de combustíveis fósseis, sejam as corporações ou os países. Em todo o mundo actual, os combustíveis fósseis, especialmente o carvão, são queimados a uma taxa cada vez maior para alimentar as economias crescentes e permitem a iluminação, refrigeração, computação e outros serviços e conveniências modernos. Esse pico de consumo parece ser um custo inevitável na melhoria da qualidade de vida para milhares de milhões de pessoas ainda mergulhadas na pobreza energética e cada vez mais inconsistente com os esforços para combater as alterações climáticas, que irão ser mais danosas para os mais pobres.

Daqui surge a questão do milhão de dólares: que países e companhias irão abdicar dos combustíveis fósseis para que outros possam queimar a sua quota? "Os decisores na China, Europa e Estados Unidos alegam todos que apoiam este limite dos 2ºC", salienta Ekins. "Isso tem certamente implicações."

 

 

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