2015-01-09

Subject: Antibiótico prometedor descoberto em 'matéria negra' bacteriana

Antibiótico prometedor descoberto em 'matéria negra' bacteriana

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@ Nature/Slava Epstein

Um antibiótico com a capacidade de vencer microrganismos resistentes aos medicamentos foi descoberto, através de uma bactéria do solo encontrada logo abaixo da superfície de um prado do Maine. Apesar de o novo antibiótico ainda precisar de ser testado em pessoas, existem sinais de que os microrganismos poderão ser lentos a desenvolver resistência contra ele.

Uma equipa liderada por Kim Lewis, da Universidade Northeastern em Boston, relata na última edição da revista Nature que o antibiótico, que baptizaram teixobactina, foi activo contra a mortífera bactéria MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) em ratos e contra vários outros microrganismos patogénicos em cultura de células. Se o composto se comportar de forma semelhante em humanos pode revelar-se o muito desejado triunfo na guerra contra a resistência aos antibióticos.

O dispositivo usado para descobrir a teixobactina está a criar grande entusiasmo também porque tem o potencial de revelar mais antibióticos não descobertos: permite a microrganismos até aqui impossíveis de cultivar em laboratório crescer, tornando assim mais fácil descobrir bactérias que produzem naturalmente compostos mortíferos para outros microrganismos.

“A tecnologia é muito fixe”, diz Gerard Wright, bioquímico na Universidade McMaster em Hamilton, Canadá, que não esteve envolvido no estudo. “Ninguém sabia se estas bactérias produziam alguma coisa útil."

A notícia chega entre os contínuos alertas de peritos em saúde pública sobre os perigos da resistência aos antibióticos. Em 2014, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a era pós-antibiótico, um tempo em que as pessoas podem morrer de infecções vulgares e ferimentos menores, pode começar ainda este século. O MRSA propagou-se dos hospitais para a comunidade e, em 2013, existiam 480 mil novos casos de tuberculose multi-resistente em todo o mundo, uma doença que exige tratamento com medicamentos cada vez mais tóxicos.

Muitos dos antibióticos mais bem sucedidos foram encontrados em meados do séculos XX por cientistas que passaram a pente-fino as comunidades microbianas em busca de bactérias capazes de matar as suas parentes mas os investigadores deixaram escapar o tipo que produz a teixobactina, Eleftheria terrae, e muitas outras potenciais candidatas (conhecidas colectivamente como 'matéria negra' microbiana) devido à sua relutância em se adaptarem à vida numa caixa de Petri.

Lewis e o seu colega Slava Epstein descobriu o potencial da E. terrae com um dispositivo a que chamam iChip. Funciona separando bactérias individuais recolhidas de amostras de solo em câmaras separadas. Seguidamente, o dispositivo novamente enterrado no solo, permitindo a difusão de moléculas do ambiente para o interior do iChip, dando hipótese às bactérias para crescer num meio mais natural do que uma caixa de Petri. Normalmente apenas 1% dos microrganismos numa amostra de solo consegue crescer em laboratório mas com o iChip consegue-se atingir os 50%.

Os investigadores testaram seguidamente 10 mil das colónias bacterianas para ver se seriam capazes de impedir o crescimento de S. aureus. Essa busca forneceu 25 potenciais antibióticos, diz Lewis, mas a teixobactina é o candidato mais apelativo até agora.

Lewis está entusiasmado com a teixobactina principalmente devido à indicação de que será difícil para os agentes patogénicos desenvolver resistência contra ela. Ao contrário do que é habitual num antibiótico, a teixobactina parece atacar os microrganismos ligando-se a ácidos gordos que compõem a parede celular bacteriana e é difícil a uma bactéria alterar um organito tão fundamental da célula.

Por comparação, a maioria dos antibióticos ataca proteínas e é relativamente fácil para um microrganismo tornar-se resistente a esse tipo de medicamento acumulando mutações que alterem a forma da proteína.

É impossível dizer até que ponto estes resultados se manterão nas clínicas mas a teixobactina mostra-se prometedora, diz Wright. “Não acredito que haja algo como um antibiótico irresistível mas acredito que certos antibióticos têm uma baixa frequência de resistência."

Para além do MRSA, a Mycobacterium tuberculosis, que provoca a tuberculose, estava entre as bactérias que a teixobactina matou mas o microbiólogo médico Timothy Walsh, da Universidade de Cardiff, Reino Unido, apela à cautela pois o medicamento apenas foi testado num pequeno número de estirpes laboratoriais. Será importante repetir as experiências em dúzias, se não centenas, de estirpes isoladas mais recentemente de pacientes, diz ele.

A teixobactina foi testada em ratos e não mostrou, até agora, efeitos secundários tóxicos mas demonstrar a sua segurança em humanos será importante, diz Barry Eisenstein, sénior vice-presidente para os assuntos científicos na Farmacêutica Cubist, uma companhia de Lexington, Massachusetts, especializada no desenvolvimento de antibióticos. “A toxicidade ainda é a principal causa de falhanço na passagem de um potencial antibiótico a um verdadeiro medicamento."

Ainda assim, Eisenstein considera haver razões para estar optimista sobre a teixobactina pois é raro encontrar uma única molécula com tantas propriedades prometedoras, ainda que ela tenha desapontado ao falhar matar bactérias Gram-negativas. Esta classe, diz Eisenstein, é especial causa de preocupação para a saúde pois inclui microrganismos mortíferos como a Klebsiella pneumoniae, que desenvolveu resistência a todos os antibióticos conhecidos.

Walsh, no entanto, tem esperança que o iChip forneça novas soluções para o problema das bactérias Gram-negativas. “Pode ser que estes sistemas permitam o cultivo de bactérias que consigam produzir novos medicamentos que as matem."

 

 

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