2015-01-07

Subject: Permanecem questões sobre células estaminais induzidas por stress

Permanecem questões sobre células estaminais induzidas por stress

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@ Nature/Kiyoshi Ota/Bloomberg via Getty

A última investigação ao contestado método de criação de células estaminais deixou os investigadores a braços com questões sobre o que correu mal num laboratório do instituto de investigação RIKEN no Japão.

O relatório final da equipa de investigação independente apoiou as suspeitas de que as células estaminais, supostamente geradas aplicando stress a células adultas vulgares num banho ácido, eram na realidade células estaminais embrionárias que foram introduzidas nas amostras mas os investigadores não foram capazes de determinar de que forma a contaminação ocorreu ou se foi acidental.

A investigação também não explicou uma das mais notáveis características das células, a sua capacidade para formar a placenta, algo que as células estaminais embrionárias geralmente não fazem. “Essa é uma questão que permanece um mistério", diz Manuel Serrano, biólogo do cancro que trabalhou com células estaminais no Centro Nacional de Investigação do Cancro de Espanha.

Serrano, como muitos dos seus colegas, ficou intrigado pelos artigos publicados na revista Nature em Janeiro de 2014, onde se relatava que células adultas podiam comportar-se como células estaminais depois de sujeitas a stress severo. Para ele a premissa fazia sentido, havia vastas evidências na literatura que células sob stress tendiam a assumir novas identidades. “As células respondem aos danos tentando adquirir a plasticidade para reparar o tecido mas era surpreendente que esse stress fosse o suficiente para reprogramar completamente a célula."

Serrano encarregou dois investigadores no seu laboratório de criar células estaminais usando o método dos autores, chamado aquisição de pluripotência desencadeada por estímulo (STAP). Inicialmente apelou a que continuassem a tentar quando as tentativas falharam mas após dois meses Serrano aconselhou-os a abandonar os esforços. Os relatos chegados de outros laboratórios mostravam que não se conseguia reproduzir o método e surgiram as questões sobre a validade dos dados dos artigos.

Em resposta à controvérsia, o RIKEN lançou duas investigações ao trabalho, muito do qual tinha sido feito no Centro RIKEN de Biologia do Desenvolvimento em Kobe. Uma análise interna relatou em Março que a investigadora principal Haruko Obokata tinha manipulado as imagens em duas das publicações da Nature e os artigos foram retirados em Julho.

A segunda investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas que não trabalhavam para o RIKEN, foi mais fundo e analisou as linhagens celulares e amostras de tecido dos laboratórios para determinar a sua proveniência. Para além de revelarem outras duas manipulações em números das publicações de Janeiro, eles descobriram que três linhagens de células ‘STAP’ continham células estaminais embrionárias.

Os resultados confirmaram as suspeitas no campo, diz George Daley, investigador de células estaminais no Hospital Pediátrico de Boston no Massachusetts. “O facto de as células STAP relatadas terem propriedades diferentes das células estaminais embrionárias foi o que captou o interesse da maioria das pessoas", diz ele. "Mas sempre houve a preocupação de que parte dos dados poderem resultar da utilização de linhagens de células estaminais embrionárias vulgares.”

Apesar de vasculharem as anotações e registos dos laboratórios, os investigadores a pedido do RIKEN não conseguiram determinar de que forma a contaminação ocorreu. Salientam, no entanto, que era difícil imaginar uma contaminação acidental com três linhagens diferentes de células estaminais embrionárias. Cinco investigadores de células estaminais de renome concordam com esta avaliação.

Seja qual for a forma como tenha ocorrido, a contaminação explica a capacidade das células para se diferenciarem mas não explica como as células puderam ser coagidas a formar tecido placentário. “De modo geral, achamos que células estaminais embrionárias perderam a capacidade de o produzir”, diz Janet Rossant, investigadora de células estaminais no Hospital para Crianças Doentes de Toronto, Canadá.

Alguns investigadores sugeriram que os autores alteraram as imagens ou concluíram incorrectamente que a fluorescência natural, que pode ser observada na placenta e noutros tecidos ricos em sangue, tinha sido gerada pelo marcador fluorescente transportado pelas células estaminais. Daley acredita que um erro desses é improvável, dado o grau de competência dos autores do artigo.

Outra possibilidade é que as culturas de células STAP foram contaminadas não só com células estaminais embrionárias mas também com trofoblastos, um tipo celular que origina a placenta. Os trofoblastos têm uma forma diferente e expressão genes diferentes das células estaminais embrionárias mas a análise genética feita durante a investigação RIKEN pode não as ter distinguido, principalmente se estavam presentes em baixo número.

Rossant diz que os investigadores relataram que algumas células estaminais embrionárias, nas condições adequadas, podiam originar a células placentárias. “Pode ser que tenham tido condições que a conduziu mais a trofoblastos, o que por si só seria interessante”, diz ela.

Mas apesar de Rossant estar ansiosa por o campo aprender mais sobre a forma como as células estaminais se tornam mais plásticas, ela não está ansiosa para que os investigadores encontrem esses dados nas ruínas da história STAP. “É tempo de todos passarem à frente das células STAP."

 

 

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