2014-12-14

Subject: Destino do plástico marinho permanece um mistério

Destino do plástico marinho permanece um mistério

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Ethan Daniels/Shutterstock

Mais de 5 triliões de pedaços de plástico, com uma massa combinada de mais de 250 mil toneladas, estão a flutuar no oceano, relatam os investigadores na última edição da revista PLoS ONE.

À primeira vista, a estimativa é chocantemente elevada mas é muito inferior do que se esperava, representando menos de 1% da produção anual de plástico, diz o co-autor do estudo Hank Carson, biólogo marinho no Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Washington em Olympia.

A equipa liderada por Marcus Eriksen, director de investigação do Instituto Five Gyres em Los Angeles, Califórnia, recolheu amostras com redes de malha fina e contou visualmente os pedaços de lixo em 24 expedições através de cinco giros subtropicais (áreas de correntes oceânicas rotativas onde o plástico se acumula) bem como na Austrália costeira, baía de Bengala e mar Mediterrâneo. 

A equipa combinou as suas observações com as de outros esforços de recolha de amostras no oceano e introduziu os dados num modelo da distribuição do plástico oceânico para chegar a esta estimativa.

As descobertas estão a par com outras estimativas recentes do plástico oceânico. Um estudo publicado na revista Environmental Science and Technology em Abril usou dados de 2500 amostras obtidas com redes finas para estimar que existiam 21290 toneladas de microplástico flutuante (partículas com diâmetro inferior a 5 milímetros) no oceano Pacífico.

Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences em Junho concluiu que os oceanos globais continham entre 7 e 35 mil toneladas de plástico flutuante. Andrés Cózar, ecologista marinho da Universidade de Cádiz, Espanha, diz que a última estimativa é maior porque Eriksen e a sua equipa contaram itens grandes visualmente, enquanto a equipa de Cózar baseou a sua estimativa no que era apanhado nas redes. Ainda assim, ele considera o estudo de Eriksen é uma valiosa adição à literatura.

A equipa de Eriksen descobriu que o microplástico é responsável por uma pequena proporção da massa estimada. Pedaços maiores que 200 milímetros de diâmetro são responsáveis por 75% da massa total do plástico analisado mas itens de grande dimensão, como garrafas, bóias e sacos de plástico, deviam estar a degradar-se em pedaços cada vez menores de lixo flutuante. Logo, onde está todo o microplástico?

A pergunta tem intrigado o campo há uma década, diz Richard Thompson, biólogo marinho na Universidade de Plymouth, Reino Unido, que cunhou o termo microplástico e sugeriu que o plástico estava a degradar-se em pedaços tão pequenos que eles escapam através das malhas das redes. 

 

Outros propuseram que o plástico está a ser lançado para terra, que as partículas menores estão a ser cobertas por bactérias e sedimentos até que se afundam para o fundo do mar ou que são devoradas e incorporadas em tecidos animais e fezes, e até que algumas bactérias as conseguem digerir.

Thompson considera esta última hipótese improvável: “Os químicos de polímeros dizem que todo o plástico que alguma vez produzimos continua connosco."

Alguns investigadores procuraram plástico em locais remotos como o gelo árctico e o fundo do mar. Outros investigadores analisaram fezes de foca e de leões marinhos mas até agora não foram encontradas concentrações substanciais de microplástico.

Apesar de muito do plástico que entra nos oceanos do mundo provém de países com sistemas de gestão de resíduos pouco eficazes ou inexistentes, os países ricos produzem muito mais do tipo de plástico que tem maior probabilidade de alcançar os oceanos do que os países pobres. Isto inclui itens de utilização única, como talheres, caixas de takeaway e sacos de compras.

“Durante o meu dia-a-dia, reparei em todo o plástico, especialmente as coisas de utilização única", diz Carson. Uma dose de molho para salada pedido à parte, significa frequentemente mais um pequeno recipiente de plástico, salienta ele. “Usei-o durante 30 segundos e vai permanecer no mundo durante centenas ou milhares de anos. Trabalho com afinco na minha investigação e espero que tenha algum impacto mas por vezes interrogo-me: foi escolha minha ter o molho à parte? É esse o meu legado?”

 

 

Saber mais:

'Madeira de plástico' pode não ser tão amiga do ambiente como se apregoa

Poluentes orgânicos envenenam o tecto do mundo

Investigadores colocam em risco península antárctica intocada

Persiste mistério do plástico 'degradável'

Estudo mede acumulação de plástico no Atlântico

Ilha de lixo descoberta no Atlântico norte

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com