2014-12-04

Subject: Espécie rival desafia posição da 'primeira ave'

Espécie rival desafia posição da 'primeira ave'

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Chris Hellier/SPL

O icónico estatuto do Archaeopteryx, o primeiro animal simultaneamente com características de ave e dinossauro descoberto, está debaixo de fogo. Um espécie rival recentemente descoberta mostra uma mistura semelhante de características mas o Archaeopteryx ainda açambarcou o simpósio de abertura da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados de 2014 em Berlim no mês passado.

À medida que a ideia simplista de 'primeira ave' dá lugar a uma complicada transição evolutiva, os fósseis recém-descobertos e as técnicas cada vez mais aperfeiçoadas colocam o Archaeopteryx numa posição privilegiada para revelar os detalhes: “A investigação sobre o Archaeopteryx está realmente a ganhar novo fôlego”, diz o paleobiólogo Martin Kundrat, da Universidade de Uppsala, Suécia, que co-organizou o simpósio.

Os primeiros espécimes de Archaeopteryx surgiram em pedreiras de arenito na Bavária, sul da Alemanha, na década de 1860. Até recentemente, eram os únicos fósseis que tinham características de ave e dinossauro. Por um lado eram pequenos, os fósseis mostram juvenis do tamanho de uma gralha e os adultos deviam ser do tamanho de um corvo, e têm asas largas emplumadas aparentemente boas para planar. Por outro lado, têm uma mandíbula com dentes aguçados, garras tipo dinossauro e uma cauda óssea. Estas características levaram à ideia da primeira ave e gerações de cientistas trataram o animal com 145 milhões de anos como uma espécie de transição, uma peça chave de prova que associava as aves e os dinossauros.

Mas desde a década de 1990, o estatuto único do Archaeopteryx foi desafiado pela descoberta na China de outra potencial espécie de transição. Fósseis de Anchiornis huxleyi e de Microraptor xui revelaram animais de corpo pequeno como o Archaeopteryx e podem ter usado as suas quatro asas para planar. Outro, o Aurornis xui, tem patas, garras e uma cauda semelhantes às do Archaeopteryx, mas viveram cerca de 10 milhões de anos antes, levando alguns a propor que seria um melhor candidato a primeira ave.

Muitos cientistas acreditam agora que o Archaeopteryx é apenas mais um dinossauro, enquanto outros têm dificuldade em aceitá-lo: “Para alguns ornitólogos é um grande problema, o Archaeopteryx é a primeira ave”, diz Gareth Dyke, paleontólogo de vertebrados na Universidade de Southampton, Reino Unido. “Preferiam cortar uma perna a admitir que este animal não tem nada a ver com a origem das aves."

Novos espécimes de Archaeopteryx também estão a revigorar a investigação. Existem agora 12 novos fósseis conhecidos do animal e no simpósio Kundrat revelou a primeira descrição científica do oitavo a ser descoberto.

Kundrat relatou que o animal viveu mais recentemente do que outros Archaeopteryx, fortalecendo as sugestões de que há mais do que uma espécie no género. Em Julho, uma análise do décimo primeiro espécime mostrou que os animais tinham patas cobertas de penas, sugerindo que as penas terão evoluído com outro objectivo e não o voo, como por exemplo para exibição ou isolamento.

O paleontólogo Ryan Carney, da Universidade Brown em Providence, Rhode Island, apresentou uma tomografia de raios X em três dimensões do corpo de um Archaeopteryx e um scan superficial de outro. Ele descobriu estruturas pigmentares nas penas do Archaeopteryx que sugere que a ave era preta. Ambas as análises vão ajudar a modelar se, e como, o Archaeopteryx voava e determinar o seu lugar na transição de dinossauros para aves.

Revelações sobre o cérebro do Archaeopteryx já o estão a fazer. No ano passado, a bióloga evolutiva Amy Balanoff, da Universidade Stony Brook em Nova Iorque, relatou que os cérebros do Archaeopteryx e de uma variedade de dinossauros aparentados eram, como os das aves modernas, relativamente grandes para o tamanho do corpo. Como estes animais não voavam tão bem, se é que voavam de todo, a descoberta sugere que a expansão do cérebro ocorreu antes do voo e que o Archaeopteryx pode não ter mais relação com as aves que qualquer outra espécie de transição.

Balanoff está agora a investigar se o cérebro do Archaeopteryx partilha detalhes anatómicos mais finos, inferidos da forma do crânio, com os dinossauros terópodes, a linhagem que deu origem às aves. Ela também relatou a descoberta uma estrutura no cérebro do Archaeopteryx, que se pensava ser exclusiva das aves vivas, que está envolvida na percepção e pode ter ajudado o animal a processar informação visual durante o voo. Mas a questão é se também estará presente nos primos dinossauros do Archaeopteryx.

No conjunto, as descobertas sugerem que não houve uma transição certinha de dinossauro para ave, o que torna a ideia de uma primeira ave cada vez mais arbitrária e sujeita aos caprichos de um registo fóssil incompleto. "Adoro o Archaeopteryx, fiz a minha tese sobre ele", diz Nicholas Longrich, paleontólogo na Universidade de Bath, Reino Unido. “Mas, de certa forma, estamos a ir para além dele, está a tornar-se mais um fóssil numa árvore filogenética realmente diversificada."

 

 

Saber mais:

Dinossauros nem de sangue quente, nem de sangue frio

Teoria sugere que icónica primeira ave perdeu capacidade de voar

Primeiras aves tinham quatro asas

Predadores dinossauros caçavam no escuro

Descoberto na China fóssil de dinossáurio com quatro asas cobertas de penas

Ave primordial era aquática

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com