2014-11-27

Subject: Sistema imunitário fornece pistas para tratamento do cancro

 

Sistema imunitário fornece pistas para tratamento do cancro

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Steve Gschmeissner/Science Photo Library

Na corrida para desenvolver terapias personalizadas contra o cancro, os investigadores estão cada vez mais a examinar a resposta imunitária individual ao cancro para encontrar formas de adequar os tratamentos.

A mudança surge com a emergência de terapias concebidas para lançar o sistema imunitário contra as células cancerosas. Cinco estudos publicados no mais recente número da revista Nature viraram-se para o sistema imunitário para investigar que pacientes têm maior probabilidade de responder a medicamentos para o cancro que inibem a actividade da proteína PD-1 e de que forma os tumores desencadeiam as respostas imunitárias. A abordagem está em completo contraste com tentativas anteriores de terapias personalizadas que se focavam no próprio tumor.

“Estamos a olhar para um paradigma muito diferente de biomarcador", diz Thomas Powles, oncologista na Universidade Queen Mary de Londres e autor principal de um dos artigos. “Não nos estamos a focar nas células tumorais, estamos a focar-nos nas células imunitárias em redor do tumor.”

O receptor PD-1 em algumas células T coloca-as em hibernação quando se liga à proteína sinal PD-L1. Este mecanismo, que habitualmente impede as reacções auto-imunes, pode ser usada por células tumorais oportunistas para as ajudar a escapar ao sistema imunitário. Os tumores que expressam a PD-L1 são, por vezes, rodeadas por uma falange de células T impotentes.

Os medicamentos que bloqueiam a PD-1 ou a PD-L1 podem libertar essas células T e reactivar o sistema imunitário contra o tumor. Esses medicamentos criaram um enorme entusiasmo pela sua capacidade de desencadear respostas duradouras em alguns pacientes com cancros avançados em que outros tratamentos tinham falhado.

Mas os medicamentos funcionam em apenas alguns pacientes e ainda não é claro que cancros são susceptíveis. Por exemplo, o artigo de Powles fornece a primeira evidência de que um medicamento que bloqueia a PD-L1 pode funcionar em cancro da bexiga mas os primeiros dados de outros estudos sugerem que o cancro da próstata pode não ser vulnerável.

Tudo isto tem levado os investigadores a tentar encontrar formas de identificar os pacientes e os tipos de tumor que mais beneficiariam da terapia PD-1. Os primeiros esforços focaram-se na medição da expressão da PD-L1 em células tumorais mas três dos cinco artigos da Nature exploraram, pelo contrário, a importância da expressão da PD-L1 nas células imunitária que se infiltraram no tumor.

As descobertas estão de acordo com modelos da forma como a PD-1 e a PD-L1 suprimem as respostas imunitárias ao cancro, diz Suzanne Topalian, oncologista na Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, que não esteve envolvida nos estudos, mas porque diferentes investigadores e companhias usam métodos diferentes para medir a expressão da PD-L1 é impossível comparar os resultados, diz ela. Isso significa que é demasiado cedo para descontar os resultados iniciais do seu laboratório e outros que encontrem uma correlação entre a resposta à terapia e a expressão da PD-L1 em células tumorais, diz ela.

Antoni Ribas, investigador do cancro na Universidade da Califórnia, Los Angeles, defende que a falta de expressão da PD-L1 em células imunitária pode ser um sinal de que vale a pena a despesa e a toxicidade extra combinar medicamentos para a PD-1 com outras terapias que atraiam as células T para o tumor. Mas ele alerta contra a utilização da ausência de expressão da PD-L1 para excluir pacientes de tratamentos com terapias PD-1. “Há uma certa percentagem de pacientes cujos testes são negativos e ainda assim reagem a este medicamento", diz Topalian.

Dois outros relatórios assinalam como proteínas mutantes em tumores de rato alertam as células T primeiro. Ambas as equipas catalogaram as sequências da proteína mutada que são reconhecidas pelas células Te usaram-nas para conceber vacinas personalizadas que estimulam as respostas imunitárias aos tumores. A abordagem funcionou: a maioria dos ratos rejeitaram os seus tumores.

Estão em curso testes clínicos para testar vacinas personalizadas em humanos, diz Robert Schreiber, imunologista de tumores na Universidade de Washington em St Louis, Missouri.

Mas mesmo que a abordagem funcione, deixa para trás os que não têm as mutações necessárias ao recrutamento das células T, diz Jedd Wolchok, imunologista do cancro no Centro do Cancro Memorial Sloan Kettering em Nova Iorque, que não esteve envolvido no estudo. “A questão torna-se, então, o que fazemos aos pacientes que não têm estas mutações favoráveis?”

Wolchok salienta que algumas terapias convencionais, como a radiação e as quimioterapias clássicas, podem ajudar a alertar o sistema imunitário para o tumor ao introduzir novas mutações ao genoma do tumor. “Apenas ao juntar tudo isto vamos obter progressos", diz ele.

 

 

Saber mais:

Cocktails personalizados vencem tumores resistentes

Células cancerosas conseguem infectar vizinhas normais

Modelo propõe papel evolutivo para o cancro

Epigenética começa a deixar a sua marca

Injecções de vitamina C facilitam tratamento de cancro dos ovários

Falta de sincronia entre microrganismo e Homem aumenta risco de cancro do estômago

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com