2014-11-21

Subject: Surtos europeus de gripe das aves não representam perigo para o Homem

 

Surtos europeus de gripe das aves não representam perigo para o Homem

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Oli Scarff/AFP/Getty

Três surtos de gripe das aves foram relatados na Europa este mês mas os peritos consideram que serão rapidamente contidos e que o vírus coloca pouco ou nenhum risco para as pessoas.

A 6 de Novembro, as autoridades alemãs relataram um surto do vírus H5N8 numa instalação de engorda de perus em Mecklenburg no nordeste do país. Cerca de 5 mil aves ficaram infectadas e 1880 morreram, num bando com 30 mil aves no total. A 16 de Novembro, as autoridades holandesas também relataram um surto do vírus perto de Utrecht, que matou mil aves num bando com cerca de 150 mil galinhas poedeiras e para abate.

Depois, a 17 de Novembro, o Departamento do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido relatou um surto de gripe das aves num bando de 6 mil aves numa criação de patos no norte de Inglaterra. Testes posteriores revelaram que também aí se tratava do H5N8.

Já tinha sido relatada a presença do H5N8 na Europa? De onde veio ele?

O vírus H5N8 foi primeiro detectado em aves de capoeira na Irlanda em 1983 e desde então foi ocasionalmente detectado nos Estados Unidos e na Ásia. Os actuais surtos europeus, no entanto, são de uma estirpe mais recente do H5N8 que emergiu da mistura genética de vários vírus H5 na Ásia. O novo vírus provocou surtos em aves de capoeira no sudeste asiático desde 2010 e em aviários na China e na Coreia do Sul este ano.

A sequência genética do vírus envolvido no surto alemão é semelhante à do vírus sul-coreano, o que sugere que este se terá espalhado da Ásia para a Europa, ainda que não seja claro de que forma. Se viajou através das rotas de comércio de aves de capoeira, os surtos deviam ter sido relatados ao longo do caminho mas tal não aconteceu, ainda que isso apenas possa querer dizer que não foram detectados ou relatados.

Por outro lado, as aves migratórias podem ter transportado o vírus. Há um aceso debate sobre as evidências de que as migrações desempenham um papel importante na propagação do H5N1 e de outras estirpes altamente patogénicas de gripe das aves para os aviários, no entanto.

O H5N8 coloca algum tempo de risco para saúde das pessoas?

Uma avaliação de risco publicada pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) a 13 de Novembro estimava que o risco de o H5N8 infectar humanos e provocar doença era "extremamente baixo". O relatório do ECDC salienta que o vírus tem uma marcada preferência por receptores aviários nas células do aparelho respiratório. Ainda assim, tem a capacidade de se ligar a receptores de células humanas e os cientistas também infectaram experimentalmente furões, um modelo da infecção humana, com H5N8, apesar de os animais não desenvolverem sintomas severos. O vírus também não era eficiente na transmissão entre furões.

A maior ameaça do vírus é para as indústrias de ovos e carne de aves, ainda que o risco económico na Europa seja mínimo, onde as autoridades de saúde animal  serão rápidas a eliminar os surtos.

Então o H5N8 não é uma ameaça pandémica?

É impossível prever que vírus de gripe podem surgir e provocar uma pandemia. Tal como em 2009 a estirpe H1N1, os vírus pandémicos de gripe continuam a apenas ser detectados depois de se terem propagado a humanos em vários países. 

Ainda assim, os cientistas tentam sempre avaliar o potencial risco pandémico de estirpes conhecidas para dar prioridade aos que vale a pena monitorizar e estar preparados para um desenvolvimento rápido de vacinas se necessário. Para o fazer procuram-se factores como, por exemplo, se os vírus têm preferência por receptores humanos ou aviários e se se transmitem em furões. Mas também é sabido que a vigilância de vírus de gripe em todo o mundo é notoriamente escassa.

O que vão as autoridades europeias fazer para controlar os surtos de H5N8 na Europa?

A União Europeia introduziu regras abrangentes em 2005 para lidar com surtos de estirpes altamente patogénicas de gripe das aves. Esta incluem o abate das aves afectadas, isolamento das zonas em redor dos aviários afectados, restrições ao transporte de aves de capoeira, intensificação da vigilância do vírus e desinfecção das instalações afectadas. As pessoas potencialmente expostas ao vírus, como os criadores e os veterinários, também serão seguidos em busca de sinais de doença.

Os países europeus têm sistemas veterinários e de saúde animal bem desenvolvidos, que serão capazes de parar a propagação destes surtos rapidamente. O risco de propagação entre bandos também é muito menor do que na Ásia, onde há muitas criações de quintal e mercados de aves vivas com poucas medidas de biossegurança. Mas algo que a Europa e a Ásia têm em comum é uma das maiores densidades de aves de capoeira do mundo, logo não há espaço para se ser complacente.

 

 

Saber mais:

Estudo sobre Tamiflu contestado

Relatório contesta a utilidade de armazenar Tamiflu

Estudo revive origem aviária da pandemia de gripe de 1918

Vacina da gripe revela-se um 'tiro pela culatra' em porcos

Emergência da gripe das aves H7N9 indicia ameaça mais vasta

Nova gripe das aves transmite-se facilmente em animais modelo

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com