2014-11-20

Subject: Teste clínico apoia importância de baixar o colesterol no tratamento de doenças cardíacas

 

Teste clínico apoia importância de baixar o colesterol no tratamento de doenças cardíacas

 

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@ Nature/Jonathan Drake/Bloomberg via Getty

Um popular mas controverso medicamento para o colesterol reduz o risco de perturbações cardiovasculares, como ataques cardíacos e tromboses, dizem os investigadores.

O medicamento, chamado ezetimibe, já tinha demonstrado reduzir os níveis de colesterol mas a sua capacidade para combater as doenças cardíacas estava em disputa. Mas agora o ezetimibe, produzido pela Merck de Whitehouse Station, Nova Jérsia, revelou reduzir o número de eventos cardiovasculares em 6,4% quando tomado com outro medicamento para o colesterol.

O efeito é significativo mas pequeno. Ainda assim, alguns cientistas dizem que os resultados confirmam a hipótese 'mais baixo é melhor': a redução dos níveis do colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade), o famoso colesterol 'mau', reduz o risco de eventos cardiovasculares.

“A questão que todos tinham era ‘será que esta redução acrescida do colesterol LDL se traduz no benefício clínico real?’”, diz o cardiologista Christopher Cannon, do Hospital Feminino e Brigham em Boston, Massachusetts. “A resposta é sim.”

Essa descoberta, apresentada por Cannon no encontro da Associação Americana do Coração em Chicago, Illinois, pode ser um alívio não só para a Merck, como para outras farmacêuticas (particularmente aquelas que estão a desenvolver medicamentos para o colesterol).

É muito mais rápido e mais barato conseguir a aprovação de um medicamento com base na redução do colesterol do que na redução dos eventos cardiovasculares. Os níveis de colesterol mudam rapidamente em resposta à medicação e são fáceis de medir, enquanto os eventos cardiovasculares são relativamente raros. Os testes que os estudam têm que alistar milhares de pessoas para ter números estatisticamente significativos de eventos.

O teste apresentado por Cannon, com o número de código IMPROVE-IT, alistou mais de 18 mil pacientes e levou 9 anos a completar.

Mas Harlan Krumholz, cardiologista na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, alerta contra a presunção de que mais baixo é sempre melhor quando se trata do colesterol LDL: “Não penso que se possa extrapolar daqui que se pode dizer que qualquer medicamento que reduza o colesterol seja melhor, temos muitos exemplos em que isso não acontece.”

O ezetimibe reduz a absorção do colesterol por inibir a actividade da proteína NPC1L1, que o transporta para o interior das células. Quando combinado com uma estatina, outro medicamento que reduz o colesterol, o ezetimibe baixa o colesterol em mais 20%, quando comparado com a estatina por si só.

Isto parecia dar bons augúrios ao impacto do medicamento na saúde cardíaca quando a Administração Americana para a Alimentação e Medicamentos aprovou o ezetimibe em 2002 mas em 2008 os investigadores descobriram que o medicamento não tinha impacto na espessura das paredes das artérias do pescoço e coxas, uma medida da acumulação de placas de gordura. Esta acumulação de gordura pensa-se que contribua para as doenças cardíacas por restringir o fluxo sanguíneo.

Os resultados lançaram dúvidas sobre a utilidade do ezetimibe e da importância de baixar o colesterol em geral. As estatinas já tinham demonstrado reduzir o risco de doenças cardíacas mas isso não era verdade para outros medicamentos que reduzem o colesterol LDL, incluindo a niacina e os fibratos.

As esperanças para o ezetimibe foram relançadas na semana passada quando uma análise genética de 7364 pessoas com doenças cardíacas e 14728 controlos revelou que pessoas com uma mutação rara que inactiva a NPC1L1 tinham níveis de colesterol LDL e risco de doença coronárias menores.

Cannon acabou com a controvérsia ao apresentar dados do seu teste clínico, que comparou cerca de 9 mil pacientes que tomaram a estatina simvastatina com outros 9 mil que tomaram a estatina e o ezetimibe (nem os pacientes nem os investigadores sabiam que pacientes estavam a tomar o quê). A taxa de eventos cardiovasculares foi de 34,7% nos pacientes que tomaram apenas a estatina e de 32,7% nos pacientes que tomaram ambos os medicamentos.

“O estudo afirma o papel central da redução intensiva de colesterol LDL na prevenção dos eventos cardiovasculares recorrentes”, diz Neil Stone, cardiologista na Universidade Northwestern em Chicago, que não esteve envolvido no estudo.

Mas Stone alerta para os pacientes do estudo serem de alto risco, uma prática comum usada para aumentar a probabilidade de eventos cardiovasculares: “Os dados não falam da utilização do ezetimibe em pacientes de baixo risco."

Para Krumholz, a preocupação é que as pessoas se tornem excessivamente confiantes noutros medicamentos que baixam o colesterol, na ausência de dados sobre os eventos cardiovasculares. “O problema é que os medicamentos podem ter efeitos múltiplos, não podemos saber com certeza qual o efeito global nas pessoas sem o testar formalmente.”

 

 

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