2014-11-19

Subject: Encontradas primeiras pistas sobre misteriosa mortandade de estrelas-do-mar

 

Encontradas primeiras pistas sobre misteriosa mortandade de estrelas-do-mar

 

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@ Nature/Nathaniel Fletcher/seastarwasting.org

Um vírus é o culpado mais provável de uma enorme mortandade de estrelas-do-mar em curso ao longo da costa do Pacífico da América do Norte, relatam os investigadores na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A intensa investigação demorou um ano a chegar a um densovírus (da família Parvoviridae) que está presente no Pacífico desde, pelo menos, 1942. Mas permanece um mistério: porque razão o vírus aparentemente explodiu num surto que devastou a vida marinha do Alasca à baixa Califórnia.

A doença debilitante das estrelas-do-mar é uma perturbação pouco compreendida em que as estrelas-do-mar passam de animais aparentemente saudáveis para massas derretidas no espaço de dias. Este último surto surgiu ao largo da península Olympic no estado de Washington em Junho de 2013, onde os seus efeitos não foram severos mas a doença espalhou-se rapidamente a vários locais ao longo da costa do Pacífico, dizimando as populações de cerca de 20 espécies de estrelas-do-mar.

Desde então, o seu alcança alargou-se ainda mais e a doença chegou mesmo a voltar à península Olympic com espírito de vingança. “Não me parece que estejamos perto do fim desta história", diz Peter Raimondi, ecologista marinho na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e co-autor do estudo.

Desde os primeiros dias do surto que evidências anedóticas apontavam para uma causa viral. Aquários que esterilizavam a água do mar dos seus tanques com raios UV, ou que produziam a sua própria água salgada, como o Aquário de Seattle e a Academia de Ciências da Califórnia em San Francisco, tinham estrelas-do-mar saudáveis. Aquários que usavam água não tratada ou água do mar filtrada por areia (que elimina a maioria das bactérias e protozoários) viam as suas estrelas-do-mar desenvolverem as lesões associadas com a doença debilitante.

Os investigadores examinaram tecidos de indivíduos doentes e aparentemente saudáveis recolhidos nos mesmos locais mas não encontraram infecções bacterianas ou de protozoários associadas à doença debilitante. Decidiram então focar-se em vírus, sequenciando o DNA viral de amostras de indivíduos saudáveis e doentes.

“Na realidade só havia um grupo, os densovírus, que se salientavam como estando associados com os tecidos doentes mais vezes do que com os tecidos saudáveis”, diz o autor principal Ian Hewson, ecologista microbiano na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Para confirmar a descoberta inicial a equipa juntou vírus de tecidos de uma estrela-do-mar doente a tanques com estrelas saudáveis. Estes animais adoeceram no espaço de uma semana, enquanto populações controlo tratada com vírus mortos pelo calor permaneceram saudáveis. Quando um inóculo viral das estrelas doentes foi dada a novas populações, também elas adoeceram.

“São evidências bastante persuasivas”, diz Curtis Suttle, virologista marinho na Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver, que não esteve envolvido no estudo. Suttle considera que a descoberta abre uma janela para o que os vírus, que são espantosamente abundantes na água do mar superficial (estimam-se 10 milhões de partículas por mililitro), estão a fazer aos ambientes marinhos.

“Praticamente não temos qualquer entendimento da relação entre os agentes virais patogénicos e a mortalidade em organismos marinhos naturais”, diz Suttle. A maioria da informação disponível diz respeito a espécies economicamente importantes ou à chamada macro-fauna carismática, como as focas, diz Suttle. Com estes novos dados sobre as estrelas-do-mar na mão, “pelo menos podemos começar a procurar" densovírus, acrescenta ele.

Agora os investigadores esperam compreender porque razão o vírus se tornou um assassino em série. Os densovírus não são novos: os investigadores encontraram-nos em tecidos conservados de espécimes presumivelmente saudáveis de museu que datam da década de 1940. Também foram encontrados em plâncton, sedimentos e outros animais marinhos, como pepinos-do-mar e ouriços-do-mar.

Não foi encontrada qualquer correlação entre factores ambientais seja com a instalação, seja com a progressão da doença na monitorização regional liderada por Raimondi. “Neste momento não temos qualquer ideia porque algo que parece estar presente há muito de repente se tornou tão letal", diz ele.

É possível, no entanto, que as populações de estrelas-do-mar estejam à beira de um regresso por si sós. No Parque Nacional das Ilhas Channel no sul da Califórnia, os biólogos têm monitorizado as estrelas-do-mar há mais de 30 anos. “Posso dizer-vos que as estrelas girassol estão com a menor densidade que alguma vez vimos desde o início da monitorização", diz David Kushner, biólogo no Serviço de Parques dos Estados Unidos, que gere o local. “Mas também estamos a ver um bom número de juvenis novos" em algumas espécies, que, até agora, parecem estar bem.

 

 

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