2014-11-13

Subject: Associação entre cérebro e intestino chama atenção de cientistas

 

Associação entre cérebro e intestino chama atenção de cientistas

 

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@ Nature/Lester V. Bergman/Corbis

As companhias que vendem alimentos ‘probióticos’ há muito que alegam que manter a população de bactérias intestinais correcta beneficia o bem-estar mental mas os neurocientistas têm sido, de modo geral, cépticos. Mas agora, surgiram evidências concretas que associaram perturbações como o autismo ou a depressão aos residentes microbianos intestinais, conhecidos como o microbioma intestinal, e os neurocientistas estão a prestar atenção, não apenas pelas implicações clínicas mas também o que esta associação pode significar para a concepção experimental.

“O campo vai passar para outro nível de sofisticação”, diz Sarkis Mazmanian, microbiólogo no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. “Espera-se que isto mude a imagem de que há demasiados interesses comerciais e dados de demasiados poucos laboratórios.”

Este ano, o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos gastou mais de US$1 milhão num novo programa de investigação dirigido à ligação entre o microbioma e o cérebro. A 19 de Novembro os neurocientistas vão apresentar evidências da ligação num simpósio no encontro anual da Sociedade para a Neurociência em Washington DC numa comunicação intitulada ‘Microrganismos intestinais e o cérebro: uma alteração de paradigma em neurociência’.

Apesar de terem sido notadas correlações entre a composição do microbioma intestinal e as perturbações comportamentais, especialmente autismo, só agora os neurocientistas estão a compreender de que forma as bactérias intestinais influenciam o cérebro.

O sistema imunitário desempenha o seu papel certamente, diz Mazmanian, tal como o nervo vago, que liga o cérebro ao sistema digestivo. Os resíduos bacterianos também influenciam o cérebro, por exemplo pelo menos dois tipos de bactérias intestinais produzem o neurotransmissor ácido γ-aminobutírico (GABA).

O microbioma deverá ter o seu impacto maior no cérebro no início da vida, diz o farmacologista John Cryan, na University College Cork na Irlanda. Num estudo a ser apresentado no encontro de neurociência, o seu grupo descobriu que ratos nascidos por cesariana, que apresentavam microrganismos diferentes dos presentes em ratos nascidos vaginalmente, eram significativamente mais ansiosos e tinham sintomas de depressão.

A incapacidade dos animais obterem os microrganismos vaginais da sua mãe durante o nascimento, normalmente as primeiras bactérias que encontrariam, pode causar alterações para toda a vida na sua saúde mental, diz ele.

Da mesma forma, um estudo de 2013 do laboratório de Mazmanian descobriu que um modelo rato com algumas características de autismo tinha níveis muito inferiores de uma bactéria intestinal vulgar chamada Bacteroides fragilis do que ratos normais.

Os animais modelo também eram stressados, anti-sociais e apresentavam sintomas gastrointestinais frequentes no autismo. Introduzir a B. fragilis nos ratos revertia estes sintomas. O grupo também descobriu que os ratos com estes sintomas tinham níveis superiores de um metabolito bacteriano chamado 4-etil-fenil-sulfato (4EPS) no seu sangue e que injectar esse composto em ratos normais causava o mesmo tipo de problemas comportamentais.

O mecanismo por trás destes efeitos não é claro. No encontro, Mazmanian irá apresentar dados que mostram que alimentar os ratos com 4EPS provoca problemas comportamentais apenas se o intestino tiver fugas, presumivelmente porque isso permite ao composto passar para o corpo através da parede intestinal.

Essa observação coloca a possibilidade de algumas pessoas com autismo poder ser apoiada com terapias, como os probióticos, que tenham como alvo o intestino em vez do cérebro, que é um órgão muito mais complexo e inacessível.

Ainda assim, os que estão na linha da frente da investigação permanecem cépticos sobre a possibilidade destas descobertas serem transportas em tratamentos para humanos. As evidências de que os probióticos afectam o comportamento humano "são mínimas para dizer pouco", reconhece Mazmanian. Mas, diz ele, um crescente número de de investigadores estão a começar a olhar para algumas doenças mentais através de uma lente de microscópio.

Existem implicações para a investigação básica também. Noutro estudo a ser apresentado no encontro, a veterinária Catherine Hagan, da Universidade do Missouri em Columbia, comparou as bactérias intestinais em ratos de laboratório da mesma estirpe genética comprados a diferentes vendedores.

As suas comensais diferiam fortemente, descobriu ela: ratos do Laboratório Jackson em Bar Harbor, Maine, por exemplo, tinham menos tipos bacterianos nos seus intestinos do que os ratos dos Laboratórios Harlan, que estão sedeados em Indianapolis, Indiana.

Essas diferenças podem ser uma complicação grave para os investigadores que procuram reproduzir as experiências comportamentais de outros laboratórios, diz Hagan. Quando a sua equipa transplantou bactérias de ratos fêmea de Harlan para ratos fêmea de Jackson, os animais tornaram-se menos ansiosos e tinham níveis inferiores de compostos químicos relacionados com o stress no sangue.

Hagan salienta que quando um laboratório cria um rato por fertilização in vitro, o animal irá captar microrganismos da sua mãe de aluguer, que podem diferir grandemente dos da sua mãe genética. “Se vamos matar animais para investigação científica queremos ter a certeza que eles são modelos daquilo que pensamos que são”, diz ela.

 

 

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